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Alguns alimentos estimulam a criação de novos neurónios

Anteriormente, acreditava-se que os novos neurónios não podiam ser gerados na idade adulta. Tínhamos de nos contentar com os já criados durante o desenvolvimento e esperar que os maus hábitos de vida, como o abuso de álcool, não os destruíssem em excesso.

Alguns alimentos estimulam a criação de novos neurónios


Mas os estudos mais recentes refutaram estas teorias. O cérebro é muito mais complexo e resiliente do que se acreditava. De acordo com o Dr. David Céspedes, especialista em longevidade, a nutrição também pode ajudar a gerar novos neurónios, mesmo em idade avançada. Ajuda a prevenir o Alzheimer e preserva e até melhora a memória e a função cerebral.

Mas para isso precisamos de fornecer os meios para que o nosso cérebro ative a neurogénese – o termo técnico para a criação destes novos neurónios. A substância chave chama-se BDFN (fator neurotrófico derivado do cérebro), que estimula o crescimento das células nervosas.

O BDFN é uma proteína que atua como “fertilizante” para estes novos neurónios. Apesar de ser importante, não é o único fator neste processo. A criação de neurónios depende de outros fatores, como a atividade neuronal, o fluxo sanguíneo e o grau de inflamação. Ainda assim, o BDFN é um dos atores fundamentais e é importante que esteja presente no processo. E a forma mais óbvia de ajudarmos na sua produção é através do exercício.

Diversos estudos científicos demonstraram que o exercício aeróbico (caminhada, corrida ou natação) resulta num aumento dos níveis de BDFN no sangue nas horas seguintes. Mas também se pode apoiar este processo de saúde cerebral e neurogénese através da alimentação.

Existem alguns alimentos e nutrientes essenciais que estimulam a criação de neurónios e ajudam na produção de BDNF.
Por exemplo, os mirtilos, que fornecem antocianinas. Estas substâncias são antioxidantes e anti-inflamatórias, pelo que ajudam a proteger os neurónios contra danos. As uvas, que fornecem resveratrol. Este nutriente ativa a via do BDNF na célula. Também atenua os efeitos negativos do stress.

O chá verde, que fornece EGCG. É também um antioxidante e anti-inflamatório. Reduz o stress oxidativo e protege as ligações entre os neurónios. O café, com o ácido clorogénico – um antioxidante que melhora a plasticidade neuronal, a capacidade de adaptação do cérebro. A curcuma, que possui curcumina, é outro anti-inflamatório e aumenta o BDNF.

Os peixes gordos, que fornecem ácidos gordos ómega-3, que protegem as membranas celulares e aumentam os níveis de BDNF no sangue. Neste caso, também se podem substituir por sementes de chia, que são igualmente ricas no nutriente.
E o chocolate negro, cujos polifenois e proantocianidinas fornecem antioxidantes e mais BDNF.

A recomendação do médico não é consumir estes alimentos isoladamente, mas sim como parte de uma dieta saudável – tanto para o corpo como para o cérebro –, e de um bom estilo de vida, que deve incluir: a prática de exercício físico, sono de qualidade, controlo do stress, evitar dietas ricas em açúcar, e aprender coisas novas.

Há que ter presente que é fundamental proporcionar novos desafios ao cérebro. Aprender uma língua, um instrumento ou um passatempo ajuda a estimular a função neuronal. Tal como um músculo, o cérebro estagna se não for utilizado.

Fonte: Tupam Editores

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