DOENÇAS DA MODA

  Tupam Editores

O repentino crescimento do número de pessoas diagnosticadas com Doenças do Refluxo Gastroesofágico, Deficiência de Vitamina D, Intolerância Alimentar e outras classificadas como “raras”, intriga médicos e investigadores da área da saúde.

De facto, não é necessário ter uma conta no Facebook, no Instagram ou acompanhar a rotina das modelos que diariamente desfilam à nossa frente pelos écrans da televisão e capas de revistas, para saber que subitamente toda a gente passou a ser intolerante ao glúten e à lactose.

Estetoscópio

Para além disso, falar de ansiedade, stress e depressão também já entrou na rotina das conversas da maior parte das pessoas, bem como o diagnóstico de déficit de atenção (TDAH) nos adolescentes e crianças, que passou a constituir tema obrigatório de discussão entre médicos, psicólogos e educadores, preocupados com o excesso de psicofármacos que hoje são prescritos aos nossos jovens.

Face à situação, responsáveis pelo Programa Nacional para a Saúde Mental têm vindo a criticar o recurso a medicação para tratar adolescentes, baseando-se nos dados divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS) no último ano, que revelam que mais de um quinto dos adolescentes são tratados com psicofármacos prescritos legalmente.

A percepção de que este tipo de doenças estão na moda é real e é confirmada por especialistas, um pouco por todo o mundo, referindo que o fenómeno faz sentido porquanto a ciência está em constante transformação sendo normal que novas doenças eventualmente surjam, em decorrência de mudanças nos hábitos das sociedades.

Além disso, antigas doenças também são estudadas cada vez com mais profundidade trazendo como consequência o aumento no número de diagnósticos, o que por vezes pode dar a sensação errada de que há um surto de alguma delas.

Por último, podem também surgir alguns casos em que doenças consideradas erradicadas há décadas ressurgem, apenas por falta de prevenção, tal como aconteceu por exemplo com a sífilis. Para estas situações, é necessário estar alerta!

Intolerâncias alimentares

Para além daquelas doenças do foro mental, por razões diversas, também outras mantêm o estatuto de doenças da moda, como é caso das intolerâncias alimentares.

Quando no nosso organismo se desencadeiam sintomas de inchaço e desconforto abdominal, indisposição geral difusa, intestino irritável e eventualmente enxaqueca, há fortes probabilidades de que isso possa significar estamos perante uma intolerância ao glúten.

Nos últimos 5 anos o glúten uma proteína com propriedades elásticas e adesivas, extraída do gérmen de cereais como o trigo, cevada e centeio, tornou-se no novo vilão dos alimentos, passando a estar associado, de um momento para outro, a sintomas como desconforto e inchaço abdominal, intestino irritável, indisposição geral e enxaqueca.

Segundo a Mintel (agência global líder de pesquisas de mercado, sediada em Londres), a identificação da patologia deu origem a que em 2015 cerca de 22 por cento da população dos EUA (o país das estatísticas), tivesse seguido uma dieta sem glúten, com tendência crescente por todo o ocidente. Estranhamente, os milhares de pessoas que descobriram ser intolerantes à proteína, que está presente em todos os alimentos que contenham trigo, centeio e cevada, sabem que desde os tempos mais remotos as sementes destas gramíneas fazem parte da dieta alimentar dos humanos, mas provavelmente desconhecem que é um elemento essencial como “ligante” dos alimentos.

Sendo uma proteína complexa, de difícil digestão, é normal que as pessoas se sintam melhor se deixarem de ingeri-la. Porém, ao contrário das alergias ou da doença celíaca (de todas, esta a mais grave quando não tratada), a intolerância ao glúten só tem diagnóstico clínico, mas não laboratorial.

Intolerância ao gluten

Por tudo isto, antes decidirmos erradicar o glúten da dieta, é recomendável que se consulte um médico especialista, já que a doença celíaca não é fácil de diagnosticar; muitas vezes somente é identificada após a ingestão de um qualquer alimento com glúten ocorrência que pode suceder em qualquer idade ou situação.

As pessoas que ainda não sabem se são intolerantes ao glúten, ao sentirem o desconforto caraterístico da doença após a ingestão de alimentos com glúten, deverão procurar um médico a fim deste avaliar se não serão potencialmente celíacas, evitando assim a exclusão da proteína da sua dieta, por autoavaliação, o que que pode atrasar ainda mais o diagnóstico.

Um outro tipo de intolerância alimentar, caraterizada por dores de barriga, gases, diarreia e indisposição geral, depois de ingerir leite ou comer um bolo de chocolate, pode ser indício de intolerância à lactose.

Intolerância à lactose

Com o avançar da idade a nossa capacidade para absorver este tipo de açúcar presente no leite vai diminuindo, podendo tornar-nos intolerantes aos alimentos que o contenham. Não se conhece a prevalência da patologia em Portugal, mas sabe-se que cerca de 70 por cento da população da Europa do sul sofre deste problema, cujo tratamento consiste em não ingerir alimentos com lactose ou em não ultrapassar as doses toleradas deste tipo de açúcar.

Há quem acredite que uma dieta sem lactose pode ajudar a emagrecer, o que não corresponde à realidade pois as quantidades de calorias dos leites com e sem lactose, equivalem-se. Por isso, uma das formas de contornar a intolerância à lactose é através do consumo da enzima lactase, responsável por quebrar as moléculas da lactase para permitir a digestão. Esta enzima está disponível no mercado sob a forma de comprimidos e, quando ingerida minutos antes da refeição, impede o desconforto caraterístico da intolerância.

Refluxo gastroesofágico

Outra doença da moda, porém muito comum em crianças, o refluxo gastroesofágico é o retorno de alimentos e ácidos do estômago até ao esófago e por vezes até à boca. Se, nos bebés pode ser causado pela incorreta posição durante a amamentação, alimentação excessiva, exposição ao fumo de tabaco, cafeína, anomalia do trato digestivo e intolerância ou alergia alimentar, nos adultos tem caraterísticas de doença adquirida, não podendo contudo confundir-se com a azia.

A azia é um sintoma ocasional que se associa a determinados comportamentos circunstanciais, enquanto o refluxo gastroesofágico é uma doença crónica que precisa de ser diagnosticada e tratada. É uma das doenças mais comuns do sistema digestivo que diz muito sobre a atual sociedade de consumo.

A insuportável sensação de ardência causada por uma falha de funcionamento do esfíncter que deixa passar o ácido gástrico e enzimas do estômago para o esófago, está na maioria dos casos relacionada com maus hábitos alimentares, excesso de peso, e elevados índices de stress. Estima-se que cerca de 80 por cento dos adultos em algum momento da vida irão ter queixas de refluxo, patologia cuja incidência tem vindo a agravar-se nas últimas décadas.

Ao contrário do estômago, que tem proteção natural contra o ácido que ajuda a digerir os alimentos, as paredes do esófago não estão preparadas para esse contacto agressivo da acidez, provocando inflamação na garganta, tosse e lesões mais graves como úlceras e esofagites, quando não tratadas atempadamente.

Refluxo gastroesofágico

O tratamento consiste essencialmente na alteração dos comportamentos e dos fatores de risco associados suscetíveis de provocar refluxo, como a obesidade, pelo facto desta aumentar a pressão no interior do abdómen e fazer com que o ácido expanda para o esófago. Os alimentos gordos, mais difíceis de digerir, bem como os que possam irritar o estômago, como por exemplo os picantes, o álcool e o café, deverão ser eliminados das refeições.

Caso as alterações de comportamentos e da dieta não bastem para controlar os sintomas, o médico pode prescrever fármacos designados por antiácidos, que neutralizam o ácido e proporcionam alívio rápido de sintomas como a azia, os que suprimem a sua produção, ou os que melhoram o movimento do trato digestivo.

Deficiência de vitamina D

É sabido que a vitamina D é um elemento fundamental para manutenção da saúde do sistema imunológico e da estrutura óssea, pois contribui para a absorção do cálcio no intestino. Aparentemente a deficiência deste elemento no organismo, não apresenta sintomas bem definidos ou aparentes, mas por certo os problemas ósseos estão muito provavelmente entre deles.

Vitamina D sol

Embora a vitamina D possa ser encontrada em alguns alimentos como carnes, ovos, peixes e frutos do mar como salmão, sardinha e mariscos, a forma mais eficaz de sintetizá-la é por meio da exposição diária aos raios solares, sem uso de bloqueadores, durante pelo menos 15-20 minutos, segundo os especialistas.

Pode considerar-se mais uma doença civilizacional adquirida, já que surge em consequência das rotinas do nosso dia-a-dia atual, passadas cada vez mais em ambientes fechados, sem o indispensável contacto com os raios solares.

Numa tentativa de “compensar” os desequilíbrios provocados por estes comportamentos contranatura, tem-se vindo a acentuar cada vez mais o recurso a suplementos alimentares, que segundo os especialistas estão longe de resolver o  problema.

Investigadores mais radicais especializados em Fotomedicina afirmam que nada substitui os raios solares, tendo recentemente introduzido na prática clínica o conceito de doseamento de exposição solar, defendendo que, em tese, o melhor horário para se expor ao sol seria entre 12h00 e 13h00, quando os níveis de radiação UVB necessários para a sintetização da vitamina, estão no seu máximo. Porém, como isso pode significar risco acrescido para o aparecimento de cancro de pele, é mais seguro é fazê-lo antes das 10h00, mas sem protetor solar.

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