OBSTIPAÇÃO LIBERTE-SE DESSA PRESSÃO!

  Tupam Editores

Atinge milhões de pessoas de ambos os sexos e de todas as idades, podendo causar um grande mal-estar que obrigue os pacientes a procurar ajuda médica.

É difícil definir obstipação, ou "prisão de ventre", como é habitualmente conhecida, pois cada caso é um caso. As pessoas não são iguais, não sendo assim possível estabelecer um padrão de funcionamento intestinal. Na maior parte dos indivíduos saudáveis, a frequência de evacuação é inferior a três vezes por dia e superior a três vezes por semana.

Considera-se que a pessoa sofre da patologia quando a dificuldade em defecar persiste, se esta obriga a um grande esforço, se é necessário recorrer a manobras digitais para ajudar a expulsão das fezes, se ocorre duas ou menos vezes por semana ou ainda se houve uma redução recente do número habitual de evacuações.

Nestes casos as fezes expelidas são duras, secas e fragmentadas, o indivíduo tem a sensação persistente de mal-estar e desconforto no abdómen, enjoo e náuseas, e tem de recorrer com alguma frequência a medicamentos ou clisteres para ajudar na expulsão das fezes.

Com base na duração da sintomatologia a obstipação classifica-se como aguda (quando ocorre pontualmente) ou crónica (quando o ritmo evacuatório se mantém constante há pelo menos dois anos).

Não há idade certa para se sofrer de obstipação. Pode ser-se vítima da condição desde a infância. No entanto, ela é mais frequente com o envelhecimento devido aos factores que lhe estão habitualmente associados.

É principalmente um problema feminino: uma em cada duas mulheres sofre de obstipação crónica. Entre o sexo masculino apenas 10 a 20 por cento sofrem da doença, ao contrário do que se verifica em relação à diarreia.

A obstipação pode ter origem em inúmeras causas: maus hábitos alimentares (ingestão reduzida de legumes, frutas, líquidos e fibras e/ou ingestão excessiva de alimentos que provocam o endurecimento das fezes (queijo e o chocolate, por exemplo), preguiça em defecar, mudança de ambiente e viagens, inactividade física, cansaço físico e mental, depressão nervosa, gravidez, abuso de laxantes, uso de opiáceos (codeína, em alguns xaropes para a tosse), morfina e heroína, moduladores dos canais do cálcio (usados no tratamento da hipertensão arterial e outras doenças cardiovasculares), diuréticos (tornam as fezes mais duras, por perda de água através da urina), medicamentos psiquiátricos (ansiolíticos, calmantes e antidepressivos), antiácidos (com sais de cálcio e/ou alumínio).

O aparecimento da obstipação pode dever-se também a doenças que afectam, secundariamente, o intestino, como, por exemplo, doenças neurológicas – esclerose múltipla, doença de Parkinson, lesões da medula; doenças metabólicas – diabetes, hipotiroidismo, insuficiência renal; doenças próprias do intestino ou do ânus, como é o caso de inflamação, zonas de estenose (aperto) no intestino, tumores, fissura anal e outras.

Todavia, é frequente não se encontrar nenhuma destas causas, estando, então, a obstipação relacionada com o funcionamento lento do intestino (sem causa identificável).

Obstipação

Uma avaliação detalhada das queixas do doente e um exame médico completo podem fornecer dados importantes para esclarecer a situação e estabelecer o tratamento mais adequado.

O exame proctológico (ano-rectal) é rápido, praticamente indolor e não deve ser recusado. Pode ser necessário também análises sanguíneas ou outros exames como clister opaco, colonoscopia e, em casos seleccionados, medições do tempo do trânsito intestinal, defecografia ou manometria ano-rectal.

Orientações para ultrapassar o problema

Tanto o tratamento como a prevenção da doença passam essencialmente pela alteração dos hábitos de vida. Pode começar pela prática de exercício físico com regularidade, como andar a pé, correr ou praticar ginástica. Não é sem razão que as pessoas sedentárias e as acamadas por longos períodos de tempo sofrem mais de obstipação.

Deve tentar-se adoptar horários diários regulares para defecar, de preferência após a refeição.

A água é um componente essencial para todos os tecidos do organismo, participando nos processos de digestão, absorção e excreção. Assim, a ingestão de líquidos é outro dos factores importantes para solucionar o problema. Devem beber-se pelo menos 8 copos de água por dia, para além de outros líquidos, frios ou quentes.

É igualmente importante conhecer os efeitos secundários da medicação a seguir, pois muitos medicamentos usados no dia-a-dia provocam obstipação, como é o caso dos antidepressivos.

Quando o objectivo é melhorar o funcionamento intestinal, a maior pressão irá incidir sobre a alteração dos hábitos alimentares. Deve aumentar-se a ingestão de cereais integrais em grão ou transformados na forma de pão (de mistura, integral ou outros cereais como centeio, aveia, pão do coração, da saúde, etc).

Vegetais

Optar por introduzir na dieta diária alimentos ricos em fibras vegetais (feijão verde, nabiças, couves, ervilhas, cenoura, favas, leguminosas secas). De preferência devem consumir-se crus, cozidos ou em saladas em duas a três porções por dia. A ingestão destes alimentos deve ser feita de forma gradual para evitar aumento do meteorismo (gás no abdómen).

As frutas devem igualmente ser ingeridas cruas, com casca, inteiras e não muito maduras. As mais adequadas são o quivi, morangos, laranjas, peras e ameixas. As maçãs, como são adstringentes, podem ser consumidas cozidas. Devem incorporar-se igualmente duas ou três porções de fruta por dia.

Alguns frutos secos, como figos e ameixas, também são muito utilizados para o tratamento da obstipação. As ameixas secas possuem uma substância que estimula os músculos da parede do intestino grosso, desencadeando um aumento da actividade do cólon e a consequente aceleração do trânsito das fezes. Devem colocar-se as ameixas secas (três a quatro) de molho durante a noite e, na manhã seguinte, ainda em jejum, ingerir tanto os frutos como a água.

As sementes de linho (linhaça) também podem ser adicionadas às sopas, cereais com leite, sumos de fruta, etc.

Outro alimento benéfico na obstipação é o azeite por possuir um efeito lubrificante, que favorece o movimento intestinal. A melhor opção é o azeite de oliveira virgem pois na dieta o aporte de gordura deve ser principalmente de ácidos gordos monoinsaturados.

O consumo regular de iogurtes ou outros produtos lácteos acidificados também é aconselhável na medida em que estes possuem a especial particularidade de estimular o movimento intestinal e melhorar as secreções intestinais. A flora intestinal actua como mecanismo de defesa protegendo o corpo e, neste processo, os probióticos e prebióticos – também conhecidos como alimentos funcionais – são nossos aliados.

Iogurtes

Os probióticos (a palavra deriva do grego e significa pró-vida) são microorganismos vivos adicionados aos alimentos. Entre os mais conhecidos estão as bactérias Bifidobacterium e Lactobacillus, em especial a Lactobacillus acidophillus.

Estes microorganismos aumentam de forma significativa o valor nutritivo e terapêutico dos alimentos através do aumento dos níveis de vitaminas do complexo B e aminoácidos, e do aumento da absorção do cálcio e ferro, fortalecendo o sistema imunológico.

Além disso, auxiliam na redução da pressão arterial, dos níveis de colesterol, melhoram quadros alérgicos alimentares e a intolerância à lactose e produzem antibióticos naturais. Os antibióticos, ao serem absorvidos pela corrente sanguínea, combatem infecções existentes em todo o corpo e não só nos intestinos, possuindo também actividade anticancerígena.

Para além da sua presença no iogurte, queijo fresco e leites fermentados existem também na forma de pó ou cápsulas.

Os prebióticos são substâncias que derivam de fibras alimentares, ou seja, de hidratos de carbono não digeríveis pelo organismo, possuindo uma configuração molecular que os torna resistentes à acção das enzimas. As bactérias benéficas do intestino utilizam estes prebióticos para a sua multiplicação e crescimento, aumentando a protecção do organismo contra as substâncias patogénicas.

Além da manutenção da flora intestinal saudável, os prebióticos estimulam a motilidade intestinal (funcionamento intestinal adequado), melhoram a consistência das fezes, prevenindo tanto a obstipação como a diarreia, e facilitam a eliminação e o excesso de glicose, colesterol e de substâncias tóxicas. Alguns exemplos são a inulina (alho, cebola, chicória), os fruto-oligossacarídeos-FOS (banana, mel, cevada), os galacto-oligossacarídeos, a lactulose, a rafinose e a estaquiose.

Pelas razáes expostas, a ingestão de alimentos deste tipo deve ser estimulada como complemento de uma alimentação equilibrada e saudável.

Opções terapêuticas

O tratamento inicia-se sempre com medidas não farmacológicas mas, se estas não forem suficientes, deve recorrer-se à terapêutica com laxantes. Esta deverá ser sempre uma medida temporária e de duração inferior a duas semanas. Quando se pretende obter resultados matinais, estes deverão ser tomados à noite, acompanhados de um ou dois copos de água.

Existem actualmente várias opções terapêuticas. Os laxantes de primeira escolha devem ser os Laxantes expansores de volume fecal.

Estes fármacos reproduzem um mecanismo semelhante ao fisiológico, retêm a água, aumentam o volume das fezes e diminuem a sua consistência, facilitando a evacuação – por exemplo, os medicamentos à base de sementes de ispaghula, farelo de trigo e plantago ovata.

Os Laxantes osmóticos ou salinos são substâncias que o intestino não absorve. Actuam por retenção de água, ou seja, "extraem" a água dos vasos sanguíneos da parede do intestino. Neste grupo enquadram-se os sais de magnésio, os açúcares e álcoois não-absorvíveis, e a lactulose.

Os Laxantes de contacto actuam por irritação da mucosa, que promove o peristaltismo (movimentos intestinais) fazendo com que esta se movimente e expulse o bolo fecal. Os extractos de sene, ruibarbo, cascara sagrada e óleo de rícino são exemplos deste tipo de medicamentos.

A sua utilização diária não é recomendada pois. De um modo geral, causam cólicas abdominais e perda de fluidos, não sendo por isso uma boa opção quando se está perante dor abdominal, náuseas e vómitos.

Os Laxantes emolientes ou lubrificantes facilitam o deslizamento do bolo fecal através do intestino, podendo interferir na absorção dos alimentos. Devem ser usados durante curtos períodos de tempo (inferiores a uma semana). São os mais indicados para doentes que não devem fazer esforço para defecar (hipertensos, com doenças cardiovasculares, recentemente operados, entre outras patologias).

A obstipação pode ser tratada e a solução está ao alcance de todos. Apesar de ser uma condição que afecta milhões de pessoas, ainda é assunto tabu. Este facto acaba por levantar dúvidas e criar mitos que convém esclarecer para melhor ultrapassar o problema.

Alguns mitos e verdades que podem ajudar os pacientes

Mitos

Quem não evacua todos os dias sofre de obstipação – Ir à casa de banho uma vez em dois dias é normal. O problema começa quando o intervalo entre as evacuações aumenta até aos três dias ou mais.

Os homens não sofrem de obstipação – Apesar de ser mais comum nas mulheres, cerca de um terço dos homens tem problemas de prisão de ventre. E a prevalência e a gravidade aumentam proporcionalmente ao envelhecimento.

Verdades

Mulheres grávidas estão mais susceptíveis ao problema – A obstipação é realmente muito comum entre as mulheres grávidas. As hormonas libertadas durante a gravidez são as responsáveis por este efeito colateral. Elas impedem a contracção muscular do útero afectando também os músculos do intestino grosso. Os movimentos peristálticos, facilitadores da evacuação, ficam mais lentos, o que desencadeia a prisão de ventre.

O mau funcionamento intestinal provoca mau humor – Se o intestino não está equilibrado, a produção de serotonina torna-se insuficiente. Algumas pessoas com obstipação podem demonstrar mais irritabilidade e mau humor.

Definitivamente, os hábitos alimentares condicionam a saúde. Optar por uma alimentação equilibrada é prevenir, diminuindo o risco de um conjunto de patologias associadas a uma alimentação incorrecta, como a obesidade, diabetes, doenças cardiovasculares, obstipação, entre outras, e é o caminho mais fácil e seguro para se sentir bem.

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Etimologicamente telemedicina (tele, prefixo grego de distância + medicina, do latim medicinae, remédio) entende-se como a realização de atos médicos à distância.

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É simplesmente a bebida mais consumida no mundo, a seguir à água, não só pelo seu aroma apelativo aos sentidos e sabor caraterístico, como também pelos seus efeitos estimulantes.
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