ANIMAIS TERAPEUTAS

  Tupam Editores

O potencial terapêutico do contacto com os animais é, há muito, reconhecido e até recomendado por especialistas.

A zooterapia, mais commumente conhecida por Terapia Assistida por Animais (TAA), é praticada desde a antiguidade, altura em que os animais eram presença frequente nos pátios das instituições psiquiátricas e de saúde, aligeirando a estadia e contribuindo para o bem-estar dos pacientes.

Nas duas últimas décadas, houve em todo o mundo um notável incremento do uso de animais como aliados terapêuticos nas mais diversas áreas da saúde. Na TAA o animal é a parte principal do tratamento, e o homem um coadjutor.

Mas nem todos os animais nasceram para ser terapeutas, por assim dizer, um animal terapêuta deve ser calmo, controlado, previsível e inspirar confiança na pessoa com quem está a interagir, deverá sustentar o olhar das pessoas, ser amigável, gostar de ser acariciado, tocado e abraçado, mantendo-se calmo perante movimentos bruscos e ruído elevado, quando alguém se aproximar por trás pode revelar curiosidade mas não se deve assustar, rosnar, saltar ou mostrar medo.

Um animal que rosne, fuja, demonstre impaciência ou seja nervoso não servirá para trabalhar. Se não interage, não poderá ajudar ninguém.

Entre nós a TAA começa a ser uma aposta forte, aplicada, por exemplo, em crianças com autismo ou síndrome de Down, e no acompanhamento a idosos e adultos jovens com problemas diversos, quer funcionais, psicológicos, ou que, simplesmente, se sintam sozinhos.

Para além das várias faixas etárias, a TAA pode ser aplicada em diferentes locais, como hospitais, ambulatório, casas de repouso, escolas, clínicas de fisioterapia e de reabilitação.

Cão e criança - terapia

As atividades – previamente agendadas e com duração de, no máximo, uma hora – podem ser individualizadas ou em grupo, com periodicidade semanal ou quinzenal, e são geralmente em intervalos definidos.

A sua prática pressupõe a atuação e/ou supervisão de uma equipa interdisciplinar, que varia de acordo com o animal empregado. Conforme o caso, após o treino necessário, poderão participar da equipa profissionais de saúde como: médico, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo e fonoaudiólogo; da área sócio educacional: pedagogo, educador especial, educador físico e assistente social; da área do trato animal: médico veterinário, zootecnista, instrutor de equitação, auxiliar guia e tratador.

Dadas as suas características comportamentais e morfológicas, os animais de eleição para este tipo de programas são o cão (Cinoterapia) e o cavalo (Equoterapia), embora também se utilizem burros (Asinoterapia) e golfinhos (Delfinoterapia), entre outros animais.

Cinoterapia, a ajuda dos cães

Os cães são dos animais mais usados em terapia humana. O tipo de comportamento, a facilidade para o treino e os custos, são alguns dos elementos que favorecem a utilização desta espécie.

Os cães são utilizados como um agente facilitador pois a sua presença permite que o paciente aceite as restantes atividades com mais facilidade, acelerando assim a intervenção terapêutica. O terapeuta baseia-se na relação entre o paciente e o animal para direcionar o tratamento previsto.

As áreas da saúde que neste momento utilizam este tipo de abordagem são a Psicologia, a Fisioterapia, a Pedagogia, a Psiquiatria e a Terapia da fala.

Qualquer raça pode ser coterapeuta, cães sem raça definida e até raças vistas como más, como o Rottweiler, que pela sua autoconfiança e autodomínio é um excelente animal de apoio.

No entanto, a excelência no temperamento e sociabilidade fizeram do Labrador e do Golden Retriever as raças ideais para estas atividades terapêuticas.

O cão é um coterapeuta no tratamento físico, psíquico e emocional de pessoas com necessidades especiais. A terapia tem como objetivo ajudar os pacientes a realizar atividades lúdicas que estimulam o equilíbrio, a fala, a expressão de sentimentos, a imaginação e o autoconhecimento, utilizando o cão como um mediador de todo o processo.

Cinoterapia - hospital

Os benefícios são inúmeros em todas as idades e circunstâncias. Todavia, no caso dos idosos, das crianças e de pessoas com transtorno global do desenvolvimento (autismo, síndrome de Rett, síndrome de Asperger, síndrome de Heller, entre outros), síndrome de Down, deficiência mental e disfunção neuromotora, os resultados são mais satisfatórios.

Resumidamente, alguns dos benefícios da terapia assistida pelos cães são: estimular a interação social; facilitar a comunicação e o vínculo com o terapeuta; aumentar a autoconfiança e a autoestima; aumentar a capacidade motora, cognitiva e sensorial; facilitar a compreensão de conceitos; facilitar o processo de aprendizagem através da expressão de sentimentos e da motivação, e melhorar o sistema imunológico, entre outros.

Equoterapia, a ajuda dos cavalos

A Equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo numa abordagem interdisciplinar, nas áreas da saúde, educação e equitação, que tem como objetivo o desenvolvimento físico, psicológico e social de pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais como paralisia cerebral, síndrome de Down e outras, lesão medular, doença de Parkinson, microcefalia ou macrocefalia, amputações, poliomielite, esclerose múltipla, tetraplegia, distúrbios psicossociais (autismo, alterações comportamentais), distúrbios emocionais (insónias, ansiedade e stress), depressão, hiperatividade, entre outras.

Equoterapia

Esta técnica pode ser dividida em Hipoterapia e Equitação terapêutica. A Hipoterapia utiliza-se em pessoas com disfunções neuromotoras e sensomotoras e a Equitação terapêutica em pessoas com disfunções psicomotoras e sociomotoras.

O cavalo é usado como instrumento cinesioterapêutico, ou seja, permite a reabilitação funcional através de movimentos ativos e passivos. A terapia tem como base o movimento tridimensional do dorso do cavalo e os movimentos multidirecionais durante o movimento e ritmo do seu passo.

Os deslocamentos da cintura pélvica produzem vibrações nas regiões osteoarticulares sendo estas transmitidas ao cérebro, via medula, provocam uma melhoria do controle postural e do equilíbrio do praticante, fortalecem as funções psicomotoras e possibilitam melhorias na coordenação motora e na rapidez dos reflexos.

O elemento chave é o passo do cavalo que reproduz na perfeição o andar humano. Ao andar, o cavalo faz com que o praticante realize movimentos como se estivesse a caminhar.

Os benefícios são muitos: a nível físico permite o desenvolvimento do equilíbrio, a noção de espaço e postura e a tonificação da musculatura; a nível psicológico aumenta a autoestima, a confiança e autonomia, desenvolve a sociabilidade, diminui a agressividade e a intolerância à frustração; e a nível cognitivo permite um aumento do vocabulário das crianças e a estimulação da atenção seletiva e concentração.

Asinoterapia, a ajuda dos burros

A Asinoterapia é muito semelhante à Equoterapia mas aqui o animal utilizado é o asno. Graças às qualidades que possui, o burro é atualmente muito utilizado como coterapeuta.

De temperamento dócil, o jumento é um animal paciente, atento, curioso, inteligente, dotado de excelente memória, fisicamente robusto e estável a nível físico e emocional e movimenta-se com lentidão e segurança.

Através da Asinoterapia recorre-se a técnicas que permitem a educação ou reeducação do paciente, com o objetivo de fazer com que este ultrapasse, o quanto possível, danos motores, sensoriais, cognitivos, afetivos e/ou comportamentais.

Asinoterapia

Assim, promove um desenvolvimento biológico, psicológico e social às pessoas com necessidades especiais, melhorando as suas funções neurológicas e sensoriais.

Nesta técnica há um aumento da capacidade e do desejo de relacionamento, um incremento das interações nas atividades de grupo do doente/utente, e a criação de relações de amizade e aumento das vivências afetivas.

Delfinoterapia, a ajuda dos golfinhos

Apesar de pouco utilizada em todo o mundo, esta terapia possui dois elementos chave: a água e os golfinhos.

Animais bastante curiosos, os golfinhos investigam tudo o que lhes pareça diferente, nomeadamente qualquer diferença a nível dos tecidos humanos, isto é, através de ultrassons, estes incríveis animais conseguem detetar desde o cancro a deficiências mentais.

Ao emitirem ultrassons, estes penetram nos tecidos humanos, alterando-os de uma forma positiva, fazendo com que tecidos danificados se regenerem.

Podendo ser aplicada em qualquer idade, a técnica combina trabalho fora e dentro de água, entre o doente e o terapeuta, funcionando o golfinho como “recompensa”.

É permitido ao doente contactar com o golfinho (a espécie mais utilizada é o golfinho nariz-de-garrafa) após os exercícios concluídos com o terapeuta, o que faz com que a sua motivação seja elevada e a vontade de alcançar o próximo passo maior, havendo uma progressão mais rápida na terapia.

Nadar com golfinhos

Embora inicialmente tenha sido experimentada em portadores de deficiência mental, hoje é utilizada em várias patologias, como a trissomia 21, perturbações do espetro do autismo, cancro, depressão, síndrome de déficit de atenção, deficiência auditiva e visual, lesões na medula espinal, problemas sociais, entre outros.

As vantagens da Delfinoterapia são o aumento do relaxamento total necessário para a realização de exercícios de fisioterapia, o aumento da libertação de endorfinas, responsáveis pela sensação de bem-estar e de anestesia, melhoria da capacidade motora dos doentes, graças aos exercícios realizados na água, assim como a capacidade de comunicação, independência, serenidade e cooperação. Além disso, aumenta a quantidade e a qualidade do sono e o interesse pelas envolventes.

Além dos citados anteriormente, outros animais podem ajudar no melhoramento físico e psicológico do ser humano, assim como aumentar a sua qualidade de vida como, por exemplo, o gato, coelhos, porquinhos-da-índia, hamsters, pássaros, peixes e outros, porventura mais exóticos.

A saúde do animal também é importante

A plena saúde física do animal coterapeuta é um aspeto essencial e visa não só o seu bom desempenho e bem-estar, mas também a garantia de que não haverá risco de transmissão de zoonoses e contaminação dos locais de realização das terapias.

Não podemos esquecer que, para além de muitos destes ambientes serem sanitariamente controlados (hospitais, consultórios), pode entrar-se em contacto com doentes enfraquecidos e até imunossuprimidos por tratamentos químicos ou pela própria doença que enfrentam. Assim, é imprescindível que os animais sejam vacinados e vermifugados, não devendo ter tártaros, problemas de pele ou otites.

Veterinária a vacinar gato

O médico veterinário é o responsável pela avaliação dos animais sendo o único profissional capacitado para verificar e certificar a saúde de um animal terapeuta. Estes cuidados são fundamentais para que o encontro seja não só mais agradável mas também isento de riscos para a saúde do doente.

Mas todos os intervenientes que colaboram nas TAAs devem obter benefícios. Para começar, é importante que os animais terapeutas gostem de interagir e se sintam felizes no seu dia-a-dia, assim como as pessoas que interagem com eles devem gostar de animais, sentir empatia e não ter medo.

O número de animais terapeutas cresce a cada dia, tal como o de profissionais e instituições que agregam esta técnica, provando, mais uma vez, que a importância dos animais na sociedade não tem limites.

A interação homem-animal sempre nos trouxe benefícios – além de serem os nossos “melhores amigos” estão sempre prontos a ajudar. Devemos cuidar deles e amá-los, não somente por serem uma parte integrante da natureza mas também porque nos oferecem, desinteressadamente, uma infinidade de sentimentos indescritíveis. Está mais do que na hora de retribuir!

ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
08 de Novembro de 2018

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