A DIABETES

  Tupam Editores

A diabetes é uma doença metabólica crónica, em que a quantidade de glicose no sangue é muito elevada porque o pâncreas não tem capacidade para produzir insulina ou não a produz em quantidade suficiente por forma a ajudar a glicose a penetrar nas células do corpo – ou a que é produzida não funciona adequadamente, anomalia que é conhecida como resistência à insulina.

Estão identificados dois tipos de diabetes: Tipo 1, que surge geralmente na infância e adolescência, em que o sistema imunológico ataca e destrói as células beta do pâncreas, que são as responsáveis pela produção de insulina, e do Tipo 2, que se desenvolve normalmente na idade adulta, quando o organismo não consegue produzir insulina suficiente ou a que produz não funciona.

O Dia Mundial da Diabetes comemora-se todos os anos, por todo o mundo, a 14 de Novembro, data que também este ano não foi esquecida no nosso país, e que se mantém inalterada para 2017. Trata-se do reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo fisiologista Frederick Banting que, em 1922, assistido por Charles Best isolou a insulina, a hormona chave que permite tratar a diabetes, doença metabólica caraterizada pelo aumento anormal de açúcar no sangue.

diabetes

A data foi introduzida no calendário pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela Federação Internacional da Diabetes (FID) em 1991, com o objetivo de sensibilizar organismos públicos, profissionais da saúde, comunicação social e sociedade civil para uma doença que segundo os dados mais recentes da OMS vitima mais de 4,9 milhões pessoas por ano em todo o mundo, mais que o HIV, malária e tuberculose juntos. É a quarta maior causa de morte nos países desenvolvidos e a principal causa de cegueira, insuficiência renal, problemas cardiovasculares e amputações.

O primeiro relatório mundial da OMS sobre a diabetes, divulgado por altura da celebração do Dia Mundial da Saúde, mostra que o número de adultos que vivem com diabetes quadruplicou desde 1980 para 422 milhões de adultos. Este aumento dramático é em grande parte devido ao aumento da diabetes Tipo 2 e aos fatores que para isso contribuíram, como o excesso de peso e a obesidade. O último relatório divulgado por aquela organização, indica que a diabetes só por si causou 1,5 milhões de mortes em 2012, para além das complicações associadas que podem levar a ataque cardíaco, acidente vascular cerebral, cegueira, insuficiência renal e amputação dos membros inferiores.

Por isso o novo relatório exorta os governos a garantir que as pessoas sejam capazes de fazer escolhas saudáveis e que os sistemas de saúde possam diagnosticar, tratar e cuidar das pessoas com diabetes, incentivando cada um de nós como indivíduo a comer saudavelmente, tornar-se fisicamente ativo, e evitar ganhos excessivos de peso.

No entanto, e apesar de tudo, somente em 2007 a Assembleia Geral da ONU, através da resolução 61/225, passou a considerar a diabetes um problema de saúde pública, o que obrigou os governos a definir políticas de apoio ao doente. Nessa altura foi também adoptado o símbolo global da diabetes, o círculo azul, bem como o lema da campanha de consciencialização a nível mundial: unidos pela diabetes.

simbolo

A combinação do círculo, simbolizando a vida e a saúde, com a cor azul associada ao céu, que une todas as nações, representa a unidade da comunidade global como resposta a uma epidemia que alastra dia a dia. Atualmente são mais de 285 milhões os portadores de diabetes e a FID prevê que, caso a tendência se mantenha, esse número atinja os 435 milhões dentro de 20 anos.

O dia mundial da diabetes, que em 2016 teve como lema "Olhos na diabetes", é parte de uma campanha mundial que já reúne mais de 200 associações em mais de 160 países e que todos os anos apresenta um tema escolhido pela FID, com o objetivo de abordar todos os aspetos inerentes à problemática da diabetes. Este ano o lema teve como objetivo alertar para a necessidade de rastrear as complicações da diabetes, nomeadamente a retinopatia diabética que afeta cerca de um terço das pessoas com diabetes e que pode conduzir à cegueira.

Por cá, os portadores de diabetes já ultrapassam um milhão de pessoas, com idades entre os 20 e 79 anos, o equivalente a cerca de 13% da população, com custos para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), superiores a 50 milhões de euros, estimando-se ainda em mais de 420 mil os casos por diagnosticar.

Entre os vários eventos que todos os anos se realizam em Portugal, como corridas pedestres, congressos, seminários, palestras e atividades públicas de sensibilização através de folhetos e cartazes, vai realizar-se na Albufeira, a partir do dia 10 de março do próximo ano, o 13º Congresso Português de Diabetologia, organizado pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia, que marcará o início das atividades para o resto do ano.

A Sociedade Portuguesa de Diabetologia em parceria com a Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal e a Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo, marcam habitualmente, de forma muito ativa, a agenda das atividades ligadas à problemática da diabetes, através da abordados de todos os aspetos relacionados com a doença, nomeadamente, a alimentação, o pé diabético, hipertensão e dislipidemias, com vista a sensibilizar a população para os vários fatores de risco, para além de realizar eventos desportivos, exposições e distribuição de material informativo.

Até ao momento, não são conhecidos meios de prevenção para a diabetes Tipo 1, embora os fatores ambientais que provocam o processo de destruição das células responsáveis pela produção de insulina estejam a ser investigados. Porém, a diabetes Tipo 2, que ocorre já em idade adulta, pode ser prevenida através da manutenção de um peso normal, alimentação equilibrada e prática de atividade desportiva regular.

diabetes

A diabetes impõe exigências aos seus portadores ao longo de toda a vida. Tal não significa que o paciente diabético, desde que siga os tratamentos adequados, não possa levar uma existência normal. Para os que ainda não conhecem a doença, torna-se necessário saber identificar os fatores de risco associados, assim como as medidas de prevenção e os principais sintomas, de forma a evitar complicações futuras.

Mais de metade dos portadores da doença desconhecem a sua condição; quando a descobrem é muitas vezes tarde demais para evitar as suas sequelas, como a disfunção renal ou até a amputação de membros.

Como surge a diabetes

Grande parte dos alimentos que consumimos é transformada em glicose, uma forma de açúcar utilizado como combustível pelas células para fornecer a energia necessária ao organismo. Ao processo de transformação dos alimentos em energia denomina-se metabolismo, sendo que para metabolizar a glicose adequadamente, o organismo necessita de uma substância chamada insulina. Trata-se de uma hormona produzida pelo pâncreas, uma glândula localizada por debaixo do estômago, cuja função é regular o funcionamento da glicose no organismo, sendo a chave essencial de todo o processo metabólico. A presença de glicose ao longo da corrente sanguínea estimula as células beta do pâncreas a libertar mais insulina.

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Havendo uma deficiência na produção daquela hormona, a glicose não penetra nas células, podendo verificar-se uma carência de nutrientes e acumulação excessiva de açúcar no sangue.

O desafio de todo o diabético é tentar reduzir os níveis de glicose, mantendo uma taxa de glicemia situada no intervalo de 70 a 100 mg/dl
durante o maior tempo possível.

A deficiente produção de insulina pelo pâncreas obriga o doente a administrá-la durante toda a vida por outros meios. É a chamada diabetes mevllitus do Tipo 1 ou insulinodependente, que surge com mais frequência nas crianças e adolescentes, como já referido.

Neste caso, a falta de insulina é absoluta e a sua aplicação é, por enquanto subcutânea, dado que ainda não se descobriu forma oral ou outra que não seja destruída pelos ácidos gástricos do estômago. Este tipo de diabetes é o mais raro e não se consegue controlar apenas através da alteração do estilo de vida ou dos hábitos alimentares, como ocorre com o Tipo 2, no qual o organismo produz insulina, mas não funciona de forma adequada.

A diabetes Tipo 2 afeta mais os adultos, sobretudo, os que têm excesso de peso, antecedentes familiares com a doença, hipertensão, níveis elevados de colesterol no sangue ou ainda quando apresentam problemas no pâncreas ou distúrbios endócrinos. Nestes doentes não é necessário administrar insulina, salvo em raras exceções, nas quais também se podem prescrever medicamentos antidiabéticos orais para controlar a doença.

Porém, na sua maioria, os diabéticos não insulinodependentes, desde que controlem o peso através de uma alimentação adequada e exercício físico, podem não apresentar problemas mais graves com a doença. Este é o tipo de diabetes mais comum, correspondendo a cerca de 90 por cento dos casos.

Há ainda um outro tipo de diabetes, que surge durante a gravidez, a chamada diabetes gestacional, que habitualmente desaparece após o parto. Esta pré-diabetes atinge uma em cada vinte grávidas, sendo suficiente uma alteração na dieta alimentar para o seu controle. Deve no entanto agir-se assim que se detete uma situação de hiperglicemia (elevado valor de açúcar no sangue), de modo a evitar que a diabetes se instale mais tarde no organismo da mulher ou do bebé.

No decurso do tratamento, o doente também pode ver-se confrontado com situações de hipoglicemia ou baixos valores de glicose no sangue. Quando a doença não está controlada, pode surgir a cetoacidose, considerada uma das complicações mais graves da doença, que pode levar ao coma, com um desfecho fatal para o doente se não for tratada convenientemente.

Ocorre mais frequentemente em diabéticos do Tipo 1 e em situações de stress emocional ou físico, associada a uma infeção. Na cetoacidose o açúcar no sangue aumenta e verifica-se a decomposição de células gordas, produzindo-se corpos cetónicos ou ácidos, que dão ao hálito um odor caraterístico semelhante à acetona.

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É necessário estar atento aos primeiros sinais da diabetes, sobretudo quando se trata do Tipo 2, já que esta é mais difícil de detetar, podendo passar despercebida por muito tempo. Pelo contrário, em crianças e jovens os sinais são mais evidentes, como as dores de cabeça, náuseas e vómitos, embora haja outros sintomas comuns nas duas formas de diabetes: urinar com frequência, perda de peso repentina, cansaço, fome constante (polifagia), sede intensa (polidipsia), visão turva, feridas de difícil cicatrização, infeções frequentes e formigueiros ou torpor nas mãos e pés.

Os sintomas surgem com mais intensidade quando a taxa de glicemia está muito elevada. Nessa altura é conveniente consultar o médico para fazer os convenientes testes à urina e ao sangue. Aqueles sintomas, ligados a uma glicemia ocasional superior a 200 miligramas por decilitro ou superior a 126 miligramas em jejum, são fortes indícios que apontam para um diagnóstico de diabetes.

Com o tempo, à medida que a doença avança, aqueles sintomas vão-se acentuando progressivamente, surgindo complicações mais graves que afetam a vista, nervos, coração, pés, veias e artérias. Daí a importância de um diagnóstico precoce e um tratamento o mais disciplinado possível.

Tratamento e prevenção da diabetes

Muitas complicações podem surgir associadas à diabetes caso não se siga um tratamento atempado e eficaz. Elevada concentração de açúcar no sangue pode acumular-se nas paredes dos vasos sanguíneos, provocando o seu espessamento e ruptura, o que faz com que cada vez menos sangue seja enviado aos nervos. A lesão dos vasos sanguíneos na retina pode originar retinopatias, principal causa da perda de visão entre os diabéticos. O recurso ao laser, para vedar hermeticamente os vasos sanguíneos do olho, pode evitar lesões de maior gravidade e permanentes na retina.

exame oftalmológico

Quando um nervo não funciona adequadamente, afetando o braço ou a perna, surge a mononeuropatia, embora possa também ocorrer uma situação ainda mais grave e que atinge mais que um membro, a polineuropatia. As lesões dos nervos da pele, se reincidentes, provocam uma fraca sensibilidade do doente perante as mudanças de temperatura. A má circulação origina úlceras, fazendo com que as feridas cicatrizem muito lentamente. Quando são profundas e ficam infetadas pode ocorrer gangrena, que obriga frequentemente à amputação de parte do membro.

A arteriopatia, para além da neuropatia, são causas frequentes do denominado pé diabético, uma das mais dramáticas consequências da diabetes. Por isso, é conveniente uma revisão periódica dos pés do doente, de forma a detetar potenciais arranhões, fissuras, dor, mudanças na cor ou alterações neurocirculatórias.

No diabético, a concentração de substâncias gordas também tende a ser muito elevada, podendo ocasionar arteriosclerose acelerada.

As doenças cardiovasculares e os AVCs são então muito frequentes, podendo também ocorrer macroangiopatia, disfunção e impotência sexual, assim como infeções constantes, como as urinárias ou as gengivites, dado que o funcionamento dos glóbulos brancos também é afetado. Igualmente a função renal se deteriora, ocasionando nefropatias que obrigam a tratamentos de diálise.

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Todas estas complicações podem ser evitadas ou atenuadas se houver um rigoroso controlo da glicemia, pressão arterial e colesterol. Para isso torna-se importante a adopção de uma alimentação adequada, prática regular de exercício e a administração adequada de insulina, no caso dos insulinodependentes. Para a diabetes Tipo 2 pode ainda ser necessário utilizar fármacos, em particular hipoglicemiantes orais, que estimulem o pâncreas a produzir insulina e controlem os níveis de glicose.

Os doentes podem manter uma boa qualidade de vida, sem grandes limitações, desde que sigam os tratamentos e evitem as sequelas da doença. Para os que ainda não manifestaram os primeiros sinais é importante controlar os fatores de risco, como a obesidade, o sedentarismo, o tabagismo e manter um estilo de vida o mais saudável possível.

Como bem recorda o presidente da Federação Internacional da Diabetes (FID), Shaukat Sadikot, no último evento consagrado à diabetes: basta uma caminhada de 30 minutos para se ter controlo sobre uma doença crónica e incapacitante que, a nível mundial, tem um devastador impacto social, humano e económico. Há mais de sete milhões de pessoas que desenvolvem a diabetes em cada ano, afetando sobretudo as que estão em idade ativa, o que compromete o desenvolvimento económico de um país.

A luta não será fácil, conforme referiu o presidente da FID, mas "é uma batalha que tem de se travar", por se tratar de "uma escolha simples: ou fazemos alguma coisa agora ou pagaremos mais tarde as consequências", alertou o professor Jean Claude Mbanya, ex-presidente da FID no período de 2009-2013, no decurso do último Congresso Mundial da Diabetes.

Desde 1 de dezembro de 2015 que a Federação Internacional da Diabetes conta com o português Luís Gardete Correia (ex-presidente da APDP), na vice-presidência da organização, que por sua vez recomenda "coma pouco de cada vez, várias vezes ao dia e evite as frituras", e coincidência ou não, Lisboa vai acolher em 2017 o maior congresso europeu da diabetes (53ª edição), que se realizará de 11 a 15 de setembro em Lisboa.

Ver mais:
A DIABETES, FANTASMA DA SOCIEDADE OCIDENTAL
DIABETES, EDUCAR PARA PREVENIR!
PÉ DIABÉTICO


ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
07 de Junho de 2017

Referências Externas:

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