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Mentiras patológicas associadas a défice nas funções executivas

Uma equipa de investigadores da Universidade McGill e de duas instituições no Texas descobriu que os adolescentes que mentem compulsivamente também tendem a apresentar défices nas funções executivas, como problemas de memória ou de controlo dos impulsos.

Mentiras patológicas associadas a défice nas funções executivas


Isto, segundo os especialistas, significa que os profissionais podem considerar tratamentos focados nas funções executivas – como a Terapia Cognitivo-Comportamental e o Treino de Reversão de Hábitos – para os doentes que apresentem estes padrões.

A mentira patológica é um padrão de engano persistente, muitas vezes compulsivo. Embora as competências de função executiva possam contribuir para a capacidade de enganar, e, por isso, seja de esperar que aqueles com melhor função executiva sejam melhores mentirosos, os défices nesta função, como o baixo autocontrolo ou a autorregulação, podem indicar dificuldade em inibir a mentira.

A memória de trabalho – a capacidade de reter a informação na memória de curto prazo e de acompanhar as consequências – está envolvida, o que pode dificultar a antecipação das consequências para os indivíduos com dificuldades nesta área. Isto pode explicar, em parte, porque é que estes indivíduos apresentam um comportamento problemático de mentir.

Os estudos anteriores sobre a mentira patológica em adultos mostraram que o problema começa geralmente na adolescência, e foi isso que motivou a equipa a examinar um segmento mais jovem da população.

O estudo, publicado no Journal of Psychopathology and Behavioral Assessment, envolveu mais de 500 participantes com idades compreendidas entre os 10 e os 18 anos e os seus pais. Os participantes incluíram uma grande amostra geral de crianças e adolescentes, assim como uma amostra mais específica de crianças e adolescentes cujos pais acreditavam que eram mentirosos patológicos.

Os especialistas questionaram os jovens participantes sobre as suas mentiras e avaliaram-nos quanto a psicopatologias e funções executivas. Os pais, por sua vez, estimaram quantas vezes os seus filhos haviam mentido nas últimas 24 horas.
Foram encontradas evidências de mentira patológica em 63 dos jovens e também uma associação com défices nas funções executivas.

Os mentirosos patológicos relataram contar uma média de 9,6 mentiras por dia. As pontuações das funções executivas estavam significativamente elevadas na amostra de mentirosos patológicos, indicando problemas nessa área. Mais especificamente, a atenção/memória de trabalho e o nível de atividade/controlo dos impulsos estavam clinicamente elevados.

Victoria Talwar, professora da Universidade McGill, revelou que o perfil da mentira patológica é distinto de outras psicopatologias, especificamente a perturbação de conduta e traços antissociais, logo, os mentirosos patológicos não exibem necessariamente traços antissociais ou têm perturbações de conduta.

A especialista alerta que este estudo não indica a prevalência da mentira patológica entre os adolescentes. A equipa procurou deliberadamente adolescentes que mentiam com frequência e, por isso, não trabalharam com uma amostra representativa da população.
Assim sendo, é necessário um estudo em grande escala para examinar a prevalência da mentira patológica na população geral de crianças e adolescentes.

Fonte: Tupam Editores

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