Diabetes materna associada a maior risco de epilepsia nos filhos
A diabetes materna (diabetes mellitus tipo 1 (DT1), diabetes mellitus tipo 2 (DT2) e diabetes mellitus gestacional) está associada a um risco aumentado de epilepsia na descendência, de acordo com um estudo realizado por investigadores da Universidade McGill, em Montreal.

No estudo, publicado recentemente na revista Pediatrics, a equipa incluiu todos os nados-vivos em hospitais entre 2002 e 2018 em Ontário, Canadá, para examinar a associação entre o subtipo de diabetes e o risco de epilepsia na descendência. A associação bruta e ajustada entre a DT1, a DT2 e a diabetes mellitus gestacional e a epilepsia foi estimada em crianças com menos de 18 anos de idade.
Entre 2.105.553 crianças, 160.644 (7,6%) foram expostas à diabetes materna (0,3% DT1, 1,2% DT2 e 6,1% diabetes mellitus gestacional). Durante um seguimento mediano de 10,2 anos, foram diagnosticados 17.853 casos de epilepsia.
Em comparação com as crianças não expostas, as crianças expostas à diabetes materna apresentaram um risco aumentado de epilepsia em todas as subcategorias de diabetes, após ajuste para características socioeconómicas e clínicas maternas (razões de risco ajustadas de 1,40, 1,32 e 1,14 para DT2, DT1 e diabetes gestacional, respetivamente). Observou-se um risco aumentado em associação com maior duração da DT1 e DT2. Numa análise quantitativa de viés, estes resultados foram consistentes.
De acordo com os especialistas, as descobertas contribuem para a evidência sobre o impacto dos fatores pré-natais e perinatais no desenvolvimento da epilepsia. Tendo em consideração o aumento contínuo da prevalência de diabetes entre as mulheres, a monitorização rigorosa de crianças pequenas expostas à diabetes materna para detetar sinais neurológicos precoces de epilepsia pode ser justificada.