1500 MILHÕES DE HIPERTENSOS EM 2025!?

  Tupam Editores

Actualmente, mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de hipertensão, um dos principais factores de risco cardiovascular, embora este número possa ascender a 1500 milhões de hipertensos em 2025 – alerta a Federação Mundial do Coração. Esta realidade significa que a doença afectaria uma em cada três pessoas.

Na tentativa de contrariar os números e sensibilizar as pessoas para a adopção de estilos de vida mais saudáveis, a Liga Mundial de Hipertensão (WHL) organiza, a 17 de Maio, uma nova edição do "Dia Mundial da Hipertensão". O lema adoptado este ano irá ser "Sal e elevada pressão arterial: dois silenciosos assassinos".

Este organismo pretende, desta forma, destacar o excessivo consumo de sal como um dos factores que estão na origem das doenças cardiovasculares, aconselhando a sua redução diária dos actuais 9-12 gramas por pessoa, para cinco ou seis gramas, o equivalente a uma colher de café, sobretudo, tendo em conta que cerca de 80 por cento do sódio que consomem provêm de alimentos processados.

Em causa está uma doença que afecta entre 25 e 30 por cento de adultos, de entre os quais um número significativo desconhece que tem a doença, enquanto mais de 50 por cento dos que recebem tratamento não têm os valores de pressão correctamente controlados.

A hipertensão arterial é uma doença da parede arterial, caracterizada pelo seu estreitamento e resistência, devido à deterioração progressiva dos vasos sanguíneos que vão perdendo a sua elasticidade. Quando o coração se contrai, bombeia sangue através de um conjunto de artérias, capilares e veias. Para fazer circular o sangue pela rede vascular, os vasos exercem pressão que, no seu nível mais elevado, se denomina máxima ou sistólica; a pressão mais baixa corresponde à mínima ou diastólica. É difícil estabelecer um padrão de normalidade para a pressão arterial pois isso depende da idade, peso e estado de saúde. Contudo a Organização Mundial de Saúde (OMS) define como hipertensão arterial os valores situados acima de 140-90 mmHg, correspondendo o primeiro à pressão sistólica e o segundo à diastólica, valores menos frequentes em idades avançadas.

Uma pressão sistólica superior a 160mmHg ou diastólica superior a 95mmHg triplica o risco de acidente vascular cerebral (AVC), duplicando também o risco de doença coronária. A pressão elevada obriga o coração a realizar um trabalho mais intenso, causando hipertrofia do músculo cardíaco, que se dilata, enfraquecendo-o ao longo do tempo.

A hipertensão pode afectar a saúde de diversas formas. A arteriosclerose, caracteriza-se por ser um processo degenerativo que ocasiona o endurecimento da parede das artérias; na sua forma mais grave e comum pode manifestar-se através da aterosclerose que ocorre quando o colesterol se acumula nas paredes das artérias, estreitando-as e criando assim obstáculos à circulação sanguínea. A gordura acumulada é responsável pela formação de coágulos, o que origina mais problemas circulatórios, sobretudo em zonas mais vulneráveis, como as artérias carótidas, coronárias e nas pernas.

A aterosclerose do pescoço ao cérebro pode provocar um derrame cerebral enquanto a da artéria coronária do coração pode levar a uma angina peitoral ou a enfarte do miocárdio.

A hipertensão pode ainda originar insuficiência cardíaca, que surge quando o coração, devido à pressão arterial, é obrigado a bombear sangue para os vasos sanguíneos com maior intensidade, provocando a dilatação progressiva do músculo. Como resultado, a pessoa sente-se mais cansada e frágil, podendo o coração falhar perante o esforço. Sem tratamento, a insuficiência cardíaca aumenta, podendo causar problemas colaterais que afectem outros órgãos vitais.

Danos renais poderão também ocorrer quando a hipertensão prolongada afecta os rins devido à falta de irrigação das artérias.

Nos diabéticos há ainda o risco de surgirem lesões oculares ou retinopatias. A hipertensão, neste caso, pode danificar os pequenos capilares da retina, levando mesmo à cegueira.

Outras afecções que podem surgir ou agravar-se, para além da insuficiência renal ou da ocorrência de derrames cerebrais, estão relacionadas com as doenças vasculares periféricas, arritmias, enfartes e angina de peito.

HipertensãoA hipertensão arterial constitui, juntamente com o colesterol elevado, o tabagismo e a diabetes mellitus, o "quarteto da morte". Contribui para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares, primeira causa de morte no mundo ocidental e que também já ameaça os países emergentes, devido à mudança de hábitos de vida saudáveis, aumento do sedentarismo e uma alimentação rica em gorduras. Para estes países o cenário não se mostra muito animador, pois não têm acesso aos mais avançados tratamentos. Por isso, a prevenção e as campanhas de sensibilização, a nível governamental, podem fazer muita diferença.

Durante os últimos 25 anos as doenças cardiovasculares tornaram-se quase uma epidemia. A (OMS) alerta para a possibilidade de, dentro de dez anos, serem a principal causa de morte e de incapacidade a nível mundial. Aquela organização acredita ainda que a hipertensão possa contribuir para o avanço desta epidemia de doenças do coração que, actualmente, por ano, estão na origem de 17,5 milhões de mortes, tantas quantas as ocasionadas pela SIDA, tuberculose, malária, diabetes e todas as variantes de cancro e doenças respiratórias crónicas juntas.

Hipertensão: doença silenciosa

Na maior parte dos casos, não há uma causa conhecida para a hipertensão arterial, embora possa surgir uma doença associada, que é a verdadeira razão que está na origem dos elevados níveis de pressão.

A apneia do sono, a doença renal crónica, a hipertensão renovascular, o hiperaldosteronismo primário, a síndrome de Cushing a coartação da aorta ou a doença da tiroideia e paratiroideia são algumas das patologias associadas à hipertensão. Contudo, a hereditariedade e a idade são factores determinantes na manifestação da doença. Quanto mais avançada for a idade, maior a probabilidade de desenvolver hipertensão, sendo que dois terços das pessoas com mais de 65 anos são hipertensas.

Mas, em geral, a doença surge entre os 30 e 55 anos, embora, inicialmente não provoque quaisquer sintomas, à excepção dos valores de pressão elevados, que se detectam através de uma correcta medição. Contudo, um valor elevado, desde que detectado isoladamente, não é sinónimo de doença. O indivíduo só é considerado hipertenso quando o mercúrio do medidor sobe para níveis alarmantes em três avaliações consecutivas.

Compete ao médico fazer o diagnóstico da doença, pois a pressão arterial num adulto pode variar devido ao esforço físico ou ao stress, sem que isso signifique que sofra de hipertensão arterial. Alguns sintomas podem, no entanto, dar o sinal de alerta, como as constantes cefaleias, tonturas, opressão no peito, sangramento nasal ou cansaço generalizado.

Com o passar dos anos, a pressão arterial acaba por danificar os vasos sanguíneos e alguns órgãos vitais como o cérebro, coração e rins, agravando a situação do doente, caso não seja tratado ou não tome adequadas medidas de prevenção.

Como tratar a hipertensão: mudar o estilo de vida e intervenção farmacológica

Não há cura para a hipertensão arterial. No entanto, controlar os factores de risco, como diminuir o consumo de sal, abandonar o vício do cigarro e adoptar um estilo de vida saudável, são medidas que contribuem, em grande parte, para baixar os níveis de pressão arterial dos hipertensos. Estes doentes também devem evitar situações de stress ou que impliquem grande esforço físico. É também conveniente que pratiquem regularmente algum tipo de exercício físico, pois o sedentarismo, juntamente com o tabagismo e o consumo de álcool, integra-se no grupo dos inimigos clássicos da hipertensão, que devem ser eliminados.

DietaSeguir uma dieta rica em frutos, verduras e cereais, para além de controlar a oscilação do ponteiro da balança, torna-se imprescindível, pois a obesidade ou o excesso de peso não é um aliado que se queira nesta batalha, contribuindo para o agravamento da hipertensão, a ocorrência de diabetes e problemas cardiovasculares.

Quando estas medidas não ajudam a controlar a pressão arterial, a doença pode ser tratada com recurso aos fármacos. Poder-se-ão utilizar os diuréticos, que contribuem para eliminar a água e o sódio do organismo, assim como os Inibidores da (ECA), que bloqueiam a enzima responsável pela subida da pressão arterial. Outros fármacos, como os betabloqueantes, os bloqueadores da entrada do cálcio ou ainda os vasodilatadores, apesar dos seus diferentes efeitos, podem relaxar ou dilatar os vasos sanguíneos e ajudar a reduzir a sua pressão interior.

Os anti-hipertensores demonstraram a sua eficácia, sobretudo quando não é possível o controlo da pressão arterial apenas em monoterapia. Nesta fase, surgem os conhecidos IECAs, que constituem um eficaz tratamento de primeira linha para controlar e reduzir a pressão arterial.

Entre os anti-hipertensivos que têm demonstrado maior eficácia, de acordo com estudos recentes, está a combinação entre duas dosagens de um composto de perindopril-arginina com uma dupla dose de amlodipina. Esta inovadora terapia, promovida pelo grupo de investigação da Servier, estará disponível nestas quatro dosagens, de forma a permitir a adaptação do tratamento às necessidades específicas de cada doente.

O estudo ASCOT, que envolveu mais de 19 mil doentes com hipertensão, mostrou que uma nova terapia, utilizando aquelas duas substâncias, é mais eficaz na prevenção primária de doenças cardíacas coronárias do que o habitual regime de fármacos utilizados, até ao momento. Neste estudo, todos os participantes possuíam três dos factores de risco mais relevantes na doença, como a idade (superior a 55 anos), antecedentes familiares de afecções coronárias e todos eram fumadores.

A nova terapia já está a ser administrada em 25 países europeus, tendo sido apresentada em Portugal no passado dia 12 de Maio. Segundo Peter Sever, principal investigador do estudo ASCOT, representa "uma boa notícia" para médicos e doentes, garantindo que "os resultados comprovam a eficácia da nova terapia no controlo da pressão arterial, assim como na redução do risco da diabetes, AVCs, ataques cardíacos e outras afecções cardiovasculares".

O fármaco é aguardado com expectativa pelos cerca de 47 por cento de portugueses que sofrem de pressão elevada, de acordo com os dados mais recentes, apresentados no último Congresso Português de Cardiologia.

Para piorar o cenário, Portugal encabeça a lista de países europeus com maior incidência de AVCs, enquanto o controlo da hipertensão abrange apenas 12,5 por cento dos doentes, ou seja, um terço dos casos. Apesar de os homens serem mais afectados com a doença, 53,6 por cento de homens contra 45,9 por cento das mulheres, o sexo feminino conhece melhor os seus problemas e sabe controlá-los de forma mais eficaz. A solução passa mesmo pelo controlo rigoroso da doença, bem como dos factores de risco que estão na sua origem.

O aumento das taxas de mortalidade, no mundo ocidental em idades cada vez mais precoces, mostra que este panorama negro não é apenas casual e que pode ser evitado. Para melhor gerir um quadro de hipertensão arterial e de risco cardiovascular, não será suficiente o recurso à medicação. Como forma de obter bons resultados ao longo do tempo, e poder garantir melhor qualidade de vida, é necessário mudar velhos hábitos, pois a hipertensão não é só um problema fisiológico ou genético.

Por outro lado, as doenças cardiovasculares, para além do impacto social, constituem também um custo económico demasiado oneroso, em particular nos países industrializados.

Um estudo divulgado em 2003, mostrou que os problemas cardiovasculares delapidavam as arcas da União Europeia em 169 biliões de euros enquanto a factura nos Estados Unidos ultrapassava os 310 biliões por ano. Os números superam os custos ocasionados com todo o tipo de doenças cancerígenas, cerca de 146 biliões de euros por ano, ou de infecções provocadas pelo vírus HIV, que representam mais de 22 biliões.

Estes custos incidem, não apenas nos sistemas de saúde, mas também na perda de rendimentos e produtividade dos que são afectados directamente pela doença e que abandonam os seus postos de trabalho prematuramente. Nos países em desenvolvimento, os especialistas alertam que, se a epidemia se mantiver, pode vir a comprometer a viabilidade económica devido ao elevado decréscimo da produtividade.

O melhor mesmo é começar a cuidar desse músculo considerado uma "bomba hidráulica", que faz circular, por todo o corpo, através de artérias e veias, o oxigénio e nutrientes necessários às actividades orgânicas. É que o coração humano, apesar de ser o órgão mais forte de todo o corpo, é também um dos mais vulneráveis. Ao contrário do motor de um carro, não pode ser substituído, se bem que, com as suas habituais 72 batidas por minuto, seja considerado o mais perfeito e mais duradouro entre todos os mamíferos.

Ver mais:
DIA MUNDIAL DA HIPERTENSÃO
HIPERTENSÃO


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Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
07 de Junho de 2017

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