A DIABETES, FANTASMA DA SOCIEDADE OCIDENTAL

  Tupam Editores

A glicose é uma das principais fontes de energia do nosso organismo. Porém, a acumulação de glicose no sangue, provocada por uma perturbação no funcionamento do pâncreas, poderá tornar-se fatal, uma vez que a energia não chega onde é necessária: às células.

Uma das consequências desta hiperglicemia sanguínea é a diabetes mellitus, que pode ser classificada em 4 subclasses: diabetes tipo 1, tipo 2, gestacional e insipidus.

A diabetes tipo 1 é uma patologia auto-imune que afecta, maioritariamente, crianças e adolescentes. Neste caso, o sistema imunitário destes indivíduos é o responsável pela destruição das células beta pancreáticas, tornando-os insulinodependentes.

Já a diabetes do tipo 2 é mais frequente em indivíduos adultos com mais de 40 anos. Derivando de história familiar, estes herdam uma propensão para a diabetes, que se alia a uma má alimentação, à falta de exercício físico e a uma vida cheia de stress. Os indivíduos com diabetes tipo 2 possuem um pâncreas saudável, capaz de produzir insulina. Porém, devido aos factores mencionados, a tendência para a produção de insulina é cada vez maior, levando o organismo a tornar-se insulinorresistente.

A diabetes gestacional, tal como o nome indica, caracteriza-se por uma intolerância à glicose durante a gravidez (gestação). Finalmente, a diabetes insipidus está relacionada com uma diurese excessiva. Contudo, nestes casos, o paciente não sofre nem de hiperglicemia nem de glicosúria.

A diabetes é uma das causas mais importantes de morbilidade e mortalidade em todo o mundo, ameaçando, no mínimo, 16 milhões de norte-americanos, 10 milhões de europeus e 500 mil portugueses.

Com o decorrer dos anos, os diabéticos podem desenvolver várias complicações, consequência de lesões nos vasos sanguíneos. Estes danos comprometem a alimentação dos tecidos e dos órgãos, deteriorando, assim, a qualidade de vida do doente.

Se os vasos médios e grandes forem atingidos, o paciente poderá vir a sofrer de macroangiopatias, hipertensão arterial e pé diabético. Se os vasos pequenos forem atingidos, o paciente poderá sofrer de retinopatia, nefropatia e neuropatia. Os doentes diabéticos poderão, igualmente, vir a sofrer de infecções e disfunção sexual.

Os cientistas estão determinados a encontrar um fim para este flagelo. Quer a nível privado, quer a nível estatal, todos juntam esforços para descobrir não apenas a cura, mas também fármacos e dispositivos que aumentem a qualidade de vida destes doentes.

No que diz respeito à melhoria da qualidade de vida dos diabéticos tipo 1, o desenvolvimento das bombas infusoras de insulina foi o começo de uma nova era, uma vez que a sua comercialização veio permitir que os diabéticos se autoadministrem insulina de uma forma quase indolor.

A mais inovadora bomba de insulina chega-nos dos laboratórios da Roche Diagnostics. A Accu-Chek Spirit funciona quase como um pâncreas artificial, administrando insulina a cada 3 minutos, durante as 24 horas do dia. Dispondo de três menus diferentes, este dispositivo permite ao utilizador programar a administração de insulina de acordo com as suas necessidades. Com a utilização deste dispositivo, o diabético apenas necessita de uma injecção de insulina de três em três dias.

Este dispositivos permitem, igualmente, que os doentes se tornem mais independentes, possibilitando uma participação cada vez mais activa na sociedade. Este facto contribui para o bem-estar dos doentes e uma satisfação cada vez maior a nível psicossocial.

O livro "No Pico da Liberdade", lançado no âmbito do dia Mundial da Diabetes, é a prova viva de que a diabetes é uma doença cada vez menos incapacitante. O livro relata as aventuras de sete jovens insulinodependentes que não obstante esse facto atingiram o topo do Kilimanjaro.

As inovações não se restringem apenas à área da diabetes tipo 1. O aumento da esperança e da qualidade de vida dos diabéticos tipo 2 também está a melhorar significativamente, devido aos extraordinários avanços da investigação farmacológica nesta área.

diabetes

Em 2004 foi aprovado o Exenatide, um fármaco que combate a diabetes a vários níveis. Nas experiências realizadas, o medicamento para além de ter reduzido os níveis de glicose no sangue, promoveu, igualmente, a perda de peso.

O Exenatide é o resultado de uma estimulante investigação sobre as hormonas no tracto gastrointestinal que afectam a diabetes e o peso. Os investigadores descobriram que a GLP-1 é uma substância-chave produzida no estômago que pode estimular a produção de insulina sem causar hipoglicemia.

Para desenvolver este fármaco, os especialistas escolheram a exendin-4, uma hormona presente na saliva do monstro-de-Gila, que possui características semelhantes à GLP-1 humana. O monstro-de-Gila é um lagarto que vive nos Estados Unidos cujo pâncreas está desligado a maior parte do tempo, pois apenas se alimenta quatro vezes por ano. Ele liberta a exendin-4 quando necessita de voltar a ligar este órgão.

Este ano, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou um novo medicamento, indicado para o tratamento da diabetes tipo 2, o Januvia. Este fármaco, o primeiro de uma nova classe, é um inibidor da DDP-4. A sua função é ajudar as proteínas a aumentar as reservas de insulina, após a elevação dos níveis de açúcar, nomeadamente após as refeições.

Uma equipa de investigadores do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia cubano desenvolveu um fármaco, o Citoprot-P®, para tratar as úlceras dos doentes diabéticos. Até ao momento, este é o único fármaco disponível para tratar as úlceras, evitando as amputações e, melhorando, substancialmente, a vida destes doentes. A sua eficácia foi comprovada em dois estudos clínicos que se revelaram um sucesso, pois num deles, 80% dos participantes puderam conservar os seus membros intactos.

Minimizar o impacto negativo da diabetes é uma das lutas dos investigadores. Deste modo, os estudos na área dos dispositivos, com o objectivo de facilitar a vida dos doentes, têm vindo a multiplicar-se.

Em Junho, chegou a Portugal o aparelho mais completo do mundo para medir a glicose. É pequeno, mas tem um visor e dígitos grandes, e permite realizar os testes de glicemia em qualquer lugar, uma vez que apenas é necessária uma pequena amostra de sangue.

A University of Maryland Biotechnology Institute está igualmente a desenvolver um dispositivo inovador, simples, prático e indolor: lentes de contacto sensíveis à glicose. Estas lentes contêm moléculas especiais sensíveis às oscilações dos níveis de glicose, possuindo um ponto transparente que muda de cor quando os níveis de glicemia do utilizador estiverem demasiado elevados ou baixos.

Há dois anos, uma empresa norte-americana, subsidiária da LG Electronics, lançou no mercado um telemóvel especialmente concebido para diabéticos, o KP8400. Este aparelho pode ler os níveis de glicose no sangue "através da colocação de uma pequena gota de sangue num plástico inserido na zona da bateria". Os resultados são enviados através de mensagem, na qual também estão incluídas algumas recomendações médicas. Por enquanto, o KP8400 só pode ser adquirido no canadá, Estados Unidos, Coreia e África do Sul.

Das Universidades de Tulane e de Graz chegam notícias desejadas por todos. A equipa da Universidade de Tulane conseguiu tratar as células pancreáticas de ratinhos, através do recurso a células estaminais. Já a equipa de investigação da Universidade de Medicina de Graz procurou restabelecer a produção de insulina dos doentes através do transplante de células pancreáticas de animais.

Os especialistas da Universidade de Graz fizeram incidir as suas experiências na realização de transplantes de ilhéus de Langerhans – a células que produzem insulina.

Há já alguns anos que cientistas de todo mundo procuram transplantar com sucesso o pâncreas ou os ilhéus de Langerhans. Porém, deparam-se com obstáculos difíceis de ultrapassar, tais como a rejeição do organismo e o escasso número de doadores. Porém, estes investigadores, ao isolarem os ilhéus provenientes de animais em microcápsulas de sulfato de celulose, impediram o contacto destes ilhéus com o sistema imunitário, vedando a possibilidade de rejeição, e permitindo a passagem das moléculas e das proteínas. Os investigadores acreditam que, desta forma, os humanos poderão voltar a produzir insulina.

Apesar destas maravilhosas conquistas, o caminho a percorrer ainda é longo e o futuro avizinha-se negro. Segundo a conceituada revista científica The Lancet, a produção excessiva de glicose é actualmente responsável pela morte de mais de três milhões de pessoas, três vezes mais do que em 2001, sendo 2,2 milhões vítimas de perturbações cardiovasculares e 960 mil da diabetes. Em 2025, prevê-se que 300 milhões de pessoas sofram deste flagelo, que poderá tornar-se numa das maiores epidemias mundiais da época contemporânea.

Para minimizar a incidência da diabetes, o seu combate deve começar por uma mudança de comportamentos, pois enquanto a sociedade ocidental mantiver o sofá e o hambúrguer com batatas fritas como seus melhores amigos, a incidência da diabetes, bem como de outras doenças metabólicas, será cada vez mais elevada.

A prática de exercício físico e uma alimentação equilibrada são condições indispensáveis para uma boa qualidade de vida, são as luvas de boxe necessárias para tornar o indivíduo mais apto para lutar contra este flagelo.

Apesar de as estatísticas serem alarmantes, a união de esforços, a começar pela população e a acabar nos médicos, permitirá iluminar o caminho e afugentar os fantasmas que nos atormentam.

Ver mais:
A DIABETES
DIABETES, EDUCAR PARA PREVENIR!
PÉ DIABÉTICO


ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
07 de Junho de 2017

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