COMO ACERTAR O SEU RELÓGIO BIOLÓGICO

COMO ACERTAR O SEU RELÓGIO BIOLÓGICO

DOENÇAS E TRATAMENTOS

  Tupam Editores

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Adaptar o ritmo do organismo humano ao meio em que está inserido, através de hábitos e rotinas, bem como entender e respeitar os horários do corpo, pode ser de extrema importância para a manutenção de uma vida saudável, manter uma boa digestão, dormir tranquilamente e prevenir vários tipos de doenças.

Na quase totalidade dos seres vivos, animais ou vegetais, ocorrem fenómenos periódicos ou cíclicos com o decorrer do tempo, como é o caso dos ritmos circadianos, que se expressam com períodos de cerca de 24 horas e têm como paralelo o dia e a noite ambientais, sendo influenciados principalmente pelas variações de luz, temperatura, marés e ventos.

O termo circadiano, provém da designação latina “circa diem” que significa “cerca de um dia”. Sabe-se que em sua maioria os ciclos circadianos são controlados por um núcleo de neurónios situados na parte central do hipotálamo na base do cérebro, denominados núcleos supraquiasmáticos (NSQ), que por sua vez estão sob controle temporal de agentes sincronizadores como a luz, que é recebida do meio ambiente através dos olhos.

Agindo em sincronia com a cadência das leis naturais, o ritmo circadiano regula todos os ritmos materiais do corpo humano, bem como muitos dos ritmos psicológicos com influência sobre, por exemplo, o estado de vigília e sono, a digestão, o apetite, pressão sanguínea, a cadência de renovação celular e o controle de temperatura do organismo.

Desrespeitando muitas vezes os nossos ritmos biológicos quando o nosso organismo sinaliza que estamos cansados ou com sono e ainda assim seguimos teimosamente em frente, ultrapassando todos os sinais de aviso, na ânsia de chegar cada vez mais longe na busca de algo que vai ficando cada vez mais distante, dado que se repete sistematicamente, estamos a prejudicar a nossa saúde.

Quando esta conduta se torna rotina, a prática pode ser muito prejudicial para a saúde, desencadeando stresse, irritabilidade elevada, baixa capacidade criativa e ansiedade persistente, além de causar graves distúrbios no sono, como foi demonstrado por Michael W. Young, um dos três cientistas de um grupo que estudou o funcionamento dos mecanismos moleculares que controlam o ritmo circadiano e que foram distinguidos com o Prémio Nobel de Medicina em 2017 pelas suas investigações do relógio biológico.

De entre muitos outros fatores, a vida na Terra depende do seu movimento de rotação. Durante muitos séculos pensou-se que todos os organismos vivos, incluindo os humanos, possuíam um relógio biológico interno que lhes permitia antecipar e adaptar ao ritmo regular do dia, porém desconhecia-se o seu funcionamento, designadamente os mecanismos subjacentes que fazem com que as plantas, animais e humanos adaptem o seu ritmo biológico por forma a sincronizá-los com as revoluções do Planeta.

Ao conseguirem isolar o gene que controla o ritmo biológico diário, usando como modelo moscas da fruta, os laureados demonstraram que este gene codifica uma proteína que se acumula na célula durante a noite e se degrada durante o dia. A identificação posterior de componentes adicionais desta proteína, vieram revelar o mecanismo que controla o relógio autossustentável no interior da célula, sendo atualmente reconhecido que os relógios biológicos funcionam de acordo com os mesmos princípios das células de outros organismos multicelulares, incluindo humanos.

O relógio interno humano é responsável por readaptar, com grande precisão, o funcionamento do nosso organismo a fases dramaticamente diferentes do dia, regulando as suas funções críticas, como o comportamento, sono, níveis hormonais, temperatura corporal e metabolismo.

Quando se dá uma dessincronia entre este relógio bioquímico e o ambiente externo, por exemplo ao atravessarmos fusos horários diferentes, confrontamo-nos com uma sensação de cansaço e apatia que é designado por jet lag. Persistem também indicações de que um desfasamento crónico entre o nosso estilo de vida e o ritmo ditado pelo organismo pode estar ligado a um aumento do risco de diversas doenças.

Aprender a escutar o ritmo do organismo

Alguns dos problemas que mais afetam o nosso bem-estar e que mais interferem com a nossa saúde podem ser atenuados ou eliminados, se aprendermos a decifrar os sinais emitidos pelo nosso organismo.

Reconhecer a existência de leis naturais, entender o seu funcionamento e viver em harmonia com estas leis é importante para garantir a nossa longevidade, pois o funcionamento universal é perfeito na sua lógica e periodicidade e por isso é sábio saber viver em sincronia com os seus ritmos naturais, seguindo a sua cadência, pois com isso estamos a adicionar leveza à nossa existência, aliviando alguns fardos desnecessários dos nossos ombros.

Dificuldades de concentração, irritabilidade, stresse, insónias, apatia, dores de cabeça, sonolência durante o dia e sensação de fadiga, são os problemas mais comuns que afetam o dia-a-dia de cada vez mais pessoas em todo o mundo, havendo evidência de que podem ter origem em distúrbios do ritmo biológico. É de facto cada vez mais consistente entre a comunidade científica, a hipótese de o ritmo acelerado de vida atual perturbar o ciclo de cerca de 24 horas programado no nosso organismo, dando origem a uma espécie de síndrome de jet leg com origem social.

A boa notícia é que está hoje ao nosso alcance conhecer os mecanismos deste relógio interno, o que nos permite adotar medidas eficazes para sintonizarmos com ele as diferentes áreas de atividade de nossas vidas, como defendem muitos especialistas nacionais e internacionais, permitindo-nos viver melhor.

Todas as pessoas têm ritmos biológicos e preferências diferentes no que toca ao sono e à atividade, diferenças que são designadas por cronotipos e que embora sejam regulados pelo ritmo circadiano, tanto sofrem variações genéticas nos genes como influências ambientais, como defendem os investigadores na área da cronobiologia, ciência que estuda os ritmos biológicos que se repetem com periodicidade conhecida.

Os pré-adolescentes, por exemplo, tendem a adormecer tarde e sentem dificuldade em levantar-se cedo, enquanto a maioria das mulheres, a partir dos 55 anos e dos homens a partir dos 60, sentem sono mais cedo e não lhes custa sair da cama pela manhã.

Cada indivíduo tem predisposição natural para sentir picos de energia ou cansaço em função da hora do dia, sendo essa a razão por que algumas pessoas são mais ativas durante o dia e outras à noite. É em função das fases de produção da melatonina, a hormona responsável pela administração dessa energia e que também induz o sono durante a noite, que as pessoas apresentam diferentes cronotipos.

Estima-se que cada um dos cronotipos matutino e vespertino constituam cerca de 25% da população e o cronotipo intermediário, corresponda aos restantes 50% da população.

Se soubermos viver em sintonia com as leis universais e respeitarmos o nosso próprio ritmo, podemos ir mais longe, aceitarmo-nos como somos e ficar em paz com nós próprios e com tudo o que nos rodeia.

Algumas dicas a seguir para regular o ritmo circadiano e corrigir hábitos, passam por definir uma hora certa para acordar, expor-se à luz solar diariamente logo após se levantar, manter uma dieta saudável regularmente evitando refeições fartas ao fim do dia, praticar exercício com regularidade, evitar as sestas ao cair da tarde e cafeína, álcool e tabaco à noite.

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