INSULINA

Cientistas testam administração oral de insulina com microagulha

Cientistas testaram com sucesso, em porcos, a administração oral de insulina, através de uma microagulha contida numa cápsula, cuja ponta de insulina sólida se dissolve no estômago.

Cientistas testam administração oral de insulina com microagulha

Atualmente, os doentes com diabetes do tipo 2 dependem da injeção diária de insulina, em estado líquido, sob a pele para reporem os níveis de glicose (açúcar) no sangue nos parâmetros normais.

O novo dispositivo, criado com a finalidade de facilitar a toma da medicação, foi desenvolvido e testado por uma equipa de investigadores do hospital Brigham, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ambos nos Estados Unidos, e da farmacêutica Novo Nordisk, com sede na Dinamarca, e considerada líder no tratamento da diabetes com insulina.

Numa experiência feita com cinco porcos, a equipa verificou que, após a administração oral das cápsulas com microagulhas com 0,3 miligramas de insulina humana, combinada com uma outra substância, o óxido de polietileno, os níveis de glicose no sangue baixaram para concentrações comparáveis às quando a insulina foi injetada subcutaneamente em cinco controlos.

Segundo os cientistas, cujo trabalho é divulgado pelo MIT e pelo hospital Brigham em comunicados distintos e que foi tema de destaque na revista científica Science, não foram detetados sinais de lesões no estômago ou alterações na alimentação e nas fezes dos suínos.

Apesar dos resultados bem-sucedidos, os investigadores ressalvam que mais estudos terão de ser feitos, uma vez que o dispositivo só funcionou com animais em jejum.

Além disso, não foram aferidos eventuais efeitos gástricos crónicos, apesar de, assinalam, o estômago ser um órgão insensível à “dor pontiaguda” e “muito tolerante a objetos pequenos e pontiagudos”.

Para criarem a cápsula - do tamanho de um mirtilo - que contém a microagulha que pode ser engolida e injetar a insulina no estômago sem causar aparentemente danos no organismo, os cientistas inspiraram-se na tartaruga-leopardo, nativa de África e cuja carapaça lhe permite endireitar-se quando se vira ao contrário.

Desta forma, dizem ter obtido, recorrendo a modelação computacional, uma forma para a cápsula que lhe possibilita aterrar no estômago sempre na mesma direção.
A microagulha que está dentro da cápsula é feita, na ponta, de insulina liofilizada (desidratada). A haste, que não penetra na parede do estômago, é biodegradável, tal como a cápsula.

Dentro da cápsula, a microagulha está agarrada a uma espécie de mola comprimida que se mantém posicionada no sítio devido a um disco feito de açúcar. Quando a cápsula é engolida, a água no estômago dissolve o açúcar, libertando a tal mola e a agulha é injetada na parede do estômago.

Os autores do estudo defendem que os doentes com diabetes do tipo 2 não sentiriam a injeção no estômago, pois este órgão não tem recetores de dor.

Na experiência, os cientistas observaram que a insulina demorou cerca de uma hora a entrar completamente na corrente sanguínea e sugerem que um dispositivo semelhante poderia ser utilizado para transportar medicamentos injetáveis como os imunossupressores, usados para tratar doenças inflamatórias como a artrite reumatoide.

Fonte: Lusa

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