OBESIDADE, DOENÇA OU DESLEIXO

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OBESIDADE, DOENÇA OU DESLEIXO

  Tupam Editores

Desde a década de 80 que o mundo enfrenta um dos mais graves problemas de saúde pública, a obesidade, já classificada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a pandemia do século XXI.

Desde essa data, a sua prevalência triplicou, em muitos países europeus, aumentando, consequentemente, os gastos governamentais com a saúde.

A obesidade é definida pelos especialistas "como um desequilíbrio entre a ingestão e o gasto de energia, em que o excesso de energia consumido leva a um aumento de gordura corporal." Existem várias formas de a calcular, mas as mais comuns são o Índice de Massa Corporal (IMC) – o peso do indivíduo/(altura) x a (altura) – e o perímetro da Cintura – em que se mede com uma fita métrica no ponto médio entre o rebordo inferior da costela e a crista ilíaca.

O IMC não fornece, contudo, informação sobre a distribuição da gordura pelo organismo, sendo esta uma informação muito importante, pois o excesso de gordura abdominal eleva o risco de desenvolvimento de complicações relacionadas com a obesidade.

Isto significa que se o perímetro da cintura nos homens for superior a 94-102 cm e nas mulheres ultrapassar 80-88 cm, mesmo que o seus IMC estejam dentro dos parâmetros, estes correm risco.

Se as estatísticas actuais são alarmantes, uma vez que cerca de 20% da população europeia é obesa, o futuro apresenta-se negro porque esta tendência é ascendente, estimando-se que dentro de 10 anos esta doença afecte metade da população mundial.

Na origem deste aumento estão, não apenas os factores hormonais e genéticos, como também factores comportamentais que, sendo os mais frequentes, estão associados à mudança do estilo de vida e dos hábitos alimentares.

A evolução científica tornou a vida do Homem mais cómoda. Actualmente, somos mais sedentários, pois utilizamos o elevador, andamos de automóvel e recorremos aos controles remotos. Substituímos, cada vez mais, a dieta mediterrânica, a slow food, pela dieta das embalagens, pela fast food que corre ao nosso ritmo de vida.

No mercado são, cada vez mais, colocados à disposição do consumidor, alimentos industrializados ricos em carboidratos e gorduras polinsaturadas, que nos matam lentamente.

Todos estes factores levam a que o nosso consumo calórico seja inferior ao ingerido.

As consequências da obesidade são muito graves, contribuindo para o aumento das doenças cardíacas, das complicações metabólicas – diabetes, gota, hiperlipidémia – das pulmonares, de alguns tipos de cancro – a nível do aparelho gastrointestinal e genito-urinário – da osteoporose, de hérnias, entre outros.

Para além das consequências físicas, a obesidade pode levar à depressão e a uma baixa auto-estima, uma vez que a sociedade, erradamente, tende a discriminar estes indivíduos. Porém, não são só os adultos que sofrem as consequências desta doença. A prevalência está a aumentar também entre as camadas infantis.

Actualmente, existem já 45 milhões de crianças com excesso de peso. A estes números, juntam-se mais 400 mil, todos os anos, que passam este patamar e se tornam obesas.

As causas deste aumento são semelhantes às dos adultos: ao hambúrguer e às batatas fritas, ingeridos nas refeições principais, juntam-se os lanches com snacks, chocolates e as pipocas em doses industriais.

As corridas no pátio e jardins, foram substituídas pelos jogos de computador e pela televisão, tornando as crianças fisicamente inactivas.

Obesidade, Doença ou Desleixo

Tal como se afirma no documento que resume a Conferência Ministerial de Luta contra a Obesidade em 2006, "a raiz do problema está na rápida transição social, acompanhando a transição epidemiológica e nutricional. O peso ambiental tem sido considerado responsável pelo desequilíbrio energético, onde se assiste a uma dramática evolução, como as mudanças nos padrões alimentares".

Para que se possa controlar esta epidemia, a população tem de recuperar os hábitos alimentares dos seus avós, ricas em fruta, legumes, peixe e azeite, e voltar a mexer-se, a ir ao ginásio ou caminhar, especialmente as crianças.

O combate à obesidade, sobretudo à infantil, tem de ser multi-sectorial, mas o exemplo tem sempre de partir de casa. Como afirma a Dra. Ana Rito, presidente do Centro de Investigação Online do Instituto Superior Bissaya Barreto, "os pais que jantam batatas fritas e salsichas, não vão conseguir que a criança vá comer um arroz de carnes".

A mesma profissional afirmou ainda que obesidade rima com pobreza, chamando a atenção para a gravidade da situação nas classes economicamente mais débeis, uma vez que estão menos informadas sobre o significado de alimentação saudável e pensam, assim, que este tipo de alimentação é mais dispendiosa.

Um outro factor desfavorável da obesidade está relacionada com o peso dos custos do diagnóstico, do tratamento e controlo nos sistemas de saúde. Apesar de ainda não se ter estudado este assunto, em muitos países "é seguro afirmar que 2-8% dos custos com a Saúde, nos países ocidentais é atribuído à obesidade".

Em Portugal

Segundo dados da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, 37% da população tem excesso de peso e 14,5% é obesa.

No que diz respeito à infância, Portugal é um dos cinco países da União com uma maior prevalência de obesidade infantil, com 10% das crianças a sofrerem de obesidade e 30% de excesso de peso.

Esta doença custa anualmente aos contribuintes portugueses, 235 milhões de euros. Deste modo, para combater esta epidemia, o Ministério da Saúde lançou, este mês, a Plataforma Contra a Obesidade. Segundo aquele organismo, "tornam-se necessárias acções de grande impacto mediático para alertar a população para a gravidade do problema, sendo também essencial encontrar e disponibilizar soluções, ao nível dos cuidados primários e hospitalares".

Com esta iniciativa, o governo tem como objectivo diminuir a incidência das doenças associadas à obesidade. Neste âmbito, e em colaboração com os ministérios da Saúde, da Educação, da Economia, da Agricultura, com a Associação Nacional de Municípios Portugueses e com associações da sociedade civil, este irá desenvolver acções que envolvem a tradução e divulgação da Carta Europeia de Combate à Obesidade e a edição da Carta Portuguesa, a aprovação de uma proposta de lei para controlar o perfil nutricional da comida produzida pela indústria alimentar, a criação de um módulo apropriado de aconselhamento no Centro de Atendimento Telefónico do Serviço Nacional de Saúde.

Alguns centros de saúde irão ter à disposição dos utentes, a título experimental, consultas com médicos, nutricionistas, fisiologistas, psicólogos e enfermeiros.

Já a nível municipal, prevê-se a criação de gabinetes "com competências em matéria de alimentação que supervisionem a alimentação pré-escolar e escolar" e que estes adoptem medidas a nível do urbanismo que estimulem a actividade física.

A nível da restauração, um outro dos objectivos é a criação de menus saudáveis, tal como actualmente existem os menus turísticos, atribuindo prémios anuais aos restaurantes que os adoptem.

Prevê-se, igualmente, a criação do observatório para a obesidade infantil, a partir de Julho de 2007, de modo a "assegurar a medição, evolução e tendência do excesso de peso e obesidade, sobretudo a infantil".

O director-geral da Saúde defendeu que "o tratamento da obesidade é difícil e complexo, por isso temos de evitar que as pessoas cheguem a esse estado, adoptando medidas de prevenção primária e secundária e identificando os desvios numa fase muito inicial", reiterando ainda que "a prevenção terá de ser um processo muito baseado em iniciativas de intervenção primária, desde o nascimento, promovendo hábitos alimentares saudáveis e exercícios de lazer não sedentários".

Se ao longo dos séculos, muitas das vezes, a gordura foi formosura, o mundo está cada vez mais consciente de que não o é, podendo tornar-se numa caminhada para a degradação da qualidade de vida e para a morte – apesar de ainda hoje o peso ideal depender, em certos locais, de critérios culturais.

A prevenção é, sem dúvida, o melhor remédio. E como diz o provérbio, "comer bem e bem mexer, dá saúde e faz crescer".

Ver mais:
ADOLESCENTES GORDOS
OBESIDADE MÓRBIDA A EPIDEMIA DO SÉCULO XXI


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Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
29 de Junho de 2017

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