FARMACÊUTICO, O AGENTE DA SAÚDE

  Tupam Editores

O exercício da actividade farmacêutica tem como objectivo essencial a pessoa doente, artigo primeiro, do primeiro capítulo do Código Deontológico dos Farmacêuticos. Este artigo é a base de toda a profissão, demonstrando que a principal responsabilidade do farmacêutico é a saúde e o bem-estar do doente em particular e da população em geral.

A profissão de farmacêutico evoluiu dos antigos boticários, que dominavam o conhecimento das plantas e as misturavam para curar o mais variado tipo de doenças.

O registo histórico da primeira botica data de 754 a.C, em Bagdad, no Iraque.

Em Portugal, o aparecimento das primeiras boticas data do século XII. Porém, antes dos boticários, pensa-se que existiam indivíduos especializados na preparação e comércio de fármacos, conhecidos por especieiros.

No reinado de D. Afonso IV (1338) surge o primeiro documento conhecido, que diz respeito à actividade farmacêutica. Porém, remonta ao reinado de D. Afonso V, a promulgação da Carta dos Boticários – uma carta que lhes concede diversos privilégios em várias áreas – e a regulamentação da separação entre as profissões de médico e de farmacêutico.

Ao longo dos anos, o farmacêutico foi sempre visto como uma ponte entre o doente e o medicamento. Contudo, o seu papel na sociedade foi evoluindo, tornando-se mais interactivo.

Muitas vezes, as pessoas olham para o farmacêutico como alguém que passa o tempo a contar medicamentos e a aviar receitas. Esta visão não é de todo errónea, mas, actualmente, as funções e os deveres de um farmacêutico são muito mais vastos. A sua área de acção está cada vez mais focada para o conhecimento do produto e para o aconselhamento do público. Este facto deve-se, em parte, aos avanços das ciências farmacêuticas, uma vez que os tratamentos são, actualmente, mais complexos do que há 20 anos. Deve-se, igualmente, à mudança das primeiras opções de tratamento: hoje em dia, os medicamentos são a primeira opção de tratamento, enquanto que antigamente, a cirurgia era a primeira opção.

Outra das razões que contribuiu para uma evolução funcional na actividade do farmacêutico foi a abertura de novos espaços para a comercialização de Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica (MNSRM), tais como hipermercados e lojas de conveniência, entre outras. Nestes espaços, a presença de um farmacêutico ou técnico de farmácia, além de obrigatória, é essencial para esclarecer o público, certificando-se de que o doente sabe como utilizar o fármaco e aconselhando-o a consultar o seu médico em caso de agravamento ou de incerteza sintomática.

A própria Organização Mundial de Saúde (OMS) ao aperceber-se desta evolução e da crescente e benéfica importância do farmacêutico para a sociedade organizou várias reuniões, subordinadas ao papel do farmacêutico.

Uma das mais importantes teve lugar em Vancouver (1997), na qual a OMS se debruçou sobre a preparação do fututro e do desenvolvimento curricular do farmacêutico, estabelecendo objectivos e valências formativas para o seu futuro. Desta reunião saiu o denominado farmacêutico sete estrelas, um guia para que os farmacêuticos se tornem cada vez mais aptos a ir de encontro às novas necessidades da profissão, uma vez que cada estrela corresponde a uma competência específica que o futuro farmacêutico deverá desenvolver: são elas a prestação de cuidados, capacidade de decisão, comunicação, liderança, gestão, formação contínua e função de formador.

Em primeiro lugar, o farmacêutico presta cuidados da mais variada natureza – clínica, analítica, tecnológica ou regulatória –, por isso o seu desempenho deve ser de elevada qualidade. A necessidade do desenvolvimento das suas capacidades de decisão, comunicação, liderança deve-se à sua interacção com o público e com as outros profissionais de saúde.

Farmacêutico, o Agente da Saúde

A interacção com o público atinge o seu auge no que diz respeito aos MNSRM e nos pequenos povoados. Em lugares onde os médicos são escassos ou inexistentes, o farmacêutico é o primeiro a ser consultado, pois oferece a informação necessária para que os doentes usufruam dos fármacos de um modo racional, evitando o seu uso indevido.

De notar que mesmo nas grande cidades, os habitantes, sobretudo os cidadãos séniores, conhecem o farmacêutico da área onde aviam as suas receitas, mantendo com ele, habitualmente, uma relacção próxima e questionando-o frequentemente sobre os seus problemas de saúde.

A frase "consulte o seu médico ou farmacêutico" é, também, cada vez mais comum nos anúncios a MNSRM.

O farmacêutico deve, igualmente, desenvolver uma boa capacidade de gestão, pois terá de gerir de uma forma eficaz, quer os meios, quer a informação disponível. "É importante notar que, cada vez mais, a informação associada à tecnologia assume um desafio crescente na responsabilidade de partilha de informação (com o paciente e com o prescritor) nas áreas do medicamento e produtos relacionados."

Com a constante evolução do mercado farmacêutico, este deverá estar sempre actualizado para poder esclarecer eficazmente o público. Por outro lado, deve participar activamente na formação de futuros farmacêuticos.

No contexto do actual sistema de saúde é igualmente importante reflectir sobre o papel do farmacêutico hospitalar. Este foi um dos temas abordados no V Congresso Nacional da Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares, em 2006. Nesta área, é necessário ter em conta não apenas a evolução e complexidade terapêutica, mas também os novos modelos de gestão hospitalar e o desenvolvimento dos conceitos subjacentes ao sistema de saúde.

O farmacêutico hospitalar surge, assim, como elemento-chave no circuito do medicamento e da sua correcta utilização. Pretende-se que o farmacêutico seja a peça basilar do sistema, uma vez que tem acesso ao fármaco desde a sua aquisição até à sua dispensa ao doente. Para assegurar a excelência do trabalho do farmacêutico é necessário, porém, criar infra-estruturas que levem "à intervenção correcta do farmacêutico" neste meio.

Com o desenvolvimento e consequente expansão da área farmacêutica, em parte para fazer face à mudança de conjuntura, o farmacêutico, apesar de continuar a ser visto como um perito na aplicação e domínio de substâncias, tem agora um novo papel: orientador e guardião da saúde, promovendo a mesma não apenas a nível dos fármacos, mas também a nível de aconselhamento e de acções de educação, com isenção, assistindo todos sem excepção, dando-lhes a possibilidade de terem direito a um tratamento com qualidade e segurança.

Deste modo, com o ceptro de Asclépio na mão – cuja serpente simboliza o poder/a possibilidade que os farmacêuticos têm de libertar as pessoas das doenças, tal como esta se liberta da sua pele –, o farmacêutico assume-se como um agente de saúde por excelência.

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ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
27 de Abril de 2017

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