Colírios podem afetar as células hepáticas
Um composto químico utilizado em alguns colírios de venda livre pode afetar as células hepáticas e transformar-se numa substância semelhante ao PFAS, concluiu um novo estudo da Universidade de Örebro.

Na investigação, publicada na revista Environment International, os especialistas estudaram um composto fluorado, o perfluorohexiloctano, que apresenta propriedades e estrutura semelhantes ao PFAS. A diferença é que, anteriormente, se acreditava que era biologicamente inativo, ou seja, que não iria afetar os processos biológicos do organismo.
No entanto, de acordo com Tuulia Hyötyläinen, investigadora principal, esta suposição pode nem sempre ser verdadeira e compreender como estes compostos se comportam no organismo é essencial para proteger a saúde humana a longo prazo.
Embora os colírios sejam aplicados diretamente nos olhos, pequenas quantidades dos seus ingredientes podem entrar na corrente sanguínea, principalmente com o uso repetido. Estudos anteriores sobre substâncias semelhantes mostraram que, ao longo do tempo, estas podem acumular-se no fígado.
Por essa razão, os especialistas estudaram os efeitos nas células hepáticas humanas em ambiente laboratorial. As experiências foram concebidas para refletir uma exposição de baixo nível, mas a longo prazo, em vez de uma exposição a curto prazo a doses elevadas. O objetivo era captar alterações no metabolismo celular que pudessem refletir o uso repetido.
As análises mostraram alterações globais no metabolismo das células hepáticas. Verificou-se ainda que o perfluorohexiloctano pode ser parcialmente transformado dentro das células hepáticas numa substância semelhante ao PFAS – o que sugere que o composto não permanece quimicamente inalterado no organismo.
Além dos produtos para os olhos, o estudo – e um conjunto crescente de evidências – aumenta a preocupação de que as substâncias químicas fluoradas, utilizadas em produtos médicos e de higiene, possam afetar a saúde humana.
A investigadora principal refere que apesar de os resultados não poderem ser diretamente traduzidos em efeitos na saúde humana, indicam que a exposição a longo prazo e os seus efeitos em diversos organismos merecem uma maior atenção científica e regulamentar. Este conhecimento é essencial para que os reguladores, profissionais de saúde e fabricantes tomem decisões baseadas em evidências quando avaliam a segurança dos produtos químicos.