COMO SUPERAR OS MEDOS

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  Tupam Editores

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O medo é um estado emocional inato resultante da tomada de consciência de perigo ou ameaça, real ou imaginária, que provoca um estado de alerta e se revela no receio de fazer alguma coisa, por se sentir ameaçado física ou psicologicamente.

Pode também ser uma reação involuntária a algum estímulo físico ou mental que gera um alerta no organismo que faz disparar uma resposta fisiológica, que pode variar entre uma ligeira ansiedade e o pavor ou até transformar-se em fobia, uma patologia crónica persistente e de difícil tratamento, que pode comprometer as relações sociais e causar sofrimento psicológico.

Em resultado da pandemia por Covid-19, a população mundial vive atualmente em ambiente de medo. Apesar de o vírus não se ver, vivemos com medo de por ele podermos ser infetados, medo do desconfinamento e da sensibilização de cada um perante a situação, medo das repercussões económicas, medo de que outras vagas possam surgir, medo do futuro e em última análise medo de morrer.

Não sendo um sentimento benéfico para a saúde mental e física do ser humano, não há ninguém que não tenha tido essa sensação em algum momento, que não é um atributo exclusivamente seu, quando constatamos que em situações de perigo iminente é comum a várias espécies de animais.

Por outro lado, ao longo de milhares de anos, o medo, considerada a mais antiga das emoções, desempenhou um papel determinante no sentido da evolução e preservação das espécies, pois sem o sentido de autopreservação, os humanos não teriam sobrevivido.

A literatura mostra-nos que a idade moderna, entre meados do século XV e fim do século XVIII, período considerado como associado à razão, ciência e tecnologia, ainda foi muito marcada pelos medos de épocas ancestrais, nomeadamente medo de fantasmas, da lua, dos animais e da floresta, dos salteadores noturnos e de uma forma geral, medo de tudo o que pudesse ou não existir na penumbra. Isto é, não obstante a evolução e o dinamismo que se verificou nesse período, ainda assim havia uma cultura popular muito ligada ao sobrenatural e ao desconhecido da escuridão.

Num clima de impotência perante o desconhecido, o medo fomentou as crenças dos europeus modernos, anestesiando as situações de penúria e incompreensão do mundo, produzindo crendices e realidades dos contextos psicossociais da época, de que o medo noturno, por exemplo, é expressão cultural.

Atualmente, o medo em si mesmo é uma das principais causas do entorpecimento da maioria das pessoas, levando-as muitas vezes a preferirem manter-se em situações menos confortáveis em vez de tentarem alguma mudança, por temerem algo novo e desconhecido, atitude que está intimamente associada ao instinto de sobrevivência.

Pode considerar-se que existem dois tipos de medo, um que se identifica com uma ameaça física evidente e o outro, o medo dos nossos pensamentos relativamente ao que nos pode suceder no futuro, e que é gerado a partir da nossa imaginação ou por confronto com acontecimentos já vividos anteriormente.

Com os avanços civilizacionais, a partir do século XVIII os medos tradicionais da escuridão, da bruxaria, dos lobisomens e do diabo foram-se desvanecendo, porém outros lhe deram lugar, existindo atualmente em todo o mundo inúmeros motivos para que o Homem sinta medo.

Segundo uma pesquisa publicada em 2017 pelo Pew Research Center dos EUA em 38 países, os três maiores medos da humanidade são acerca dos avanços do Estado Islâmico, mudanças climáticas e ciberataques, a que poderemos adicionar fatores mais recentes como as pandemias, carência de alimentos e as guerras, além de outros de caráter mais individual.

Ainda de acordo com Instituto de Saúde Mental dos EUA, cerca de 21% das pessoas sofrem hoje de transtorno de ansiedade, passando a maior parte do tempo antecipando receios de algo, não totalmente definido, que poderá ou não vir a acontecer no futuro, patologia que segundo as estatísticas, atinge dez vezes mais pacientes que na década de 1980.

A fim de eliminar ou aliviar os vários medos e a ansiedade que provocam, têm vindo a ser desenvolvidos ao longo das últimas décadas pela Indústria farmacêutica vários fármacos. Porém, as técnicas de terapia cognitivo-comportamental, baseadas no princípio de que a forma como pensamos influencia a maneira como sentimos, é provavelmente a mais relevante e eficaz no tratamento desta patologia que aflige uma grande parte da Humanidade.

Outras técnicas como a hipnose, que ajuda a pessoa a estimular a própria mente para ultrapassar obstáculos, a exposição gradual da pessoa ao objeto que a perturba, assim como a psicanálise, têm demonstrado eficácia no tratamento da ansiedade e do medo, mas cujo sucesso em muito depende da relação estabelecida entre o paciente e terapeuta.

O medo que sentimos em relação às incertezas do futuro poderá ser um importante fator positivo, na medida em que nos estimula a agir com mais determinação para conseguirmos nossos objetivos. Por isso, perante as múltiplas contrariedades a que estamos sujeitos permanentemente, deveremos tentar superá-las e seguir em frente, mudando a perspetiva das coisas de forma positiva e otimista.

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
23 de Janeiro de 2024

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