ASMA

  Tupam Editores

Organizado pelo Global Initiative for Asthma (GINA) e sob os auspícios da Organização Mundial de Saúde (OMS), assinalou-se, no início de Maio, mais um Dia Mundial da asma.

"Tu podes controlar a tua asma" foi, pelo sexto ano consecutivo, a mensagem de força do dia que tem por objectivo estimular os doentes a serem parte activa no controlo da doença.

A comemoração regular da efeméride pretende também aumentar o foco de atenção para a asma como um problema global de saúde e envolver autoridades públicas, sociedades científicas e associações de doentes na implementação de programas eficazes para controlo da doença. Torna-se cada vez mais urgente alertar para a importância do diagnóstico precoce, tratamento adequado e necessidade dos doentes conhecerem e assim aprenderem a lidar com a sua doença.

A asma é, a nível mundial, uma das doenças mais frequentes e afecta, segundo estimativas internacionais, mais de 150 milhões de pessoas no planeta.

Por razões de ordem etiopatogénica e epidemiológica variadas, tem-se verificado, nos países desenvolvidos, um crescimento da sua incidência e prevalência, calculado entre 20 a 50 por cento em cada década, número que em alguns países é largamente ultrapassado, sendo responsabilizada pela morte, evitável, de 100 mil indivíduos por ano.

A prevalência da asma é mais elevada entre a população infantil e juvenil, constituindo causa frequente de internamento hospitalar. Em Portugal a prevalência média desta doença crónica atinge mais de 11 por cento da população no grupo etário dos 6 aos 7 anos, 11,8 por cento dos 13 aos 14 anos e 5,2 por cento dos 20 aos 44 anos, estimando-se que o número total de doentes ultrapasse os 600 mil, significando que um em cada 15 portugueses sofrerá, provavelmente, de asma.

Perante este cenário o investimento no autocontrolo da asma, concomitantemente com os esforços que se vêm desenvolvendo a nível epidemiológico, técnico e nos processos de prevenção, diagnóstico e terapêutica, revela-se, assim, de extrema importância.

asthma

Sob o ponto de vista clínico, a asma ocasiona, numa percentagem considerável de doentes, sofrimento a nível físico, psíquico e social, por vezes diário e repetido, que se estende às envolventes familiar, laboral e social, inserindo condicionantes à sua actividade normal, que acabam por induzir uma deterioração progressiva da sua qualidade de vida e do seu bem-estar.

Os enormes encargos pessoais e sociais causados pela asma, como por exemplo o absentismo escolar e laboral, não podem ser negligenciados. São por isso de incentivar todas as medidas, não apenas por parte dos profissionais de saúde mas também dos doentes e suas famílias que, ao permitirem um melhor controlo da doença, acabam por promover a obtenção de substanciais ganhos em saúde.

Existem actualmente novos métodos para diagnosticar, tratar e controlar a asma e sabe-se que a educação e a capacitação do doente asmático contribuem de forma decisiva para o sucesso da terapêutica. Quanto mais se conhecer a doença mais fácil se torna controlá-la e conviver com ela.

Conhecer a doença

A asma é uma doença inflamatória crónica das vias aéreas, que se manifesta por crises de obstrução dos brônquios. Em linguagem clínica, a asma é uma afecção pulmonar que se traduz por dispneia, caracterizada por dificuldades na expiração, acompanhada por um ruído sibilante, podendo manifestar-se por acessos súbitos. É a doença crónica mais frequente nas crianças e uma das mais frequentes entre a população adulta.

A tosse, apertos no peito, dificuldade em respirar e a pieira ou chiadeira no peito são os sintomas típicos. A maioria dos doentes, no entanto, apresenta outros sintomas derivados de alergia noutros órgãos como o nariz, olhos ou pele. A rinite alérgica é mesmo um factor de risco ou predisponente para um paciente vir a desenvolver asma brônquica.

Segundo os especialistas, a asma é classificada tendo em conta vários graus de gravidade, ou "degraus", consoante a frequência e intensidade dos sintomas e a necessidade de utilização de fármacos.

Um doente de grau 1 é o que sofre de asma intermitente, ou seja, os sintomas surgem menos de uma vez por semana, ou o doente acorda com os sintomas duas ou menos vezes por mês, ficando assintomático entre os períodos com sintomas.

No grau 2 a asma é persistente ligeira. Os sintomas surgem uma ou mais vezes por semana, mas menos de uma vez por dia. O doente acorda com os sintomas durante a noite mais de duas vezes por mês.

No grau 3 a asma designa-se por persistente moderada. Os sintomas são diários. O doente acorda com os sintomas durante a noite mais de uma vez por semana e necessita de utilizar diariamente agonistas beta-2. As crises afectam a sua actividade diária habitual.

No grau mais elevado, grau 4, a asma é persistente grave. A sintomatologia é permanente e o doente acorda frequentemente com os sintomas durante a noite e a sua actividade diária encontra-se limitada.

Com o passar do tempo, o grau de gravidade no mesmo paciente pode sofrer alterações devendo o tratamento ser adequado em função de cada nova situação. O doente pode ver-se confrontado com os sintomas por motivos diversos, quando não cumpriu o plano de tratamento de acordo com as instruções do seu médico (e por vezes mesmo quando cumpre) ou quando entra em contacto com algum factor desencadeante.

Os factores desencadeantes são múltiplos:

– os alérgenos, no ambiente exterior o pólen e fungos e no ambiente interior os ácaros, fungos (bolores), as baratas e animais domésticos;

Acaros

– os irritantes inalados, contaminantes do ar como o fumo do tabaco, sprays e substâncias químicas cloradas ou amoniacais, entre outros;

– as infecções: as viroses como a gripe ou os catarros respiratórios são potentes desencadeantes de asma brônquica, assim como algumas infecções bacterianas como a sinusite;

– em alguns pacientes, principalmente nas crianças, o exercício físico, os acessos de choro ou o riso também podem despertar sintomas da doença;

– noutros doentes são as substâncias presentes no ambiente profissional que podem desencadear os sintomas;

– determinados medicamentos, como por exemplo o ácido acetilsalicílico, a penicilina, anti-inflamatórios não esteróides como o ibuprofeno e os bloqueadores beta-adrenérgicos utilizados para a hipertensão, podem igualmente desencadear uma crise de asma;

– alguns alimentos (peixe, frutos secos, leite, ovos, aditivos alimentares) também podem despertar sintomas ou condicionar a gravidade da asma e outros factores como o refluxo gastro-esofágico, a ansiedade, o stress ou mudanças súbitas das condições meteorológicas podem originar sintomatologia no doente asmático.

Cada pessoa pode prevenir o agravamento dos sintomas que a afligem, identificando e evitando os factores a que reage.

Diagnóstico e controlo da doença

O diagnóstico da asma, na grande maioria dos casos, é efectuado em função dos sintomas apresentados pelo doente, ou seja, é clínico, não existindo nenhuma análise que permita o diagnóstico precoce. Para além da história e interrogatório clínico, os testes de alergia, as provas de função broncomotora respiratória, as radiografias e análises de sangue, na maioria das vezes, são suficientes para a caracterização do doente com asma.

Sendo uma doença crónica, o controlo da asma assenta em quatro vertentes: as medidas de controlo ambiental, ou seja, a redução dos factores desencadeantes; a educação do doente; a avaliação da gravidade e vigilância da evolução da doença e do tratamento e, por fim, o controlo, a longo prazo, da inflamação das vias respiratórias e as crises e sintomas.

Os medicamentos utilizados no tratamento da asma podem ser genericamente divididos em dois grandes grupos: os agentes anti-inflamatórios, também conhecidos como agentes de primeira linha ou profilácticos, e os broncodilatadores, também chamados sintomáticos ou medicação de alívio.

Como o nome indica, os anti-inflamatórios destinam-se a combater a inflamação dos brônquios e a evitar o aparecimento de crises. Os medicamentos deste tipo que têm mostrado mais eficácia são os corticosteróides.

Na maioria dos casos os corticosteróides são administrados por via inalatória. São seguros nas doses recomendadas e praticamente sem efeitos secundários, mesmo em crianças e grávidas. Esta medicação deve ser seguida diariamente, mesmo quando o doente se encontra bem.

Outros medicamentos deste grupo são os anti-leucotrienos, administrados normalmente em comprimidos, como complemento de uma terapêutica anti-inflamatória inalada ou em situações particulares de asma. De referir ainda as cromonas, administrados por via inalatória, praticamente isentas de risco mas com uma potência reduzida no controlo da inflamação.

Os broncodilatadores (beta-agonistas) são utilizados por via inalatória para tratar as crises. Actuam directamente nos brônquios, diminuindo a obstrução das vias aéreas e melhorando consideravelmente a respiração. Nos casos de asma mais grave, os doentes poderão necessitar destes medicamentos diariamente e, nesse caso, deve dar-se preferência aos de acção prolongada, que actuam durante 12 horas, devendo associar-se aos corticosteróides inalados para melhorar o controlo da doença. Actualmente já existem associações destes dois tipos de medicamentos no mesmo inalador.

mulher asma

A asma é uma doença com muita variabilidade nos sintomas diários e também ao longo do ano. A postura do paciente perante a asma que o afecta e o respectivo tratamento é tão importante como a ajuda do médico e de outros profissionais da saúde para controlo da doença.

Mesmo que aparentemente não tenha sintomas, o plano de tratamento indicado pelo médico, após rigorosa avaliação, deve ser seguido todos os dias. Só assim se atinge bem-estar e qualidade de vida.

Para conseguir um controlo adequado o paciente deve avaliar periodicamente a doença, reconhecer os seus sintomas e recorrer aos testes de controlo, como o ACT (Asthma Control Test).

A utilização do debitómetro (Peak Flow Meter), para medir a capacidade respiratória, permite igualmente ao doente (e ao médico) através de tabelas, aperceberem-se com exactidão do estado dos problemas respiratórios, antes de ocorrerem ataques de pieira ou tosse, podendo controlar a situação com o reforço adequado de fármacos.

Peak Flow Meter

O paciente deve igualmente estar informado sobre o tratamento, sabendo para que servem os medicamentos, como e quando os utilizar – uma técnica de inalação incorrecta leva a que o medicamento se deposite na boca ou garganta, não atingindo os brônquios e falhando, por isso, o efeito pretendido –, os seus efeitos secundários, o que fazer se surgir agravamento e quando deve recorrer ao médico. O acompanhamento em consultas a longo prazo é imprescindível para se ir melhorando o conhecimento do tipo de asma que afecta cada doente e adequar o respectivo tratamento.

Para controlar a sua asma o doente deve igualmente conhecer e evitar os factores que desencadeiam as crises em casa ou no local de trabalho e outras situações que podem agravá-la, como as infecções respiratórias e a poluição.

Pode dizer-se que se atingiu o controlo da doença quando o doente não apresentar sintomas, ou revele sintomas crónicos mínimos, incluindo os nocturnos; se as crises de asma forem mínimas ou raras; se não houver registo de idas ao serviço de urgência hospitalar; se as necessidades de agonistas-beta2 forem mínimas; se o doente pratica actividades, incluíndo exercício físico, sem limitações; se o PEF (Peak Expiratory Flow) estiver normal ou próximo do normal e se não existirem, ou forem pouco significactivos, efeitos adversos da medicação.

Os sintomas e crises de asma não escolhem hora nem local e, apesar de a asma ser uma doença para a vida, é possível controlá-la, respirar sem dificuldade e viver livre de crises... se diariamente tiver os cuidados necessários. Controlar está nas suas mãos.

Ver mais:
ASMA - NECESSIDADES NÃO SATISFEITAS NO TRATAMENTO
RESPIRAÇÃO, ALERTA AMARELO!


ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
26 de Maio de 2017

Referências Externas:

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