A SÉPSIS NO ADULTO

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DOENÇAS E TRATAMENTOS

  Tupam Editores

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A sépsis, também designada por septicemia, é uma inflamação sistémica causada por uma infeção que afeta todo o organismo e que pode dar origem a sépsis grave e choque séptico, condições consideradas graves que levam a longos períodos de internamento hospitalar e a morbilidade e mortalidade elevadas.

Segundo a Global Sepsis Alliance, a sépsis é uma crise de saúde global que se estima afete entre 47 e 50 milhões de pessoas anualmente, das quais pelo menos 11 milhões sucumbem à doença, o que equivale a uma morte a cada 3,8 segundos. As autoridades de saúde, consideram que é a principal causa de morte evitável em todo o mundo, podendo ser prevenida com recurso à vacinação e a uma higiene adequada, adiantando ainda que tanto o reconhecimento da doença como o tratamento precoce, reduzem a mortalidade por sépsis em 50%.

Embora os especialistas refiram que não existem dados fidedignos atualizados sobre este problema no País, dados compilados pela Direção-Geral de Saúde (DGS), indicam que 22% dos internamentos em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), têm por causa a sépsis adquirida, que origina uma mortalidade hospitalar global de cerca de 40%, ou seja, aproximadamente três vezes superior à mortalidade dos doentes internados com Acidente Vascular Cerebral (AVC), sendo que na sua forma mais grave, designadamente no choque séptico, atinge os 51%. Ainda assim, segundo estudos recentes, a sépsis é uma doença muito pouco conhecida entre a população portuguesa.

Apesar da incidência das patologias cardiovasculares estarem a diminuir, a sépsis tem vindo a aumentar pelo menos 1,5% ao ano, aumento de incidência que radica no envelhecimento da população, na maior longevidade dos doentes crónicos, na crescente existência de imunossupressão por doença e no maior recurso a técnicas invasivas, segundo a DGS.

Geralmente a doença manifesta-se quando o sistema imunitário entra em ação para atacar uma infeção e impedir a sua disseminação. Porém, se esta não ceder e conseguir progredir, as defesas do organismo lançam uma resposta inflamatória sistémica, na tentativa de a combater. Todavia, essa reação pode representar um problema, dado poder produzir efeitos secundários no organismo, que quando não diagnosticada e tratada atempadamente, pode comprometer definitivamente o bom funcionamento de um ou de vários órgãos e provocar a morte.

Deve ter-se presente que qualquer processo infecioso, seja uma pneumonia ou infeção urinária, pode evoluir para um quadro de septicemia, cujos sintomas mais comuns são a fala arrastada, tremores, dores musculares, baixa produção de urina, falta de ar, pele manchada ou pálida, sensação de morte aparente, entre outros.

Numa doença em que o fator tempo é crucial, é necessário que no início do processo de tratamento se disponha de resultados de análises rápidos e fiáveis, para apoiar as decisões clínicas tomadas, em prol do melhor tratamento possível para o doente. O diagnóstico atempado e o tratamento adequado fazem uma diferença crucial, no que se refere ao prognóstico do doente com sépsis, pois as hipóteses de sobrevivência vão diminuindo drasticamente consoante se atrasa o início do tratamento.

As hipóteses de sobrevivência de um doente com septicemia rondam os 80% se a terapêutica antimicrobiana for iniciada na primeira hora de diagnóstico, porém esta percentagem desce cerca de 7,6% por cada hora que passe. No entanto, segundo os especialistas, se um paciente receber inicialmente um tratamento antimicrobiano inadequado tem cerca de cinco vezes menos probabilidades de sobreviver.

Dada a relevância da doença, a DGS emitiu em 2010 a circular normativa nº 1, atualizada em 2017, através da qual é implementado um protocolo Via Verde de Sépsis no Adulto, visando estabelecer uma metodologia de trabalho de projeto, que permite aos profissionais de saúde identificar de forma rápida o agente causador da doença e dar início imediato às medidas terapêuticas necessárias, agilizando a acessibilidade, segurança e qualidade no tratamento e prestação de cuidados complexos, aos pacientes com suspeita de infeção, nos Serviços de Urgência do SNS, em meio hospitalar.

A bactéria que pode causar septicemia é conhecida por Staphylococcus aureus, sendo considerada a mais perigosa de todas as bactérias estafilocócicas mais comuns, causando frequentemente infeções cutâneas, mas também pode dar origem a pneumonia, infeções da válvula cardíaca e infeções ósseas. São geralmente transmitidas pelo contacto direto com uma pessoa infetada, através da utilização de um objeto contaminado ou ao inalar pequenas gotículas infetadas dispersas através de espirros ou tosse.

Em geral, de forma assintomática, a Staphylococcus aureus pode fixar-se temporariamente no nariz de cerca de 30% dos adultos saudáveis e na pele de aproximadamente 20%, percentagens que são substancialmente maiores em pacientes hospitalizados ou pessoas que trabalham em hospitais.

Uma das formas mais seguras de prevenir a disseminação das bactérias estafilocócicas é higienizar e desinfetar as mãos com álcool, quando em ambientes suspeitos e evitar o contacto com elementos infectados.

A pandemia por covid-19 veio agravar o problema da sépsis viral e relevar a importância vital da prevenção e do controle de infeções, vacinação e outros cuidados para evitar a propagação de doenças e combater a ameaça da resistência antimicrobiana.

Os pacientes com sépsis ficam muito debilitados, particularmente os que necessitam de internamento em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) e muitos sobreviventes apresentam dificuldades em retomar as suas atividades normais, já que a doença pode deixar sequelas como dificuldade motora, dificuldade para deglutir, dificuldade de raciocínio e déficit de atenção, além de problemas psicológicos como depressão e ansiedade. Além disso existe o risco acrescido de novas infeções e descompensação de doenças crónicas, o que pode requerer novo internamento.

Daí ser muito importante a intervenção de uma equipa multidisciplinar durante o internamento hospitalar, dando início desde logo ao processo de reabilitação precoce, a fim de reduzir o risco de sequelas e promover a continuidade da reabilitação polivalente.

O Dia Mundial da Sépsis, uma iniciativa da Global da Sepsis Alliance, é assinalado todos os anos a 13 de setembro.

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
23 de Janeiro de 2024

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