VIVA O DESPORTO

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VIVA O DESPORTO

  Tupam Editores

Segundo a OMS, saúde é "um estado completo de bem-estar físico, social e mental, e não apenas a ausência de doença ou enfermidade".

Falar em saúde implica falar de desporto, visto a actividade física ter repercussões não só no organismo (bem-estar físico) e na saúde mental, mas também no envolvimento social do indivíduo.

Os benefícios do exercício físico são há muito conhecidos. Já na Grécia antiga se considerava que os desportos constituíam uma excelente oportunidade para melhorar a condição física e uma desculpa lúdica para os naturais impulsos competitivos do ser humano, o que levou os gregos a criar os jogos olímpicos.

Os romanos, que também promoviam as actividades desportivas, tornaram célebre a frase mens sana in corpore sano, ou seja, "mente sã em corpo são", que mostra bem a filosofia de vida e a importância que esta civilização atribuía ao exercício físico como condição para manter a boa saúde física e mental.

Milhares de anos mais tarde, os cientistas do nosso tempo confirmam que a realização de desporto favorece o desenvolvimento harmonioso do corpo, previne vários tipos de doenças e contribui para a estabilidade emocional e a integração social dos indivíduos.

O desporto, enquanto actividade colectiva, está hoje sujeito a regulamentos visando geralmente a competição entre os praticantes.

Pode definir-se ainda como um fenómeno sócio-cultural que envolve a prática voluntária de actividade predominantemente física competitiva com finalidade recreativa ou profissional, ou predominantemente física não competitiva com finalidade de lazer, contribuindo para a formação, desenvolvimento físico, intelectual e psíquico dos elementos que o praticam.

A actividade física adequada e o desporto constituem um dos pilares para um estilo de vida saudável, juntamente com uma alimentação equilibrada, vida sem tabaco e outras substâncias nefastas à saúde.

Durante o século XX ocorreu uma significativa redução da frequência e intensidade de actividade física na vida dos seres humanos.

Os eventos tecnológicos recentes proporcionaram grandes facilidades ao nosso trabalho e modo de viver. Graças à electrificação, mecanização e automatização, poupamos hoje cerca de um terço da força física em relação às gerações anteriores. Por outro lado, os nossos tempos livres ou passatempos são hoje dominados pela televisão, jogos electrónicos e navegação na internet, o que contribui para o agravamento da falta de trabalho físico e desportivo. Instalou-se o sedentarismo.

Sedentarismo e aumento de doenças passíveis de prevenção

O termo sedentarismo provém do vocábulo latino sedere, que significa "estar sentado", e designa um estilo de vida caracterizado por uma grande inactividade física.

O sedentarismo afecta a vida da pessoa nos mais diversos aspectos, na medida em que são gastas poucas calorias (menos de 2 200 calorias/semana). Além de contribuir para o aumento do stress, provoca a inactividade dos sistemas funcionais. Isto é, o aparelho locomotor, os órgãos e sistemas solicitados durante as diferentes formas de actividade física entram num processo de regressão funcional dos músculos. As fibras musculares atrofiam-se, perdendo-se a flexibilidade articular, além de afectar o comportamento funcional de vários órgãos, facilitando deste modo o aparecimento mais frequente de lesões ou até mesmo doenças.

A prevalência de sedentarismo é mais elevada entre as mulheres, os idosos, indivíduos de grupos sócio-económicos baixos e em pessoas com incapacidade.

É considerado o principal factor de risco para a morte súbita, estando, na maioria das vezes, associado, directa ou indirectamente, às causas ou ao agravamento da grande maioria das doenças que o mundo tem visto alastrar.

O incremento epidémico global das doenças cardiovasculares, cancro, diabetes e doenças respiratórias crónicas está estritamente relacionado com as alterações do estilo de vida, de onde se podem destacar factores como o tabagismo, alimentação pouco saudável e inactividade física.

Estima-se que o sedentarismo provoca cerca de 1 milhão e 900 mil mortes a nível mundial, para além de ser responsável por 10 a 16 por cento dos casos do cancro da mama, cólon e recto, assim como da diabetes mellitus, e de cerca de 22 por cento da doença cardíaca isquémica.

O risco de doença cardiovascular aumenta 1,5 vezes nos indivíduos que não praticam a actividade física recomendada. Em todo o mundo mais de 60 por cento dos adultos não realizam os níveis suficientes de actividade física que proporcionem benefícios para a sua saúde.

Benefícios do desporto

Os benefícios do desporto para a saúde são conseguidos através da prática diária de, pelo menos, 30 minutos de actividade física cumulativa moderada. Esse nível pode ser atingido através de exercícios físicos agradáveis e de movimentos do corpo no dia-a-dia, como, por exemplo, caminhar para o trabalho, subir escadas, jardinagem, dançar, entre muitos outros desportos recreativos.

As vantagens da actividade física regular para a saúde são inúmeras, tanto a nível físico como psicológico.

bicicletas

A nível físico a prática de desporto reduz o risco de morte prematura e de doenças cardiovasculares (enfarte do miocárdio, angina de peito, AVC), responsáveis por 30 por cento de todas as causas de morte.

Reduz também o risco de desenvolvimento de doenças cardíacas, cancro do cólon e diabetes de tipo 2, previne e reduz a hipertensão, doença que afecta 20 por cento da população adulta mundial, e ajuda a controlar o peso, diminuindo o risco de obesidade.

No que respeita à composição sanguínea, a melhoria do perfil lipídico também é notória, verificando-se uma redução do colesterol total, do LDL (colesterol mau) e dos triglicéridos, e uma aumento do HDL (colesterol bom).

Ajuda igualmente a prevenir e a atenuar a osteoporose, reduzindo o risco de fractura do colo do fémur nas mulheres; reduz o risco potencial de desenvolver dores lombares assim como no tratamento de manutenção de situações dolorosas, nomeadamente dos joelhos; contribui para o crescimento e manutenção da massa óssea, músculos e articulações saudáveis e ajuda a prevenir comportamentos de risco (como o tabagismo, alcoolismo, toxicofilias, alimentação não saudável e violência) principalmente entre as crianças e adolescentes.

Os benefícios do exercício físico moderado e regular sentem-se também a nível da nossa capacidade imunológica, na protecção contra as infecções em geral, na prevenção de alguns tipos de cancro e no retardamento da evolução da Sida.

A nível psicológico o exercício físico produz melhorias significativas no bem-estar físico e mental dos indivíduos, devido à libertação de endorfinas, pois tem uma relação causa-efeito nas alterações da auto-estima dos adultos, reduz a ansiedade e a depressão, a tensão e o stress, aumenta a energia para lidar com as necessidades do dia-a-dia, assim como o vigor mental.

Estima-se que cerca de 25 por cento da população sofram de depressão, ansiedade e distúrbios emocionais. A actividade física, num envolvimento natural, pode ser uma excelente ajuda para estas pessoas.

Às pessoas com capacidades reduzidas devem ser disponibilizadas oportunidades e suporte para poderem também praticar desporto e exercício físico adaptado às suas condições específicas.

O objectivo é ajudar estas pessoas a melhorar a sua força muscular, o seu bem-estar psicológico e a sua qualidade de vida, aumentando a possibilidade de poder praticar exercício físico diariamente.

A melhoria do nosso estado de saúde tem uma influência determinante na nossa qualidade de vida.

Mais de metade dos portugueses nunca pratica desporto

Desporto não é com os portugueses! Não há dúvida de que somos um país de sedentários. Existem vários estudos e relatórios que provam este facto, de que não nos podemos orgulhar.

Um desses estudos, divulgado recentemente em Bruxelas pela comissão Europeia, revelou que 55 por cento dos portugueses nunca praticam desporto, ao passo que a média nos países europeus é de 39 por cento. Este valor representa o terceiro mais elevado da União Europeia.

O inquérito, desenvolvido pelo Eurobarómetro, foi realizado ao longo de 2009 e contou com 27 mil entrevistas a cidadãos de todos os Estados membros, tendo sido Outubro o mês escolhido para Portugal, onde foram inquiridas 1031 pessoas.

O "eurobarómetro sobre desporto e actividade física" revela que, em média, nove por cento dos europeus praticam desporto "regularmente", 31 por cento "com alguma regularidade", 21 por cento "raramente" e 39 por cento "nunca".

No nosso país nove por cento dos inquiridos afirmaram praticar desporto ou fazer exercício com regularidade (pelo menos cinco vezes por semana), 24 por cento pelo menos uma vez por semana, 11 por cento raramente, mas a maioria – os referidos 55 por cento –, admitiu nunca praticar desporto.

actividade física

Entre os 27 países os gregos são considerados os mais preguiçosos: cerca de 67 por cento dos inquiridos revelaram nunca praticar desporto. A seguir surge a Bulgária, com o sedentarismo a atingir 58 por cento dos inquiridos, seguida da Itália, com 55 por cento. Com valor igual ao de Portugal, na Itália apenas três por cento dos cidadãos praticam exercício físico cinco ou mais vezes por semana.

Entre os países mais activos inclui-se a Irlanda, onde cerca de 23 por cento da população praticam desporto cinco vezes por semana ou mais. A Suécia, a Finlândia e a Dinamarca obtêm também valores bastante elevados, praticando exercício físico regular uma a quatro vezes por semana.

No que respeita à diferença entre sexos, verificou-se que os homens praticam mais desporto que as mulheres, sendo a faixa etária dos 15 aos 24 anos a que apresenta uma maior assimetria.

Quando questionados sobre os motivos que impedem a prática de desporto mais regular, a maioria dos portugueses (37 por cento) apontou a falta de tempo, sendo o segundo motivo mais mencionado o facto de ser "demasiado caro" – uma justificação dada apenas por cinco por cento dos europeus, em média.

idosos exercício

Apesar de não estarmos "bem classificados" neste quadro, é animador saber que muitos europeus levam a sério o desporto e a actividade física. No entanto, são necessários esforços extra para encorajar os cidadãos mais inactivos.

Numa sociedade que envelhece, é importante ajudar os cidadãos a permanecer saudáveis e autónomos durante o maior tempo possível.

Desporto, saúde para todos

De um modo geral sabe-se que o desporto é um dos pilares para um estilo de vida saudável, e melhora a saúde em si. Contudo, também pode gerar o aparecimento de alguns problemas, se não houver prevenção.

Para os evitar, antes do início da prática de desporto ou de qualquer tipo de actividade física regular, devem fazer-se alguns exames médicos, principalmente nas pessoas acima dos 35 anos de idade ou com doença coronária, hipertensão arterial, obesidade, asma, bronquite crónica e enfisema pulmonar. Também as pessoas recentemente afectadas por doenças que possam ter provocado uma significativa deterioração da condição física, como a tuberculose ou meningite, e as pessoas dependentes de álcool, tabaco ou outro tipo de drogas devem proceder a exames médicos preventivos.

Entre as crianças, adolescentes e jovens adultos com menos de 35 anos, saudáveis, a consulta médica é sempre recomendada, embora em alguns casos não seja necessário a realização de exames auxiliares de diagnóstico.

Normalmente o médico realiza um pequeno interrogatório e uma revisão física completa, dando especial atenção à pressão arterial e frequência cardíaca, associados a alguns exames complementares simples como um electrocardiograma e análises sanguíneas.

O objectivo dos exames é detectar a eventual presença de problemas não evidentes que limitem a capacidade física do indivíduo, nomeadamente a nível do coração, vasos sanguíneos, pulmões e aparelho locomotor.

A partir do resultado dos exames é importante seleccionar uma actividade física ou desportiva ao gosto, possibilidade e interesses individuais, pois o plano de exercício físico é muito variável, dependendo dos objectivos a atingir.

Importante também é não submeter o corpo a esforços demasiado intensos ou não lhe dar tempo suficiente para a recuperação. Neste caso estaríamos a prejudicar-nos fisicamente e, em vez de evoluirmos, estaríamos a regredir.

A prática exagerada de exercício físico, sem o descanso correspondente, leva àquilo que em desporto se chama "supertreino" e que é, muitas vezes, causa de acidentes e lesões.

Se para o indivíduo a actividade física deve ser um meio de prevenção de doenças, para os governos é um dos métodos com melhor custo-efectividade na promoção da saúde da população.

As despesas com a saúde, ou antes, com a falta dela, representam uma fatia substancial do orçamento do Estado e, por mais caros que sejam, os medicamentos não conseguem tudo. Estas verbas poderiam ser canalizadas para outros fins, como, por exemplo, para a prevenção da doença, criando mecanismos, instrumentos e meios de promoção da actividade física.

Actividade física e saúde são dois vocábulos que andam associados e que levam à necessidade de melhor informar e educar a população acerca da importância da prática regular da actividade física e de uma alimentação saudável, como métodos de prevenção de doenças e melhoria da sua saúde.

Numa tentativa de apelar à consciência de cada um, aqui deixamos uma frase marcante de Edward Derby: "Os que não encontram tempo para o exercício terão de encontrar tempo para as doenças".

Ver mais:
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TERAPIA: MASSAGEM


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