Lactulose

DCI com Advertência na Gravidez DCI com Advertência no Aleitamento DCI/Medicamento Sujeito a Receita Médica (a ausência deste simbolo pressupõe Medicamento Não Sujeito a Receita Médica)
O que é
A Lactulose pertence a um grupo de medicamentos denominados laxantes osmóticos, que são utilizados no tratamento da obstipação.

A lactulose actua como acidificante no cólon (parte do intestino grosso), o que resulta no aumento quantidade de água no conteúdo do cólon.

Estes efeitos estimulam os movimentos intestinais, normalizando a consistência das fezes.

A obstipação desaparece, restabelecendo-se o ritmo fisiológico do cólon.
Usos comuns
A indicação terapêutica de Lactulose é o tratamento fisiológico da obstipação crónica
habitual.
Tipo
pequena molécula
História
Sem informação.
Indicações
- Tratamento da obstipação crónica habitual;

- Tratamento e prevenção da encefalopatia porto-sistémica e do pré-coma e coma hepático;

- Tratamento de enterites por salmonelas – saneamento de portadores permanentes;

- Situações em que as fezes moles sejam consideraras um benefício clínico (hemorróidas, fissura anal, fístulas, abcessos anais, úlceras solitárias e no pós-operatório ano-rectal).
Classificação CFT
06.03.02.01.04     Laxantes osmóticos
Mecanismo De Ação
A lactulose atinge inalterada o cólon e aqui é cindida pela flora bacteriana em ácidos orgânicos de baixo peso molecular que vão reduzir o pH do lúmen do cólon e vão levar a um aumento do volume do conteúdo do cólon através de um efeito osmótico.

Este efeito leva a um alívio da obstipação e o ritmo fisiológico do cólon é restaurado.


Na encefalopatia porto-sistémica, pré-coma e coma hepático, o efeito da lactulose foi atribuído à supressão das bactérias proteolíticas devido ao aumento das bactérias acidófilas (ex.: lactobacilos), à retenção de amónia na forma iónica provocada pela acidificação do conteúdo do cólon, catarse devido ao pH baixo do cólon assim como ao efeito osmótico e alteração do metabolismo bacteriano do nitrogénio devido à estimulação de bactérias que utilizam a amónia na sua síntese proteica.

Deve-se notar que as manifestações neuropsiquiátricas da encefalopatia porto-sistémica não podem ser explicadas apenas pela hiperamoniemia.

No entanto, a amónia poderá servir como um modelo composto para outras substâncias nitrogénicas.
Posologia Orientativa
Solução oral:
Dose inicial para a obstipação:
Adultos – 15 ml duas vezes ao dia.

Crianças dos 5 aos 10 anos – 10 ml duas vezes ao dia.

Crianças dos 2 aos 5 anos – 5 ml duas vezes ao dia.

Bebés de 1 a 2 anos – 2,5 a 5 ml duas vezes ao dia.

Bebés de 1 mês a 1 ano – 2,5 ml duas vezes ao dia.


Dose inicial na encefalopatia hepática:
Adultos (incluindo idosos) – 30 a 50 ml três vezes ao dia.



Xarope:
A dose diária total deve administrar-se de uma só vez ao pequeno-almoço.

Adultos: iniciar o tratamento com 2 a 3 saquetas por dia diluídas num pouco de líquido até à obtenção dos primeiros resultados, reduzindo depois a dose de forma a obter-se uma defecação por dia.

Crianças: a dose deve ser proporcionalmente inferior conforme a idade e o peso da criança.
Administração
Administração por via oral.

Tomar Lactulose com uma colher ou copo medida.
Contraindicações
Hipersensibilidade à lactulose.


Evidência de obstrução gastrointestinal.

Galactosémia.
Efeitos Indesejáveis/Adversos
Doenças gastrointestinais:
Muito frequentes (≥1/10): dor abdominal ligeira, meteorismo, flatulência no início do tratamento.

Frequentes (≥1/100, <1/10): náuseas, vómitos, diarreia em doses superiores.

Doenças do metabolismo e da nutrição:
Raros (≥1/10.000, <1/1.000): hiponatrémia na terapêutica da encefalopatia do sistema porta.

Os distúrbios no equilíbrio hidroelectrolítico habitualmente associados aos laxantes devem ser tidos em consideração se forem administradas, por um período prolongado, doses que produzem regularmente fezes muito moles.
Advertências
Gravidez
Gravidez:Não existe informação disponível; sem problemas de uso. Ausência de risco fetal, demonstrada em experimentação animal ou em estudos humanos.
Aleitamento
Aleitamento:Não existe informação útil.
Precauções Gerais
Se a obstipação persistir após alguns dias de tratamento ou voltar a ocorrer após o tratamento, deve consultar-se o médico.


A dose normalmente usada para tratamento da obstipação não deverá representar problema para os diabéticos.


A dose usada para o tratamento da encefalopatia porto-sistémica e do (pré) coma hepático é habitualmente mais elevada.

Tal deve ser tido em consideração pelos doentes diabéticos.

O uso de laxantes em crianças deve ser feito sob supervisão médica.
Cuidados com a Dieta
Lactulose pode ser tomado com uma bebida como por exemplo água ou sumo de fruta.
Terapêutica Interrompida
Se se esqueceu de tomar uma dose, deverá tomá-la assim que se lembrar.

Contudo, se faltar pouco tempo para a próxima toma, não tome a dose esquecida.

Não tome uma dose a dobrar para compensar a dose que se esqueceu de tomar.
Cuidados no Armazenamento
Manter este medicamento fora da vista e do alcance das crianças.

Não conservar acima de 25ºC.

Não refrigerar ou congelar.
Espetro de Suscetibilidade e Tolerância Bacteriológica
Sem informação.

Lactulose + Outros medicamentos

Observações: N.D.
Interações: Pelo seu mecanismo de acção, a lactulose provoca uma acidificação do conteúdo do cólon (baixa do pH), o que poderá inactivar medicamentos cuja acção esteja dependente do valor de pH do cólon.

Messalazina + Lactulose

Observações: Messalazina não deve ser administrado simultaneamente com lactulose ou preparados similares, que baixam o pH das fezes impedindo desta forma a libertação da mesalazina.
Interações: Messalazina não deve ser administrado simultaneamente com lactulose.
Informe o seu médico ou farmacêutico se estiver a tomar ou tiver tomado recentemente outros medicamentos, incluindo medicamentos obtidos sem receita médica.

Lactulose pode ser administrado a lactentes, a crianças, a diabéticos ou a grávidas.



Informação revista e atualizada pela equipa técnica do INDICE.EU em: 11 de Outubro de 2017