CONSTIPAÇÃO, GRIPE E TOSSE, TRATAMENTO E CUIDADOS

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CONSTIPAÇÃO, GRIPE E TOSSE, TRATAMENTO E CUIDADOS

  Tupam Editores

Nariz entupido, dores de cabeça e garganta, acompanhadas por espirros e tosse: será constipação ou uma gripe? Apesar de doenças distintas, a semelhança da sintomatologia faz com que a constipação e a gripe sejam frequentemente confundidas, e até mal diagnosticadas.

Na verdade a constipação é a mais frequente de todas as doenças. Segundo dados estatísticos, o número de casos de constipação em todo o mundo ascende a 12 biliões por ano. Enquanto os adultos tendem a constipar-se duas a cinco vezes por ano, as crianças podem contrair a doença quatro a oito vezes no mesmo período de tempo. A diferença reside no facto destas se encontrarem expostas a inúmeros vírus diferentes para os quais ainda não possuem defesas. Já os adultos vão adquirindo imunidade contra as várias estirpes responsáveis pela doença, que se vai tornando cada vez menos frequente com o passar do tempo.

A constipação é tipicamente frequente no outono e inverno nas regiões de climas frios, porque, tanto o frio como as bruscas descidas da temperatura ambiental, perturbam a eliminação das partículas e microrganismos que se vão depositando na mucosa das vias respiratórias, favorecendo o estabelecimento de colónias de vírus e o desenvolvimento.

A incidência da gripe também é muito elevada. As epidemias anuais de gripe resultam em três a cinco milhões de casos de doença grave todos os anos a nível mundial. Embora possa surgir em qualquer época do ano, tal como as constipações, é também muito mais frequente no inverno e nas regiões frias.

É um facto que tanto as constipações como as gripes são causadas por vírus respiratórios, mas de diferentes estirpes. A constipação comum, por vezes designada por infeção "gripal", pode ser causada por mais de 200 vírus, identificados até ao momento. O vírus da gripe pertence à família orthomyxoviridae (do gr. orthos, posicionado na vertical e myxo, ou muco). Nesta família incluem-se os vírus influenza dos tipos A, B e C.

influenza virus

Apenas os vírus A e B causam doença com impacto significativo na saúde humana, sendo os principais causadores das cíclicas epidemias anuais. O influenza A é essencialmente um vírus das aves que se adapta ocasionalmente aos humanos podendo causar pandemias e propagar-se a todo o mundo.

Os vírus B e C infetam apenas humanos. O influenza B é responsável por surtos localizados em pequenas comunidades como escolas, por exemplo, e o tipo C causa uma gripe ligeira, estando por isso menos estudado.

Os vírus da constipação e da gripe são altamente contagiosos, podendo ser transmitidos pessoa-a-pessoa através do contacto direto ou pela respiração, inalação de gotículas em suspensão, pelo toque em superfícies contaminadas ou ambientes fechados onde os germes estejam presentes.

Os vírus da gripe são mais graves que os da constipação, produzindo uma maior e mais extensa invasão das células do aparelho respiratório, podendo a gripe vir a transformar-se numa doença potencialmente fatal, especialmente nos grupos de risco.

Tal como nas restantes doenças, o diagnóstico precoce é a chave para que o estado de saúde não se agrave. Geralmente o diagnóstico destas patologias é estabelecido com base nos sinais e sintomas apresentados, relevando daí a importância de os conhecer bem a fim de estabelecer as diferenças.

A constipação

Experiência de febre rara e caso exista, suave; raramente causa dores de cabeça; por vezes causa dores ligeiras no corpo; fadiga ligeira; é pouco comum a exaustão extrema; nariz entupido é comum; espirros frequentes; garganta inchada; desconforto peitoral moderado; no máximo, pode levar a sinusite, congestão dos seios nasais ou a dores de ouvidos.

A gripe

Sempre acompanhada de febre alta; dores de cabeça proeminentes; dores severas corporais e das articulações; fadiga e cansaço que pode durar até três semanas; sensação de exaustão nos primeiros dias; rara experiência de nariz entupido; rara ocorrência de espirros; garganta inchada é pouco comum; desconforto peitoral severo; pode evoluir para bronquite ou pneumonia, ambas perigosas e potencialmente fatais.

flu

No entanto, o fator determinante para distinguir a constipação de uma gripe é o tempo que o vírus permanece no organismo. Uma constipação não deve durar mais de uma semana, com os sintomas mais severos no início, podendo no entanto manter-se até três semanas.

O rápido diagnóstico da doença é decisivo no tratamento, devendo ser individualizado e prescrito por especialista.

Diferentes formas de tratamento

Como não existe tratamento para curar ou travar a evolução de uma constipação, as medidas adotadas destinam-se a aliviar os sinais e sintomas e prevenir complicações. É recomendável bastante repouso, evitando exposição ao frio, a alterações bruscas de temperatura e correntes de ar, aumentar a ingestão de líquidos para compensar as perdas através das secreções nasais e pela subida da temperatura corporal.

Para baixar a temperatura deve administrar-se analgésicos e anti-inflamatórios. Em caso de obstrução nasal significativa, são aconselháveis anti-histamínicos, pois o uso de gotas ou sprays contendo vasoconstritores é contra-indicado por mais de três dias.

Quando se verificar perda de apetite ou dificuldade na ingestão de alimentos, como é frequente nas crianças, é aconselhável seguir uma dieta à base de alimentos ligeiros, ou até exclusivamente à base de sumos de frutas.

É importante ter em conta que os antibióticos não são eficazes no tratamento de infeções virais. Eles não curam nem aliviam os sintomas da constipação, podendo até a sua utilização indevida tornar-se prejudicial.

Ainda não existem medicamentos que atuem especificamente contra os vírus que originam a gripe. Por isso, tal como na constipação, o tratamento visa essencialmente aliviar os sinais e sintomas e prevenir as complicações. Basicamente, consiste em bastante repouso, ingestão abundante de líquidos, sobretudo água, chá fraco e sumos de frutas a par de uma dieta ligeira, mas equilibrada, durante o tempo em que persistirem os sintomas.

Ao longo deste período de tempo, o doente deve permanecer convenientemente abrigado, não se expor a descidas bruscas da temperatura ambiente e procurar manter o seu meio quente e húmido. Pode, por exemplo, colocar-se um recipiente com água quente ou em ebulição constante no quarto, para suavizar a tosse e facilitar a expulsão das secreções.

Ao mesmo tempo, se necessário, podem administrar-se medicamentos antipiréticos, de modo a fazer baixar a temperatura do corpo. Os medicamentos antivirais são igualmente úteis no tratamento da gripe. Já há alguns anos no mercado, os antivirais atuam impedindo a replicação do vírus no hospedeiro.

Se tomados antes da infeção, ou até aproximadamente dois dias após o início dos sintomas, os antivirais ainda podem ajudar a evitá-la. Em caso de já estar estabelecida, um tratamento antiviral efetuado precocemente no percurso da doença, pode ainda assim reduzir a duração dos sintomas em um a dois dias.

Durante muitos anos a amantadina e a rimantadina foram os únicos antivirais utilizados contra a gripe. No entanto, só atuavam eficazmente contra o tipo A do vírus influenza e por vezes estavam associados a efeitos adversos. Mais recentemente, foi desenvolvida uma nova classe de antivirais inibidores de neuraminidase (proteína à superfície do vírus responsável pela sua propagação no organismo) o zanamivir e o oseltamivir (conhecido por Tamiflu) que tem a vantagem de, para além de combater o vírus A, tratar a doença causada pelo tipo B do vírus influenza.

A gripe por si só não é considerada uma doença fatal. Pode, no entanto, tornar-se mais prejudicial e perigosa se o paciente já sofrer de outras doenças.

Situações especiais

As pessoas mais susceptíveis de sofrer consequências fatais da gripe são considerados como parte do grupo de risco da gripe.

Fazem parte dos grupos de risco as pessoas com mais de 65 anos ou menos de cinco. No primeiro caso, o organismo já se tornou mais frágil devido à idade e o sistema imunitário já não é suficientemente forte para repelir o vírus; no segundo caso, o corpo e o sistema imunitário ainda não estão suficientemente desenvolvidos.

grupos de risco gripe

Incluem-se igualmente nos grupos de risco as pessoas com o sistema imunitário fragilizado, como os doentes com VIH ou SIDA; pessoas sujeitas a tratamentos de quimioterapia, que enfraquece as defesas do organismo; mulheres grávidas que podem não ter um sistema imunitário suficientemente forte para lidar com complicações potencialmente perigosas para si própria e para o bebé e ainda os que já sofrem de condições de saúde graves antes de contraírem a gripe.

Se o corpo está ocupado a combater uma doença pré-existente, a gripe pode torná-lo mais vulnerável. Algumas das condições potenciadoras dos riscos de gripe são as doenças crónicas como a asma, cancro, diabetes, doença cardíaca, doença renal, doenças neurológicas e musculares.

Para além destas, existem outras pessoas com elevado risco de gripe que não têm necessariamente outras condições médicas pré-diagnosticadas, como as que partilham o espaço com doentes infetados ou animais, como por exemplo os profissionais de saúde ou agricultores. As pessoas integradas nesta categoria devem ter cuidados especiais de forma a diminuir as probabilidades de contrair a doença.

Cuidados para prevenir

A principal medida preventiva contra a gripe é a vacinação. Esta é também a melhor forma de reduzir o impacto das epidemias.

As vacinas contra a gripe, usadas há já mais de 60 anos, são hoje disponibilizadas pelo SNS. São seguras e eficazes, mas até ao momento ainda não foi possível criar uma vacina antigripal "universal", que proteja de forma permanente contra todos os tipos e subtipos de vírus da gripe. Devido às periódicas alterações de algumas características da sua estrutura, estes vírus surpreendem e ludibriam o sistema defensivo do ser humano, impedindo assim a obtenção de uma vacina única e eficaz que proteja o organismo para toda a vida. Por isso é necessário desenvolver, todos os anos, uma nova vacina adaptada às mutações dos vírus.

vacina gripe

Pelo exposto, a administração da vacina é particularmente recomendada para os grupos de risco. Para além da vacinação, essas pessoas devem usar outras medidas de prevenção do contágio, como, lavar as mãos com frequência após contactado com outras pessoas ou superfícies que possam estar contaminadas; evitar tocar nos olhos, boca ou nariz a fim de evitar a transmissão de vírus que eventualmente transporte nas mãos; limitar o contacto com pessoas constipadas ou com gripe, evitando assim a transmissão da doença; não fumar, pois o fumo provoca danos nas mucosas e promove o desenvolvimento de um meio favorável à proliferação de vírus responsáveis pela patologia; reduzir o nível de stress, pois este fragiliza as defesas naturais contra os germes mais frequentes.

As "novas" gripes

Para além de constituir uma séria ameaça à saúde pública, a gripe numa comunidade resulta habitualmente no incremento do absentismo laboral, hospitalizações motivadas por doenças respiratórias e mortes causadas pela gripe e suas complicações.

Recentemente, em diferentes regiões do mundo, dois novos vírus respiratórios mutantes têm vindo a captar a atenção das autoridades globais de saúde um novo coronavírus, no Médio Oriente, e uma nova estirpe de gripe aviária (H7N9), na China. O vírus MERS-CoV, ou Coronavírus da Síndrome Respiratória do Médio Oriente, é da mesma família viral da SARS, que protagonizou o surto de síndrome respiratória aguda grave que em 2003 matou quase 800 pessoas, sobretudo na Ásia.

Segundo a mais recente atualização da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre o número de pessoas infetadas, desde Setembro de 2012 foram confirmados na Europa e no Médio Oriente 33 casos, dos quais 18 já morreram. Os primeiros casos foram detetados na Arábia Saudita e Jordânia, espalhando-se posteriormente pela Alemanha, Reino Unido e França.

O novo coronavírus causa pneumonia e provoca falência renal rápida, podendo ser contraído por pessoas ou animais. A sintomatologia inclui febre, tosse, dificuldades respiraratórias e falta de ar e, pelo que se sabe, manifesta-se dez dias após contrair a doença.

Esta nova estirpe do coronavírus está mais próxima do tipo encontrado nos morcegos, que são até agora a potencial fonte primária do novo surto pelo que se tem aconselhado precaução no contacto com animais. No entanto, a OMS acredita que o novo coronavírus possa ser transmitido entre humanos caso haja um contacto próximo com pessoa infetada.

influenza virus research

Em Xangai e Hong Kong os cientistas mostram-se também muito preocupados com a descoberta de que a nova estirpe do vírus da gripe H7N9, que já provocou 37 mortos na China, mostrou, pela primeira vez, resistência ao Tamiflu.

O problema, que já era preocupante como cenário hipotético, na sequência dos primeiros estudos genéticos do vírus, foi agora confirmado pela primeira vez em casos clínicos reais. Por ser considerado um problema sério, a Roche Farmacêutica prontificou-se a colaborar com as autoridades médicas mundiais, para acompanhar a situação.

Não restam dúvidas de que a circulação do vírus, que possui como uma das principais características a constante mutação, vai continuar a produzir sérios abalos na saúde global. Por esta razão o estudo da gripe é, definitivamente, obrigatório e deve fazer parte do vasto elenco de doenças de cuidados comunitários prioritários.

Ver mais:
GRIPE
GRIPE A [H1N1]
GRIPE DAS AVES - ESTAREMOS PREPARADOS PARA UMA PANDEMIA?
GRIPE, A AMEAÇA SAZONAL


ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
13 de Dezembro de 2019

Referências Externas:

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