Riboflavina (vitamina B2)

O que é
A riboflavina (lactoflavina ou vitamina B2; designada anteriormente também por vitamina G; nome sistemático 7,8 - dimetil-10-(D-1'-ribitil)-isoaloxazina) é um composto orgânico (flavina) da classe das vitaminas.

No organismo humano, favorece o metabolismo das gorduras, açúcares e proteínas e é importante para a saúde dos olhos, pele, boca e cabelos.


A riboflavina é utilizada como corante alimentar, sob a designação E101 ou E101a (quando na forma fosfatada).

A deficiência em riboflavina provoca fendas nos cantos da boca e nariz, estomatite, coceira e ardor nos olhos, inflamações das gengivas com sangramento, língua arroxeada, pele seca, depressão, catarata, letargia e histeria.

A riboflavina é necessária na síntese do dinucleótido de flavina-adenina (FAD) e do mononucleótido de flavina (FMN), dois cofactores enzimáticos essenciais no funcionamento de enzimas importantes em diversas vias metabólicas.

Riboflavina é uma das vitaminas com mais ampla distribuição.

Todas as células de plantas e animais contém-na, mas há muito poucas fontes ricas.

A levedura e o fígado têm as concentrações mais elevadas, mas as fontes de dieta mais comuns são o leite e os seus derivados, a carne, os ovos e os vegetais de folhas verdes.

Os grãos dos cereais, embora fontes pobres em riboflavina, são importantes para aqueles que dependem dos cereais como componente principal da dieta alimentar.

Os cereais fortificados os produtos de panificação fornecem grandes quantidades.

As fontes animais de riboflavina são melhor absorvidas que as fontes vegetais.

No leite de vaca, ovelha e cabra, pelo menos 90% da riboflavina está na forma livre; na maiorira das outras fontes, surge ligado a proteínas.


A riboflavina é estável ao calor e por isso não é facilmente destruída no processo normal de cozedura, excepto se os alimentos estiverem expostos à luz, porque nesse caso podem ser perdidos até 50%.

Podem também ocorrer perdas através da lixiviação na água de cozedura.

Devido à sua sensibilidade à luz, a riboflavina desaparece rapidamente do leite guardado em garrafas de vidro expostas ao sol ou a luz natural directa (85% em duas horas).

A esterilização de alimentos por irradiação ou o tratamento com óxido de etileno pode também causar a destruição da riboflavina.

Usos comuns
Importante para o metabolismo energético.

Atua como síntese de colesterol, glicose e lipídeos.

Sua deficiência causa:
fotofobia, congestão na conjutiva dos olhos, mudanças dermatológicas, inflamação na língua (glossite), estomatite e insónia.

Fontes de vitamina B2: leite, iogurte, cogumelos, espinafre, bife de fígado e cereal enriquecido.
Tipo
Molécula pequena
História
A riboflavina foi descoberta por Wynter Blyth no final do século XVIII enquanto fazia a análise dos componentes do leite de vaca, tendo denominado então este composto como "lactocromo".

Outros nomes foram empregues para descrever a riboflavina, como lactoflavina ou ovoflavina, dependendo do material de onde havia sido isolada.

Também foram empregues as designações hepatoflavina, verdoflavina e uroflavina, além de vitamina G.

O nome actual reflecte a presença de uma cadeia lateral ribitilo e da cor amarela do grupo flavínico (do latim flavus, que significa "amarelo").


No final da Década de 1920, foram isolados diversos pigmentos amarelos com fluorescência esverdeada, e identificados como parte do complexo B.

Por essa altura foi identificada a estrutura da riboflavina por Richard Kuhn e Paul Karrer, de forma independente.


Mais tarde, Hugo Theorell demonstrou que uma enzima de cor amarela, previamente identificada por Otto Warburg nas suas investigações sobre a fosforilação oxidativa, poderia ser separada em apoproteína e numa fracção solúvel amarela.

Nenhuma das duas fracções em separado era capaz de oxidar o NADPH, mas ao fazer-se uma mistura de ambas, essa actividade catalítica reaparecia.

Theorell tentou reconstituir a actividade da enzima juntando riboflavina à apoproteína, já que, espectroscopicamente, a fracção amarela era muito semelhante à vitamina, mas não detectou catálise.

Descobriu então que o cofactor amarelo da enzima diferia da riboflavina pela presença de um grupo fosfato adicional na cadeia ribitilo.

Theorell havia descoberto o FMN, o derivado directo da fosforilação da riboflavina.

Anos mais tarde, Hans Krebs descobriu uma nova flavoenzima, cujo cofactor foi identificado como um novo derivado da riboflavina, o FAD, por Warburg e Christian, em 1938.


Na década de 1940 surgem os primeiros estudos sobre os efeitos da deficiência de riboflavina em humanos.

O teste da actividade da glutationo redutase para aferição dos níveis de riboflavina é proposto nos finais dos anos 60,[8] sendo utilizado até ao presente.
Indicações
Tratamento da deficiência da vitamina B2.
Classificação CFT
n.d.     n.d.
Mecanismo De Ação
A maior parte da riboflavina ingerida encontra-se sob a forma de FMN e FAD ligada a proteínas, que libertam as flavinas por hidrólise ácida no estômago.

O FAD e o FMN são então hidrolisados a riboflavina pela fosfatase alcalina e pirofosfatases FMN/FAD antes da sua absorção intestinal.

É na parte proximal do intestino delgado que ocorre a maioria da absorção, que é levada a cabo por transportadores especializados independentes de Na+ e inibida por análogos estruturais da riboflavina e pela amilorida.

O mecanismo molecular de absorção não é bem conhecido mas aparenta depender directamente do número de transportadores no epitélio intestinal ou da variação da actividade destes transportadores.

A disponibilidade de riboflavina regula esta actividade: um aumento da concentração de riboflavina no lúmen intestinal diminui a actividade de absorção da vitamina, enquanto que uma deficiência leva a um aumento da actividade; por esta razão é sugerido que os transportadores reconhecem a quantidade de riboflavina disponível na sua superfície apical e se adaptam conforme o nível detectado.

Outra forma de regulação poderá envolver uma via dependente da proteocinase A, e por conseguinte, do AMPc.

Também a riboflavina produzida pela flora do intestino grosso pode ser absorvida nesta zona do intestino, utilizando transportadores funcionalmente semelhantes aos presentes no intestino delgado.

Após a entrada nas células do intestino, a riboflavina é fosforilada a FMN por uma flavocinase, utilizando ATP.

A FAD sintetase também utiliza ATP na síntese do FAD.

O armazenamento da riboflavina é feito principalmente no fígado, sob a forma de FAD.

Em hepatócitos e células epiteliais, existem transportadores específicos dependentes do Ca2+/calmodulina que permitem a entrada da riboflavina nas células, à custa de energia metabólica.

A riboflavina também é armazenada no baço e músculo cardíaco.

Na circulação sanguínea encontra-se principalmente na forma de riboflavina (50%) e FAD (40%), com uma percentagem menor de FMN (10%), numa concentração total de cerca de 0,03 μM.

No plasma sanguíneo de mamíferos, a riboflavina liga-se de forma não específica a proteínas como a albumina e determinadas imunoglobulinas e de forma específica a proteínas transportadoras de riboflavina, especialmente durante a gestação, embora não sejam conhecidos com precisão os mecanismos de transporte da riboflavina em qualquer dos casos.

Existe provavelmente entrada de riboflavina em mitocôndrias feita também por transportadores específicos, já que este organelo possui riboflavina cinase e FAD sintetase e utiliza diversas flavoproteínas na cadeia de transporte electrónico.

Poderá então haver incorporação dos cofactores flavínicos nas apoproteínas correspondentes.

No cérebro, estudos de transporte da riboflavina no plexo coróide revelaram que esta é absorvida através da barreira hematoencefálica e pelas células do tecido nervoso através de transporte activo ou difusão facilitada, existindo uma apertada homeostase que não permite grandes variações na concentração de riboflavina neste tecido.



Posologia Orientativa
As recomendações dietárias para a riboflavina existem em 38 países, onde os valores médios para os adultos do sexo masculino variam entre 1,2 e 2,2 mg por dia.

As recomendações actuais (1989) estão entre os 1,2-1,3 mg para as mulheres e 1,4-1,8 mg para os homens.

É recomendada uma ingestão adicional de 0,3 mg para as mulheres durante a gravidez, de 0,5 mg durante os primeiros 6 meses de amamentação e 0,4 mg nos seguintes.

Os níveis para bebés e crianças variam desde os 0,4 mg nos primeiros 6 meses de vida até 1,2 mg aos 10 anos.

A maioria dos casos de deficiência em riboflavina responde a doses orais diárias de 5-10 mg.
Administração
Sem informação.
Contraindicações
Até hoje nenhum estudo apresentou contra-indicações e o excesso desta vitamina é eliminado através da urina que tem como característica coloração amarela.
Efeitos Indesejáveis/Adversos
Sem informação.
Advertências
Precauções Gerais
A riboflavina reduz a atividade antibacteriana de soluções de eritromicina, estreptomicina, tirotricina, carbomicina e tetraciclinas. No caso das tetraciclinas, é uma oxidação fotoquímica. Não inativa com cloranfenicol, penicilina ou neomicina.

Cuidados com a Dieta
Não interfere com alimentos e bebidas.
Terapêutica Interrompida
Sem informação.
Cuidados no Armazenamento
Manter este medicamento fora da vista e do alcance das crianças.
Espetro de Suscetibilidade e Tolerância Bacteriológica
Sem informação.

Patirómero + Riboflavina (vitamina B2)

Observações: N.D.
Interações: Os estudos in vitro demonstraram não haver potencial interação de Patirómero com as seguintes substâncias ativas: alopurinol, amoxicilina, apixabano, ácido acetilsalicílico, atorvastatina, cefalexina, digoxina, glipizida, lisinopril, fenitoína, riboflavina, rivaroxabano, espironolactona e valsartan.

Riboflavina (vitamina B2) + Álcool

Observações: N.D.
Interações: O álcool interfere com a absorção intestinal da riboflavina.
 Potenciadora do efeito Terapêutico/Tóxico

Riboflavina (vitamina B2) + Antidepressores (Tricíclicos)

Observações: N.D.
Interações: Fenotiazinas e antidepressivos tricíclicos: As necessidades de riboflavina estão aumentadas em doentes a tomar fenotiazinas e antidepressivos tricíclicos.
 Potenciadora do efeito Terapêutico/Tóxico

Riboflavina (vitamina B2) + Fenotiazidas (fenotiazinas)

Observações: N.D.
Interações: Fenotiazinas e antidepressivos tricíclicos: As necessidades de riboflavina estão aumentadas em doentes a tomar fenotiazinas e antidepressivos tricíclicos.
 Redutora do efeito Terapêutico/Tóxico

Riboflavina (vitamina B2) + Probenecida

Observações: N.D.
Interações: A administração concomitante de Probenecida diminui a absorção de riboflavina; as necessidades de riboflavina estão aumentadas em doentes a tomar probenecida.
 Redutora do efeito Terapêutico/Tóxico
Informe o seu Médico ou Farmacêutico se estiver a tomar ou tiver tomado recentemente outros medicamentos, incluindo medicamentos obtidos sem receita médica (OTC), Produtos de Saúde, Suplementos Alimentares ou Fitoterapêuticos.
Informação revista e atualizada pela equipa técnica do INDICE.EU em: 04 de Julho de 2018