CADELA PRENHA, E AGORA?

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CADELA PRENHA, E AGORA?

  Tupam Editores

É difícil controlar o cio de uma cadela. Mesmo que o tutor tente isolá-la durante esse período, é normal que aconteça alguma escapadela, originando uma gravidez. Umas semanas depois os tutores mais atentos, que conhecem a sua “menina” como ninguém, começam a aperceber-se de que algo está diferente.

Perdeu o apetite, não brinca como habitualmente, mostra-se relutante em caminhar, não corre, e passa parte dos dias a descansar. Está com menos energia, mais apática, assustadiça… e nem aquelas festinhas na barriga, de que tanto gosta, permite.

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Estas mudanças de comportamento já fizeram soar o alarme. Começa depois a reparar que ela tem as maminhas inchadas e os mamilos mais rosados do que o normal, e a dúvida instala-se: estará prenhe?  O que fazer?

A gestação em cadelas é um tema que gera muitas dúvidas e alguns medos nos proprietários, principalmente no que respeita aos cuidados necessários nessa fase tão delicada. Assim, o primeiro passo a dar é fazer uma visita ao veterinário para uma avaliação mais consistente, e para se inteirar dos cuidados a ter com a futura mamã.

A educação e informação do tutor são fundamentais no maneio de uma cadela prenhe. É aconselhável examinar a cadela com suspeita de gestação por volta das 4 semanas, altura em que se estabelece o diagnóstico.

Cuidados básicos durante a gestação

Os animais, tal como nós, também precisam de acompanhamento durante a gestação. O que parece ser um luxo é, na verdade, uma necessidade para garantir a saúde da mãe e dos filhotes antes, durante e após o parto.

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Em média, a gestação de uma cadela dura perto de 2 meses, ou seja, cerca de 62 dias. A natureza não é exata, pelo que este tempo é uma estimativa, sendo normal que se situe entre 58 a 65 dias, ao fim dos quais a cadela deve dar à luz.

Normalmente as ninhadas são de quatro a oito filhotes, dependendo da raça, embora possam chegar a nascer até mais de nove ou, opostamente menos de quatro. A idade também é um fator importante, pois as fêmeas mais novas e as geriátricas, tendem a ter ninhadas mais pequenas.

Quando a cadela fica prenhe, é normal não se conseguir ver de imediato um crescimento da sua barriga. Em geral isso só acontecerá a partir da quarta semana de gestação, o que equivale a metade da gravidez.

Durante as primeiras 4 semanas de gestação, uma cadela em boa condição física aumenta pouco o peso, pelo que a alimentação nesta fase deve consistir numa dieta de manutenção de qualidade, equilibrada, nutritiva e de fácil digestibilidade.

No caso da cadela gestante estar magra, é aconselhável disponibilizar uma ração de alta energia. Seja qual for o caso, o fornecimento de uma ração adequada dispensa qualquer suplementação vitamínica ou mineral.

As necessidades nutritivas aumentam na segunda metade da gestação em cerca de 20 por cento da quantidade inicial, pois é nesta fase que se verifica maior aumento de peso (em média 36 por cento do peso não gestante). Na última semana pode facilmente aumentar até 40 por cento do peso.

Neste período deve aumentar-se a frequência das refeições, porque o volume ocupado pelos cachorros na cavidade abdominal diminui a capacidade do estômago, e por essa razão a quantidade de alimento ingerido. Estas necessidades energéticas mantêm-se normalmente até ao pico da lactação.

Mas durante esta fase tão especial nem só a alimentação é importante. São também benéficos os passeios regulares, evitando grandes esforços, à exceção das últimas três semanas de gestação durante as quais é aconselhável algum repouso.

Idealmente uma cadela deve estar vacinada e desparasitada antes de engravidar mas as surpresas acontecem algumas vezes. Nesse caso, estes procedimentos deverão ser adiados para depois do parto, uma vez que poderão causar malformações embrionárias.

Relativamente à desparasitação, ela deverá ser aconselhada pelo médico veterinário, pois já existem no mercado alguns produtos tópicos inócuos para os fetos e que associam desparasitação interna e externa.

Quanto a medicamentos, de um modo geral é contraindicado o uso de medicamentos durante a gestação devido aos efeitos adversos que podem provocar aos fetos em desenvolvimento. Assim, deve sempre consultar-se o médico veterinário antes da administração de qualquer tipo de medicamento à cadela.

Mesmo as melhores experiências da vida não estão isentas de riscos e de problemas, por isso é conveniente estar preparado com antecedência.

Na maioria dos casos, a própria natureza encarrega-se do trabalho, no entanto, podem surgir complicações, tais como a necessidade de uma cesariana, o nascimento de cachorros fracos ou doentes, entre outras situações, para as quais convém estar preparado e ter sempre à mão o número de telefone de emergência do veterinário.

O parto e o nascimento da ninhada

O nascimento de uma ninhada de cachorros é um momento mágico, por isso, convém estar preparado e saber o que fazer, garantindo assim um parto seguro e sem complicações.

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O parto de uma cadela é trabalhoso, mas a mãe natureza é sábia e sabe o que fazer. Basta ter uma zona preparada – por exemplo, uma caixa com o tamanho certo, forrada com jornais antigos e cobertores, ou toalhas limpas, se necessário, num local afastado da azáfama da casa – onde a cadela se possa sentir confortável para parir, e controlar se saem todos os filhotes, bem como a temperatura da cadela.

É complicado determinar o início do parto, mas há alguns sinais que podem indicar que a altura está próxima. A cadela poderá tentar isolar-se ou, pelo contrário, procurar o apoio do tutor ou da família mais do que nunca; a sua temperatura corporal poderá descer para valores inferiores a 37-37,5 graus dois dias antes do parto; poderá deixar de comer, vomitar e aproximar-se e remexer constantemente o local preparado.

Quando o parto começar, o melhor a fazer é deixar a natureza seguir o seu curso e esperar que a cadela consiga parir todos os cachorros sem ajuda. Quando se dá o “romper das águas”, é importante que o primeiro filhote apareça logo.

Depois de nascer, a mãe corta o cordão umbilical e lambe-o para que a cria consiga respirar. O resto da ninhada sairá a intervalos regulares. Para confirmar que saíram todos, deve-se palpar-se a barriga da cadela.

Ao nascer, os filhotes são surdos e cegos e é a mãe que os põe a mamar. Durante as primeiras semanas, ela é responsável por protegê-los, aquecê-los e incentivá-los a evacuar. Nos primeiros dias após o parto, convém manter as crianças longe das crias, especialmente se forem muito pequenas.

Por vezes, como acontece em grandes ninhadas, ou se a mãe estiver doente, alguns bebés precisam de ser alimentados a biberão.

Nesses casos deve-se optar por leite artificial próprio para cachorros, que pode ser encontrado nas lojas especializadas.

Na primeira semana, os cachorrinhos precisam de beber leite 15 vezes por dia, mas a partir da segunda semana esse número reduz-se para 8 vezes.

Geralmente, a cadela segue o instinto e cuida dos filhotes sozinha. Estes, aos poucos, abrem os olhinhos e começam a movimentar-se com maior precisão. Assim, no pós-nascimento, deve-se estar atento a alguns aspetos básicos relacionados com a fêmea.

Acompanhamento da cadela no pós-parto

No que respeita à alimentação, por haver uma maior demanda de energia no período pós-parto, sendo por isso aconselhável que as cadelas sejam alimentadas preferencialmente com ração para filhotes, devido à quantidade de nutrientes e vitaminas necessários para a amamentação. Contudo, deve respeitar-se sempre a quantidade de ração recomendada para cada raça específica, evitando o risco de levar o animal à obesidade.

Neste período, especialmente durante as primeiras semanas, é normal que a cadela apresente uma secreção vaginal levemente esverdeada e inodora, pois está a expelir o resto da placenta que permaneceu no útero.

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Os donos também não se devem preocupar se apresentar um estado febril nos primeiros dias após o nascimento dos filhotes. A temperatura do animal tende a ficar um pouco mais elevada durante este período, podendo atingir 39,5°, porém, não mais que isso.

A boa higiene do ambiente é de extrema importância durante as primeiras semanas de vida dos cachorrinhos – que ainda não possuem anticorpos ou energia suficiente para encarar uma complicação de saúde –, mas também para a mãe, pois acabou de passar por um processo que exige uma ampla gama de cuidados.

Todas as orientações recebidas pelo veterinário relativamente a este período devem ser seguidas com rigor. Não devem ser descurados os horários dos medicamentos que tenham sido prescritos e os cuidados a serem aplicados diariamente devem ser respeitados, a fim de evitar futuros transtornos. Na dúvida, entrar em contacto com o veterinário responsável pelo acompanhamento.

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É importante também ficar de olho no comportamento da fêmea nesta fase. Alguns sinais que podem dar indícios de que algo não está bem incluem aumento da frequência respiratória, agitação em demasia, temperatura corporal muito alta (acima de 40°C), resistência em cuidar dos filhotes, espasmos e contrações musculares involuntárias. Caso perceba algum desses sintomas, entre em contacto com o médico veterinário de imediato.

Finalmente, basta dispensar muito carinho à mãe e aos irresistíveis filhotes. E não se esqueça de que o futuro dos cachorros vai depender de si, uma vez que será o responsável por encontrar os futuros donos. Seja cauteloso, e pense acima de tudo no seu bem estar!

ARTIGO

Autor:
Tupam Editores

Última revisão:
08 de Maio de 2018

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