PSICOLOGIA

Fome emocional: saiba identificar e aprenda a gerir

A fome define-se como a sensação fisiológica provocada pela necessidade de ingerir alimentos com o fim de manter as atividades intrínsecas à vida. Esta pode ser definida por dois tipos bastante distintos, a fome fisiológica e a fome psicológica, mais conhecida por fome emocional. Para melhor identificar cada uma é importante conhecer as suas características.

Fome emocional: saiba identificar e aprenda a gerir

SOCIEDADE E SAÚDE

A FOME


A fome fisiológica aparece, de forma gradual, quando as necessidades energéticas e nutricionais estão ativas. Pode produzir uma sensação de desconforto e de estômago “vazio”, e levar a fraqueza física e dor de cabeça. Não é seletiva quanto ao tipo de alimentos e, normalmente, é satisfeita com um consumo consciente e intencional de alimentos.

Na fome emocional as pessoas alimentam-se e selecionam os alimentos em função do seu estado emocional, e não apenas das necessidades fisiológicas. E isto acontece desde muito cedo, por exemplo, quando os pais oferecem um doce para sossegar, confortar ou recompensar a criança, esta aprende muito precocemente que os alimentos não possuem somente um valor nutritivo e energético, mas também um valor emocional.

A criança aprende a associar bem-estar à ingestão de comida e os alimentos passam a adquirir um significado afetivo. A comida torna-se na primeira estratégia para lidar com as situações desagradáveis, esta estratégia vai-se perpetuando no tempo e, assim, as dificuldades afetivas vão despertar invariavelmente a fome emocional. Os alimentos vão sendo utilizados, ao longo da nossa vida, para celebrar, acalmar, aliviar ou confortar em momentos de tristeza ou de maior tensão emocional.

A fome emocional é, então, independente das necessidades do organismo e surge subitamente. Não apresenta desconforto físico e depende do estado emocional da pessoa, normalmente de emoções negativas. Este tipo de forme leva à ingestão inconsciente de grandes quantidades, e é seletiva, ou seja, é satisfeita com alimentos específicos, ricos em açúcares ou com a combinação gordura-sal-crocante. Muitas vezes, gera sensação de culpa após ingestão.

Nem sempre é fácil gerir este tipo de fome, no entanto, existem algumas estratégias que podem ajudar. Assim:

Estabeleça e mantenha as rotinas de horário das refeições.
Evite dietas muito rígidas – faça refeições equilibradas e completas, que promovam a saciedade.
Beba muita água e não confunda sede com apetite.
Evite ter em casa alimentos ricos em açúcares e com a combinação gordura-sal-crocante. Opte por snacks saudáveis, como frutos oleaginosos simples (amêndoas, avelãs, nozes, etc.), fruta, iogurtes ou queijo fresco.
Procure distrações alternativas à comida (ler, fazer desporto, conversar, etc.).
Faça listas de compras e evite ir ao supermercado com fome pois terá a tendência para adquirir produtos alimentares com elevado teor energético, ricos em açúcar e/ou gordura.
Procure reduzir o stress, que contribui para o aumento da ingestão descontrolada de determinado tipo de alimentos, e pratique exercício físico com regularidade.
Mantenha uma rotina de sono regular, de 6 a 8 horas por noite (adultos). Uma boa noite de sono é fulcral para manter os níveis de leptina (hormona da saciedade) elevados.

A fome emocional é um sintoma que precisa de ser decifrado e tem, como todos os sintomas, um motivo subjacente. Em algumas situações poderá ser necessária a intervenção psicológica, de forma a promover o autoconhecimento e auto-estima. Não deixe de procurar ajuda.

Fonte: Tupam Editores

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