PISCINAS, HIDROTERAPIA... NATAÇÃO

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PISCINAS, HIDROTERAPIA... NATAÇÃO

  Tupam Editores

Não é de hoje a nossa relação íntima com a água. Do embrião ao nascimento, fomos desenvolvidos em ambiente líquido; a primeira atividade física da criança é a natação; o corpo humano adulto possui cerca de 65 por cento de água; e quando pensamos no paraíso, dificilmente deixará de estar presente no nosso imaginário uma praia com mar azul turquesa ou uma piscina infinita de beleza estonteante, cujas águas cristalinas e refrescantes nos dão aquela sensação de bem-estar físico e mental que incessantemente buscamos.

Desde a época romana, que o homem concebeu diversos reservatórios de água para aproveitar os seus benefícios sem ter de recorrer aos rios, lagos, oceanos ou outros meios naturais.

Na realidade, nas casas romanas, antes de se dar início às práticas da natação, as piscinas eram destinadas à criação de peixes – sendo um verdadeiro "viveiro de peixes". Aliás, a palavra "piscina" deriva do latim pisces, que significa peixe.

De acordo com pesquisas sobre o tema, os primeiros relatos encontrados referentes à utilização da piscina pelos seres humanos foram encontrados nas pirâmides do Antigo Egipto que remontam a 2500 a.C. Embora sejam relatos muito antigos, são os que mais se aproximam da definição atual de uma piscina. Estavam ligadas à decoração, eram luxuosas e possuíam designs deslumbrantes.

Durante a Idade Média, com a difusão do Cristianismo, as piscinas eram utilizadas para rituais de batismo, onde as pessoas eram mergulhadas para purificação. Com o tempo, as piscinas ou tanques das igrejas tornaram-se menores, transformando-se em pias batismais, mas a prática religiosa conquistou o gosto popular e os tanques foram adaptados ao lazer e à diversão.

piscina

No século XVII já existiam balneários com piscinas públicas, mas a água não era tratada. Sem cloro, sem filtração e sem proteção, os banhistas ficavam expostos a inúmeras doenças. O tratamento das piscinas surgiu com a evolução da natação, com a criação dos estilos de natação (crawl, mariposa, costas, bruços) e a necessidade de os aperfeiçoar. Os praticantes começaram, então, a exigir higiene, piscinas maiores e privacidade para os treinos.

Nos últimos anos tem-se assistido a uma crescente utilização de piscinas por indivíduos de todas as idades, desde bebés a idosos, devido à importância generalizada da atividade desportiva como fator de bem-estar físico e como promotora da saúde.

Praticar saúde na piscina

As piscinas são instalações de dimensões muito variáveis e com objetivos diferentes. Existem as piscinas pequenas para uso particular familiar, as de condomínios e as de maior dimensão como as municipais ou de agrupamentos desportivos para uso coletivo.

Independentemente do seu tamanho, além dos momentos de diversão e lazer que se pode usufruir numa piscina, os benefícios para a saúde são múltiplos.

Os que apenas utilizam a piscina para se bronzearem ou dar um refrescante mergulho, não sabem o que perdem. Na verdade basta apenas meia hora de atividade física dentro de água para que se sintam mais leves, banindo o stress e esquecendo os problemas do dia-a-dia.

O contacto com a água é relaxante e aliado ao exercício aumenta a autoestima e cria uma agradável sensação de bem-estar, no entanto, a maior vantagem é o facto de a atividade física na água melhorar a resistência do organismo.

O princípio é simples: a resistência exercida pela água durante o exercício é maior do que a exercida pelo ar, logo os esforços são intensificados e os resultados aumentados. O praticante acaba por ganhar condicionamento e tem a impressão de que faz menos esforço do que faria fora de água, devido à diminuição do impacto com o solo. A redução do impacto diminui ainda consideravelmente a ocorrência de lesões, pois a pressão hidrostática permite mais estabilidade e controle das articulações.

aquafitness

Na verdade, o que acontece é que a densidade da água intensifica a atividade, provocando um maior gasto calórico, observando-se perda de peso. Ao mesmo tempo, melhora-se a capacidade cardíaca e postural, dá-se um aumento do tónus muscular e ganha-se força e flexibilidade.

As atividades físicas no meio aquático têm vindo a ganhar adeptos e as opções de treino também aumentaram. A hidroginástica é uma das mais conhecidas e praticadas, e combina momentos de relaxamento com exercícios musculares, que trabalham o corpo de forma integral e auxiliam no funcionamento de órgãos como os pulmões e o coração.

A hidroterapia, também conhecida como fisioterapia aquática, consiste em exercícios terapêuticos realizados, normalmente, numa piscina de água aquecida com o objetivo de auxiliar na reabilitação física e motora de pacientes lesionados. A fisioterapia na água já é utilizada no tratamento de desvios posturais (escoliose, lordose, etc.) e na melhora da marcha, em casos de dificuldade respiratória, problemas neurológicos e ortopédicos, dentre outros.

hidrobike

Hidrobike é uma modalidade que usa uma bicicleta especial, fabricada com material antiferrugem, adaptada para funcionar em ambiente aquático. A modalidade melhora a circulação sanguínea, trabalha a condição cardiorrespiratória, ajuda na regeneração física, tem impacto zero nas articulações, auxilia no alongamento muscular e é de fácil aceitação pelos sedentários, pois é um exercício divertido.

Os benefícios da natação são sobejamente conhecidos, mas destaca-se o facto de ser óptima para aumentar a longevidade, a força e tónus muscular, tornar o corpo mais flexível, melhorar a saúde do coração, queimar calorias e controlar o peso, controla o colesterol e reduz o risco da diabetes, e é benéfico para doentes com artrite.

Todavia, ainda que possa parecer, nem tudo são benefícios no interior de numa piscina, estando estes dependentes de vários fatores que, se não forem cuidadosamente tidos em consideração, põem em risco a saúde pública.

Os perigos escondidos nas águas das piscinas

Tanto as piscinas públicas como as privadas têm maior utilização nos períodos mais quentes de primavera e verão quando a temperatura e o clima estão mais favoráveis para a sua utilização.

Basicamente o que se pretende de uma água de piscina é que seja límpida, sem contaminantes químicos e isenta de microrganismos patológicos, para "resguardar" a saúde dos seus utilizadores, o que nem sempre acontece.

Numa piscina podemos encontrar perigos físicos, químicos e biológicos que de alguma maneira podem afetar a saúde pública em maior ou menor grau. Entre os perigos físicos salienta-se o afogamento, lesões, acidentes por queda ou perda de equilíbrio e cortes. Estes podem ocorrer acidentalmente por descuido dos utilizadores da piscina e, na maior parte das vezes, podem ser evitados.

Nos perigos químicos estão as substâncias adicionadas ao tratamento da água da piscina ou produtos que possam ser usados pelos utilizadores. Este tipo de perigos ocorre com maior frequência que os físicos, pois são produto do mau funcionamento dos equipamentos de tratamento ou por falta de prática do operador de tratamento da água.

O errado doseamento das substâncias necessárias ao tratamento da água e o simples facto de os utilizadores da piscina poderem usar substâncias como bronzeadores, cremes, gel e outros produtos de higiene pessoal ao entrarem na piscina, sem previamente passarem pela água no chuveiro, tendem a degradar mais rapidamente a qualidade da água, pondo em risco os restantes utentes. Este problema torna-se ainda mais relevante nas piscinas privadas, e está sempre dependente das boas práticas dos utentes. Para além disso, a qualidade da água da piscina depende do tratamento e higienização bem como dos cuidados tidos. Sem tratamento de águas tornar-se-ia muito perigoso o uso das piscinas. Os tratamentos a considerar são a filtração, a desinfeção e o acerto do pH.

A água da piscina deve estar a ser filtrada continuamente a fim de retirar as partículas sólidas, podendo para o efeito ser adicionados agentes de floculação, e utilizando para isso vários equipamentos, como filtros, doseadores, medidores, e aspiradores.

Para além de um sistema de filtragem a funcionar a 100 por cento, manter uma piscina limpa, higiénica e apelativa requer um equilíbrio perfeito entre a água e os produtos químicos que nela são aplicados. Ao contrário, uma piscina com água não tratada pode apresentar um sem número de problemas: a água pode apresentar-se escura e turva; pode ocorrer desenvolvimento de bactérias nocivas para a saúde e o desenvolvimento de algas que, para além de ser esteticamente desagradável, também pode originar a formação de bactérias prejudiciais; uma água quimicamente desequilibrada pode danificar a própria piscina.

O pH da água é uma medida do seu equilíbrio total, ou seja, a proporção relativa de ácidos e bases na água. Na piscina o pH deve ser controlado diariamente de modo a manter-se entre 7,0 e 7,6. Para alterar o pH, devem acrescentar-se ácidos ou bases à água da piscina. Por exemplo, a inclusão de carbonato de sódio ou bicarbonato de sódio (fermento em pó) fará aumentar o pH e a adição de ácido clorídrico fará diminuir o pH.

No que respeita à desinfeção, o desinfetante de piscina mais popular é o elemento cloro, na forma de compostos químicos como hipoclorito de cálcio (sólido) ou hipoclorito de sódio (líquido).

Se os tratamentos da água da piscina e seus apoios não forem os adequados, podem originar o desenvolvimento de microrganismos, os chamados riscos biológicos.

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Entre as espécies de microrganismos que podem desenvolver-se nas piscinas e causar problemas de saúde ao homem salientam-se as bactérias (Eschericha coli, Legionella spp, Shigella spp, Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus), os fungos (Trichophyton spp e epydermophyton floccosum)e os protozoários (Giardia spp e Cryptosporidium spp). Embora com menor frequência, pode ainda ocorrer a presença de vírus como adenovírus, vírus da hepatite A, papiloma vírus e ecovírus.

A presença destes microrganismos pode causar doenças no homem se o tempo de exposição aos mesmos for elevado ou a sua quantidade considerável.

As bactérias podem causar doenças como otites, sinusite, meningite, doença do legionário ou outras inflamações que têm como sintomas diarreia, náuseas e febre, entre outros. Os protozoários podem causar otites, conjuntivites, rinites, faringites, entre outras, e os fungos podem originar micoses diversas em vários locais do corpo ou infeções específicas.

Os problemas, contudo, não se ficam por aqui. Os produtos químicos e a sua concentração –, utilizados para fazer o tratamento da água também podem causar algumas patologias (irritação das vias respiratórias e mucosas, e irritação dos olhos), ou reações de hipersensibilidade aos utilizadores da piscina. A sintomatologia fica a dever-se à inalação, ingestão e contacto com a própria água, e dependem do grau de sensibilidade do organismo de cada um aos produtos, mas também da sua idade e estado de saúde.

Afortunadamente, tanto os riscos químicos como biológicos das piscinas podem ser prevenidos. A solução é apostar numa boa e adequada desinfeção da água, lavagem dos filtros, limpeza e vigilância dos equipamentos.

Adicionalmente, também a qualidade da água das piscinas é fortemente influenciada pela higiene dos seus utilizadores, principalmente em piscinas públicas. Assim, para minimizar muitos dos riscos escondidos, devem ser tomadas medidas que os obriguem a cumprir algumas normas específicas, como por exemplo:

— Usar touca para o cabelo, fato de banho e calçado adequado nos locais próprios;

— Tomar um duche antes de entrar na piscina de modo a eliminar qualquer vestígio de suor, urina, matéria fecal, cosméticos, óleos bronzeadores e outros potenciais contaminantes;

— Utilizar as instalações sanitárias antes de entrar na piscina para minimizar a libertação acidental de urina e matérias fecais;

— Passar obrigatoriamente pelo lava-pés para evitar a proliferação de bactérias e eliminar as fontes de contaminação;

— Indivíduos com gastroenterites e infeções na pele não deverão frequentar a piscina enquanto se mantiverem doentes, só podendo fazê-lo uma semana após a cura;

— Se forem admitidos na piscina bebés e crianças pequenas (que não saibam usar os sanitários), estes devem usar fraldas de banho impermeáveis com capacidade para conterem toda a urina e fezes involuntariamente libertadas.

natação

Para além destes cuidados, também é importante evitar a entrada de animais nas piscinas, sejam elas públicas ou privadas. No caso das piscinas cobertas, é fundamental haver uma boa ventilação do ar e seu adequado tratamento.

Se forem tidos em consideração todos estes cuidados, a frequência de uma piscina só trará benefícios para a saúde. Até porque a água é um excelente condutor de energia e permite aos seus praticantes uma sensação de prazer e bem estar na realização dos exercícios, independentemente do objetivo da prática aquática.

A água simboliza prazer, bem-estar, tranquilidade, espaço, liberdade, facilidade de movimentos, ausência de gravidade, equilíbrio ou brincadeira. Ao ser um espaço de experiências motoras e sensoriais permite a superação, o autoconhecimento, o contacto e a comunicação, assim, não deixe de aproveitar todos estas sensações. Vá até uma piscina e deleite-se!

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