VINHO TINTO - Um néctar saudável

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VINHO TINTO - Um néctar saudável

  Tupam Editores

A sociedade moderna procura, cada vez mais, o consumo de alimentos que possam tratar e prevenir doenças, bem como aumentar a longevidade.

Entre estes destacam-se os alimentos funcionais ricos em compostos antioxidantes com ação benéfica para a saúde, já comprovada e as bebidas, que exercem o mesmo efeito e são amplamente utilizados pela população, como o vinho – uma bebida nobre, de sabor e personalidade próprias.

A uva, que tem uma longa história de cultivo e utilização, é uma das mais importantes culturas de frutas comerciais em todo o mundo. Os primeiros registos de vinhas cultivadas na história da humanidade datam de, pelo menos 7000 a 5000 anos antes de Cristo, porém, os registos de vinhos datam dos séculos XIV e XIII a.C., com os fenícios. O vinho tem sido citado constantemente ao longo da história, desde a antiguidade clássica até à pós-modernidade, no qual assume conotações diferentes para os povos, estando intimamente ligadas à história e cultura das várias civilizações.

É um produto alimentar extremamente reconhecido e, em Portugal, a sua produção constitui uma mais-valia para a sustentabilidade económica.

Entre nós, o néctar dos deuses é consumido em grande escala – o que faz com que sejam elaboradas cada vez mais pesquisas acerca dos seus efeitos na saúde humana. Estes efeitos, como se sabe, podem ser prejudiciais quando as doses recomendadas são ultrapassadas em excesso, mas no entanto, é sobre os efeitos benéficos do consumo moderado de vinho que estão a ser realizadas cada vez mais pesquisas.

Fazer vinho

Apesar de os relatos do consumo da bebida serem ancestrais, foi preciso esperar até ao século XX para dissecar as entranhas do vinho com espírito científico. Em 1940 foi isolado pela primeira vez o resveratrol, um fitoquímico produzido pelas plantas para combater fungos e bactérias, e que faz do vinho (e de outros alimentos, como uvas, amendoins e mirtilos) um alimento com propriedades medicinais.

O reconhecimento, por parte de cientistas e do público em geral, dos potenciais efeitos na saúde de um consumo moderado da bebida aumentou em 1992, aquando da publicação de um relatório científico definido como “Paradoxo Francês”, pelo cientista francês Serge Renaud.

O que despertou a atenção científica foram os hábitos alimentares adotados pelos franceses que, apesar de apresentarem altos índices de sedentarismo, tabagismo, elevado consumo de gorduras saturadas e maiores níveis de colesterol, quando comparados com outros países industrializados, tinham uma menor incidência de doenças coronárias, facto atribuído a um consumo moderado e regular de vinho tinto.

Sabe-se que o álcool, quando consumido em pequenas doses, pode trazer benefícios à saúde, mas o vinho, além de álcool, possui outras substâncias na sua composição que exercem uma relação direta com a saúde e com o bem-estar, pois este ainda fomenta a comunicação, junta as pessoas, e oferece prazer e satisfação. Nada iguala o prazer de um bom copo de vinho entre amigos!

Os componentes do vinho

O vinho é um produto obtido a partir da fermentação alcoólica total ou parcial de uvas frescas (pisadas ou não) ou do mosto de uvas frescas. A sua composição varia de 85 a 90 por cento de água e de 7 a 24 por cento de etanol, dependendo do tipo de uva e da região de produção. Mas, após a fermentação da uva, além destas duas substâncias também se dá a produção de outros álcoois: isopropil e metanol, este último extremamente tóxico, mas em baixa concentração. São ainda gerados os ácidos tartárico, cítrico e málico.

Garrafa e uvas

Fonte razoável de energia, o vinho contém baixos teores de vitaminas hidrossolúveis e de minerais. O açúcar contribui muito pouco para o seu conteúdo energético, que fica a dever-se essencialmente ao etanol, que possui cerca de 7 kcal/g, cerca de 9 kcal/g de lípidos, e 4 kcal/g de hidratos de carbono.

Quanto ao teor de vitaminas, o vinho contém quantidades razoáveis destes compostos, sendo as principais as vitaminas A, C e algumas do complexo B (B1, tiamina; B2, riboflavina e a B12, cianocobalamina), além de minerais, especialmente potássio e ferro.

Nos últimos anos os benefícios da ingestão moderada de vinho para a saúde têm sido alvo de diversos trabalhos científicos, tendo-se comprovado que os maiores responsáveis pelos seus efeitos benéficos são os polifenois, por possuírem um efeito antioxidante muito potente e ainda apresentarem ação antibiótica.

Entre os polifenois mais estudados presentes nos vinhos destaca-se o resveratrol, um ótimo aliado no combate e prevenção de doenças cardiovasculares. O resveratrol encontra-se em grandes quantidades em uvas das espécies Vitis vinífera (a casta mais cultivada em Portugal) e Vitis labrusca.

Geralmente os vinhos tintos e brancos contêm quantidades diferentes destes elementos. Os polifenois, por exemplo, estão presentes em maior quantidade nos vinhos tintos (1000-4000 mg/L) do que nos vinhos brancos (200-300 mg/L). O facto fica a dever-se a vários fatores, sendo um deles a maneira como é elaborado cada tipo de vinho.

Apesar de o vinho apresentar na sua composição inúmeras substâncias importantes, no que diz respeito aos benefícios que a bebida pode trazer à saúde, os estudos limitam-se basicamente à presença do resveratrol e de outros compostos fenólicos como os flavonoides, quercetina e catequinas, encontrados em grandes quantidades no vinho tinto.

É importante frisar que para se obter benefícios da bebida o seu consumo deve ser regular, moderado, e sempre acompanhado de refeições, sendo a dose terapêutica de mais ou menos 30 g de álcool/por dia para homens (o equivalente a duas taças) e cerca de metade para as mulheres.

Principais benefícios para a saúde

O vinho é, entre todas as bebidas alcoólicas, a mais favorável à saúde. Particularmente porque os vinhos tintos sofrem o processo de fermentação na presença da casca e da graínha da uva e por isso contêm cerca de 10 vezes mais polifenois do que os vinhos brancos (que fermentam na ausência das cascas e das graínhas).

Está sobejamente provado que o vinho, graças ao seu grau de álcool e dos procionídeos (compostos fenólicos) sem álcool, reduz não só o risco de doença cardíaca e de alguns cancros, mas também diminui a progressão de doenças neurológicas degenerativas, como a doença de Alzheimer ou de Parkinson.

Mas os benefícios deste néctar dos deuses vão ainda mais longe: os compostos fenólicos conseguem alterar algumas frações lipídicas, ou seja, aumentam o “colesterol bom” (HDL – proteínas de alta densidade), diminuindo, obviamente, os níveis do “colesterol mau” (LDL – lipoproteínas de baixa densidade).

Mulher com copo de vinho

Os fitoquímicos não alcoólicos presentes no vinho, nomeadamente os flavonoides e o resveratrol, assumem o papel de antioxidantes e asseguram que as moléculas conhecidas como “radicais livres” não possam causar danos celulares no organismo.

Para além disso, o resveratrol está intimamente associado à prevenção de coágulos sanguíneos e da acumulação de placa nas artérias, protegendo assim o coração de doenças cardiovasculares.

Estudos recentes realizados em animais mostram ainda que a aplicação de resveratrol em um ou mais estados de desenvolvimento de um cancro, diminuiu a incidência do tumor. A sua atuação dá-se a vários níveis: controlando o ciclo de progressão celular, regulando os sinais de apoptose, inibindo o crescimento de tumores e a angiogénese, e ainda modulando a atividade de fatores de transcrição relacionados com o seu desenvolvimento.

Copo de vinho

O resveratrol é ainda um potencial agente no tratamento da diabetes e da obesidade uma vez que diminui a glucose presente no sangue em situações de hiperglicemia e não afeta os níveis de glucose normais.

Possui ainda a capacidade de inibir o crescimento de microorganismos patogénicos, nomeadamente bactérias Gram-positivas, Gram-negativas e fungos.

Para além dos benefícios descritos, que já são motivo para brindar, uma a duas unidades de vinho por dia (correspondendo cada unidade a 150 mL) traz ainda outras preciosas vantagens para a saúde: aumenta a esperança de vida, diminui o risco de pedra nos rins, promove a saúde ocular, inibe a multiplicação do vírus que provoca o herpes, melhora a digestão e o sono, e aumenta o QI, entre outros benefícios.

De acordo com a Organização Mundial de saúde (OMS) o consumo de vinho deve ser prudente em determinadas situações, entre as quais, durante a gravidez e o aleitamento materno, quando se estejam a tomar determinados medicamentos, ou durante a condução e a manipulação de máquinas.

Os registos históricos revelam que o uso medicinal do vinho tem sido uma prática corrente há mais de 2000 anos. Foi largamente aplicado pelos gregos, e Hipócrates (460-370 a.C.) considerava que a bebida podia ser usada como suplemento dietético na caquexia, como antisséptico, diurético, laxante, e auxiliar na redução da febre, entre outras funções.

Para que a célebre frase atribuída a Hipócrates “Que o teu alimento seja o teu medicamento” se torne uma realidade, no que respeita ao consumo de vinho, a palavra-chave é moderação. Bons vinhos!

ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
21 de Novembro de 2019

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