GRIPE, A AMEAÇA SAZONAL

  Tupam Editores

A vacinação contra a gripe é altamente recomendada para os grupos-alvo prioritários, como sejam: pessoas com idade igual ou superior a 65 anos; doentes crónicos e imunodeprimidos, com 6 meses ou mais de idade; grávidas; profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados, conforme quadros anexos à orientação nº 018/2017 de 26/09/2017 da DGS.

Gripe - assoar

Normalmente o imunizante contra a infeção é modificado todos os anos, em função das estirpes virais prevalentes em cada ano e região. No hemisfério norte, para a época 2017/2018, a Organização Mundial de Saúde (OMS), recomenda vacinas trivalentes que incluem 3 estirpes de vírus, a H1N1, H3N2 e B.

Vacina - mãos

A vacina é gratuita quando administrada em unidades do SNS para as pessoas que se enquadrem em situações específicas de dependência ou que sofram de outras patologias, sendo obrigatória para os profissionais de saúde que não tenham contraindicaçãos conhecidas. Para os restantes casos, a vacina pode ser dispensada nas farmácias de oficina, através de prescrição médica, sendo comparticipadas a 37 por cento nestes casos.  
A gripe, também conhecida por influenza, é uma patologia infeciosa aguda que atinge maioritariamente as vias respiratórias - o nariz, a garganta, os brônquios e, em alguns casos, os pulmões. A infeção, causada pelo vírus influenza, desenvolve-se rapidamente provocando febre alta, arrepios, dores de cabeça, de garganta e musculares, tosse e rinite e um sentimento geral de mal-estar.

Os vírus influenza são envelopados com um genoma de ARN de cadeia simples negativa, pertencente à família Orthomixoviridae. Estão divididos em três géneros: Influenza A, B e C. Esta separação deve-se às diferenças antigénicas em duas proteínas estruturais: a proteína matriz (M) e a nucleoproteína (NP). Os responsáveis pelas doenças humanas são o influenza A e o B. O influenza A está ainda dividido em dois subtipos, o H3N2, associado a uma mais elevada taxa de mortalidade, e o H1N1.

Mulher com gripe

Como normalmente evoluiu de uma forma benigna, sem necessidade de se recorrer a tratamentos complicados, a maioria das pessoas, e alguns profissionais de saúde, não lhe dão a devida importância, esquecendo-se de que o seu cadastro, que remonta ao século V a.C., está repleto de epidemias e pandemias dizimadoras.

Ao longo dos últimos quatro séculos foram descritas epidemias que se pensa ser de gripe devido à semelhança dos sintomas, como aquela que aniquilou o exército de Carlos Magno.

Nessas épocas recuadas, a população acreditava que esses episódios epidémicos se deviam à influência dos astros. Foi com base nesta crença que o médico inglês John Huxham introduziu/adoptou o termo influenza, depois da epidemia nas colónias americanas na década de 30 do século XVIII. Segundo as estatísticas, poderão ter ocorrido 32 pandemias, três das quais já no século XX.

Em 1918, a gripe espanhola foi um verdadeiro carrasco para a humanidade, tendo infetado cerca de 50 por cento da população mundial e morto entre 20 a 40 milhões de pessoas. A gripe asiática, em 1957, e a gripe de Hong Kong, em 1968, mataram cerca de 1,5 milhões de pessoas.

O vírus da gripe ataca sazonalmente - entre Novembro e Março nos países de clima temperado e entre Abril e Setembro nos trópicos - e é facilmente transmitido através de partículas de saliva expelidas pela tosse, espirros ou através das mãos. Uma vez no interior do organismo, o influenza começa a destruir a membrana mucosa do trato respiratório e a infetar as células.

O período de incubação varia de 1 a 5 dias e o período de contágio entre 1 a 7 dias, sendo que a gravidade da infeção depende do grau de virulência, da quantidade de vírus presente no organismo, da idade e saúde do indivíduo.

A maioria das pessoas com o sistema imunológico normal recupera decorridas duas semanas. Porém, as pessoas que pertençam aos grupos de risco – crianças, idosos e doentes crónicos (tais como doenças pulmonares e cardíacas, diabetes, cancro) – podem demorar mais a restabelecer, incluindo-se também neste grupo os profissionais de saúde.


Nestes casos, as complicações secundárias, causadas pela multiplicação bacteriana nas membranas danificadas, como a sinusite, faringite, bronquite, otite e até a pneumonia podem agravar-se. A hospitalização e a morte ocorrem maioritariamente nos grupos de risco.

Febre

Na atualidade, a única forma de prevenir a gripe e reduzir a sua disseminação é através da vacinação.
A vacina, cuja validade é igualmente sazonal, uma vez que os vírus estão em constante mutação genética – o seu processo de shift antigénico é contínuo –, é administrada há cerca de 60 anos e contém vírus ativos. As pessoas alérgicas ao ovo não a podem tomar.

Todos os anos, a Global Influenza Surveillance Network da Organização Mundial de Saúde - uma rede de vigilância presente em 83 países, responsável pela monitorização dos vírus influenza - emite uma nova fórmula para as três estirpes mais violentas em circulação.

Em Portugal, o período de vacinação realiza-se entre Outubro e Novembro, uma vez que o período de maior incidência do influenza é entre Dezembro e Fevereiro. Porém, as pessoas podem adquirir a vacina, já disponibilizada desde 1 de Outubro, durante todo o período de Inverno.
Os especialistas recomendam, contudo, que os indivíduos saudáveis só devem ser vacinados em caso de epidemia e sob as recomendações das entidades sanitárias, alertando que existe uma grande diferença entre gripe e constipação. O vírus responsável por esta última é diferente do da gripe. Para além do mais, os sintomas da constipação afetam apenas as vias respiratórias superiores e surgem gradualmente, enquanto que os da gripe afetam todo o corpo e são repentinos.

Homem vacina

O objetivo principal da Direção-Geral de Saúde é aumentar a percentagem de vacinação nos grupos de risco de forma a evitar a propagação da doença.

Dados recolhidos nos Estados Unidos (estado de Michigan) e no Japão, indicam que a vacinação em massa de crianças em idade escolar está associada a uma diminuição das doenças respiratórias em todos os grupos etários, razão mais que suficiente para contrariar os movimentos de objeção aos programas de vacinação, em crescimento um pouco por todo o mundo.

A nível de tratamento, os analgésicos, os antipiréticos e os descongestionantes nasais desempenham um papel importante no alívio dos sintomas. Os antivirais, cujo objetivo é impedir a multiplicação do vírus, são igualmente um importante coadjuvante para a vacina, embora não a substituam. Quando são tomados antes da infeção ou na fase imediatamente a seguir (dois dias após a infeção) podem ajudar a preveni-la. Após a infeção, a administração precoce pode diminuir a duração dos sintomas por um ou dois dias.

Atualmente, existe uma nova classe de antivirais, os inibidores da neuraminidase, como o zanamivir e oseltamivir, usados principalmente nos grupos de risco e que impedem a reprodução do vírus. Contrariando o senso comum, os antibióticos são ineficazes na luta contra o influenza, porém, poderão vir a ser usados para prevenir ou tratar infeções bacterianas secundárias.

As entidades de saúde aconselham, igualmente, a reduzir o contato com as outras pessoas infetadas. Os doentes devem proteger sempre a boca e o nariz com um lenço quando espirram, utilizar lenços de papel e lavar ou desinfetar as mãos com frequência.

É muito importante que estas pessoas descansem, ingiram bastantes líquidos, preferencialmente sem açúcar, para evitar a desidratação, não se aqueçam demasiado, tomem fármacos comuns para aliviar a febre e as dores, como o paracetamol e a aspirina – só administrada a crianças por indicação médica. Os idosos e as pessoas que morem sozinhas deverão pedir a alguém que lhes telefone assiduamente a indagar sobre o seu estado de saúde. No caso de se verificar um prolongamento dos sintomas ou a existência de uma doença crónica ou debilitante o médico deverá ser consultado.

Nos países desenvolvidos, durante os meses propícios à sua propagação, a influenza infecta cerca de 10% a 20% da população. Nos países em vias de desenvolvimento, a situação é mais grave devido à subnutrição.

Nos anos de surtos epidémicos, os custos económicos quer na área social, quer na área da saúde são muito elevados, uma vez que o absentismo laboral e escolar se projetam nestas áreas – só nas últimas duas pandemias os custos económicos diretos rondaram os 20 biliões de euros e a pandemia espanhola deprimiu o crescimento populacional.

Mulher com termómetro

Segundo a OMS, “uma pandemia de gripe ocorre quando aparece uma nova estirpe do vírus influenza A contra a qual a população humana não tem imunidade”, recomendando, ainda que “os países e as empresas se preparem para uma possível pandemia de gripe – surge em intervalos de 10 a 40 anos –, pois, apesar de não se poder prever a data do seu início, existe atualmente esse risco. Em situações de pandemia, as empresas têm um papel fulcral a desempenhar na proteção da saúde e segurança dos seus empregados, colaboradores e clientes, assim como na limitação do impacte negativo sobre a economia e a sociedade.”
Devido aos esforços das entidades de saúde em todo o mundo, há mais de 30 anos que não ocorre uma pandemia. A consciencialização de que a gripe não é inofensiva, permitiu estabelecer uma rede de vigilância mundial, atenta a qualquer mutação do influenza, de modo a atacar o mais rapidamente possível, reduzindo custos com a saúde e prevenindo, acima de tudo, milhares de mortes.

Na União Europeia, a vigilância é permanentemente efetuada pela European Influenza Surveillance Scheme (EISS), que para Portugal, mostra não haver atividade anormal do vírus nas últimas semanas. Contudo, convém estar atento aos sinais e tomar as precauções habituais recomendadas para a época.

ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
18 de Dezembro de 2017

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