A PROCESSIONÁRIA

A PROCESSIONÁRIA

ETOLOGIA

  Tupam Editores

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Até pode parecer inofensiva, mas é uma praga devastadora para o pinheiro (manso ou bravo) e toda a floresta, causando graves problemas para a saúde pública, sendo muito perigosa para quem entra em contacto direto com ela, sejam animais selvagens, domésticos, e até para o Homem.

Lagarta do pinheiro perigosa

A lagarta do pinheiro, vulgarmente chamada de “processionária” – por se deslocar em fila/procissão – é um inseto da família Thaumetopoidea. De nome científico Thaumetopoea pityocampa, é uma espécie mediterrânea que se encontra por toda a Península Ibérica, estendendo-se à Turquia e ao Norte de África.

O seu ciclo de vida divide-se em duas fases: fase adulta (ovos e lagartas – fase aérea em que vivem nas copas dos pinheiros) e a fase de pupa (fase subterrânea em que se encontram no solo, que pode durar de 1 a 3 anos).

Entre janeiro e maio abandonam o pinheiro para se enterrarem no solo e continuarem o seu desenvolvimento, e entre agosto e setembro nascem as lagartas que se agrupam em ninhos na copa dos pinheiros.

A intensidade e frequência dos “ataques” da lagarta do pinheiro dependem essencialmente das condições climáticas. Os casos de intoxicação são mais frequentes a partir de outubro, e principalmente no final do período de inverno.

Os seus pelos urticantes, de elevado potencial alérgico, libertam-se à medida que se move, atuando como agulhas quando entram em contacto com a pele ou mucosas de um animal ou pessoa, inoculando substâncias tóxicas no organismo que provocam reações de hipersensibilidade que podem causar necrose, ou mesmo ser fatais.

Os animais, especialmente os cães, e por vezes as crianças, movidos pela curiosidade natural ou por brincadeira, são os principais atingidos. A área mais afetada é na maioria das vezes a cabeça – mucosa oral, língua e os olhos.

O diagnóstico de intoxicação pela lagarta do pinheiro não é fácil. Grande parte das vezes o animal sai de casa para um passeio sem que os seus donos se apercebam dos caminhos por onde anda ou o que cheira, abocanha ou come. De volta a casa, desperta a sua atenção por apresentar o focinho inchado, a língua espessada – que pode aparentar uma cor azulada –, babar intenso, comichão, vómito, e dor intensa, resistindo à abertura da boca.

O tempo que decorre entre o contacto com os pelos urticantes da lagarta do pinheiro e a instauração do tratamento é crucial no sucesso do mesmo.

Este depende dos sinais clínicos apresentados, mas passa geralmente pela aplicação de corticosteroides – pelas propriedades anti-inflamatórias; antibióticos – para combater potenciais infeções secundárias; antieméticos e protetores gástricos para os vómitos; e colírios, sempre que esteja presente inflamação da conjuntiva ou da córnea (a nível ocular). É também importante lavar abundantemente as zonas afetadas de forma a eliminar os pelos urticantes que ainda estejam em contacto com o animal.

Como em todos os problemas de saúde, é sempre melhor prevenir do que tratar. Assim, evite passear o seu cão em zonas florestais ou onde existam pinhais que possam estar infestados. Caso o pior aconteça, entre imediatamente em contacto com o seu médico veterinário.

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