ESCOLIOSE

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ESCOLIOSE

  Tupam Editores

Afecta cerca de quatro por cento de crianças entre os 10 e 14 anos, sendo conhecida desde os tempos da Grécia antiga, mas as suas causas, até ao momento, permanecem num mistério. Contudo, esta curvatura tão pouco natural da coluna preocupa pais e médicos que alertam para o diagnóstico precoce como forma de evitar maiores problemas

A escoliose caracteriza-se pelo aparecimento de desvios anormais na coluna no plano frontal, para a esquerda ou para a direita, tanto na parte torácica como na lombar, o que origina o chamado formato em S ou em C. A doença pode ocorrer de forma isolada ou em combinação com a cifose, uma curvatura da coluna vertebral que provoca o arqueamento das costas na região superior e que leva ao aparecimento do que vulgarmente se chama "corcundez". Esta última situação denomina-se cifoescoliose e pode ocorrer associada à tuberculose óssea ou a alguma doença neuromuscular. Mas também pode surgir uma curvatura anormal na região abaixo do tórax, na região lombar, sendo a curva côncava e que dá pelo nome de lordose.

Esta patologia, que se manifesta na adolescência, afecta sobretudo crianças do sexo feminino e tem tendência a evoluir até ao final do crescimento físico, sendo que a maioria dos casos são detectados entre os 10 e os 12 anos, embora a deformação se inicie entre os 5 e os 8 anos.

Apesar dos avanços verificados durante os últimos 30 anos, a origem deste problema anatómico continua desconhecida, correspondendo neste caso a uma escoliose idiopática, que pode ser classificada conforme a idade em que surge: escoliose idiopática infantil (menos de 3 anos), juvenil (entre 3 e 10 anos) e adolescente (superior a 10 anos). A escoliose idiopática é a mais frequente. Abrange cerca de oitenta por cento dos casos, embora outros factores possam estar na origem da escoliose como os congénitos (relativos a uma má formação vertebral à nascença) ou os neuromusculares, diagnosticados como consequência de uma doença neurológica (poliomielite, paralisia cerebral ou espina bífida). Por outro lado, a doença pode também desenvolver-se numa idade avançada, associada a problemas de artroses, denominando-se, neste caso, escoliose degenerativa.

De referir que as últimas investigações sobre a doença permitiram identificar um gene, conhecido por CHD7, que pode ser responsável pela escoliose idiopática, para a qual ainda não há causa conhecida. Contudo, os investigadores da Escola de Medicina da Universidade Washington, em Saint Louis, que participaram neste estudo acreditam que, apesar do papel desempenhado pelo CHD7, muitos outros genes podem também estar envolvidos e que actuam em conjunto com o ambiente para o aparecimento da patologia.

Normalmente, as escolioses idiopáticas não estão associadas a nenhum sintoma específico, o que torna a sua detecção mais difícil, ao contrário das outras formas secundárias que, para além da deformação que causam, podem provocar dor, como ocorre com as fracturas e tumores, ou ainda originar perda de força e massa muscular, como no caso das escolioses neurológicas.

Contudo, alguns sinais podem ser observados na criança, indicando aos pais se devem consultar, atempadamente, o especialista: cabeça e pescoço inclinados; ombros desnivelados ou a omoplata mais proeminente; um lado da anca mais elevado ou uma perna mais curta, para além de dores de costas frequentes. Mas não apenas os problemas estéticos se mostram preocupantes. Associados à doença também podem ocorrer problemas funcionais por pressão de diversos órgãos, originando disfunções cardíacas e respiratórias.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico, numa primeira fase de despiste, tem como base a inspecção corporal e é realizado por um ortopedista. Como qualquer outra patologia, a história clínica é relevante e nela deve constar a altura em que se manifestaram os primeiros sinais da doença, assim como a evolução até ao momento. Importante também é conhecer os antecedentes familiares. Em alguns casos, a escoliose é hereditária e se já foi detectada em algum membro da família, a probabilidade de surgirem novos casos aumenta cerca de vinte por cento.

escoliose

Por outro lado, o especialista deve descartar aquilo que se considera atitude escoliótica, que não apresenta nem gibosidade nem rotação vertebral, e é consequência de maus hábitos posturais, podendo desaparecer com a adopção de posturas mais correctas na horizontal. Também algumas escolioses com causa bem definida podem ser despistadas, através de exames neurológicos, como as escolioses provocadas por paralisia cerebral, tumores, distrofias musculares ou síndromas específicos como o de Marfan, Rett ou Ehlers-Danlos.

As suspeitas de escoliose associada ao crescimento confirmam-se através de radiografia ao corpo inteiro (teleradiografia), assim como por meio de exames de fotometria, ou seja, através de um vídeo onde é elaborado um registo tridimensional de sombras com recurso ao computador.

No diagnóstico o ortopedista avalia o número de curvas e pode também proceder, através de um escoliómetro, à medição do grau de rotação de cada uma, para além de poder detectar se eventualmente o paciente atingiu a fase final de crescimento.

Após o diagnóstico, o especialista determina o tratamento mais indicado, que varia de caso para caso e pode passar pelo encaminhamento para a fisioterapia quando se tratar apenas de uma atitude escoliótica equivalente a curvas inferiores a 20º. Contudo, em presença de uma escoliose evolutiva associada ao crescimento, a solução poderá passar pela utilização de colete, o que implica, para além de desconforto físico, problemas emocionais e psicológicos. A selecção do aparelho ortopédico, assim como o seu modo de utilização, depende das características específicas de cada curvatura, sendo que estes não são aconselhados nos casos de escoliose congénita ou neuromuscular, pois não apresentam quaisquer resultados significativos.

Em situações muito avançadas, não passíveis de corrigir com a utilização do aparelho, aconselha-se a cirurgia, sendo sempre o último recurso. Tudo depende da causa da escoliose, do tamanho e da localização da curva, assim como do seu grau de desvio, sendo os mais graves aqueles que são superiores a 50º e para os quais apenas a cirurgia se apresenta como única opção. Neste caso, o cirurgião tenta corrigir a curva anormal através da união das vértebras mediante enxertos ósseos e a utilização de barras metálicas. Antes da operação deve considerar-se a estatura do doente, bem como a sua idade, pois como resultado da cirurgia o crescimento poderá ficar comprometido. Por outro lado, dever-se-á estar atento a possíveis complicações com a cirurgia; apesar dos riscos serem mínimos, o problema mais sério que pode surgir está associado ao risco de paraplegia.

A pseudoartrose, que ocorre quando a consolidação óssea não foi efectivada devido a uma ruptura do material implantado, é outra complicação. Embora pouco frequente, deve ser prevista pelo cirurgião antes da cirurgia. Da mesma forma, a ocorrência de infecções agudas, sendo raras nas curvas idiopáticas, podem levar a situações de urgência em que se deve identificar prioritariamente, não apenas o germe envolvido, como também o tratamento antibiótico mais adequado.

Um outro procedimento menos invasivo, e que é indicado para casos moderados (desvios entre 25º e 50º), é a chamada electroestimulação. Consiste na aplicação de pequenas descargas eléctricas que procuram estimular a musculatura à volta das vértebras, facilitando o movimento.

Detecção precoce condiciona o prognóstico

A prática de exercício físico, como a natação ou ainda sessões de alongamentos, relaxamento e fortalecimento muscular, podem ser benéficos no sentido de promover o equilíbrio corporal e a adopção de posturas mais saudáveis. Contudo nenhum tratamento terapêutico se revelou eficaz a cem por cento na correcção da escoliose, sendo que a maior parte tenta conter o avanço da doença e controlar a progressão das curvaturas. Daí a importância do diagnóstico precoce como forma de evitar que a doença evolua até uma fase em que se torne degenerativa e irreversível, podendo afectar mesmo os membros inferiores.

A participação de pais, médicos e professores, nomeadamente de Educação Física, é primordial para a detecção precoce. Quanto mais cedo se identifica a doença melhor poderá ser o prognóstico, apesar de ser uma patologia em que pouco há a fazer no que se refere a métodos de prevenção, uma vez que a sua origem permanece ainda um mistério.

ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
02 de Maio de 2017

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