Aspirina pode ajudar a reduzir a metástase do cancro
A aspirina foi comercializada pela primeira vez há mais de 125 anos e continua a ser um dos medicamentos mais utilizados no mundo. O analgésico apresenta ainda benefícios cardiovasculares, o que explica o consumo de 120 mil milhões de comprimidos anualmente.

Um novo estudo realizado por investigadores da Universidade de Cambridge permitiu concluir que também pode ter efeitos anticancerígenos, reduzindo a metástase. Estes efeitos anticoagulantes podem ainda ter implicações no combate à metástase.
O objetivo inicial era identificar os genes envolvidos na metástase, o processo pelo qual as células tumorais se espalham para outros órgãos, causando 90% das mortes por esta doença. Anteriormente, tinham sido identificados 15 genes em ratos cuja supressão reduzia a metastização tumoral.
Os especialistas observaram como um destes genes (ARHGEF1), expresso principalmente nas células sanguíneas, exercia um efeito imunossupressor sobre os linfócitos T. Este é um dos componentes essenciais da resposta imunitária, que serve não só para combater as infeções, mas também as células tumorais.
De acordo com o imuno-oncologista Rahul Roychoudhuri, a maioria das imunoterapias é desenvolvida para tratar doentes com cancro metastático já estabelecido, mas na fase inicial da disseminação do cancro, existe uma janela única de oportunidade terapêutica, quando as células cancerígenas são especialmente vulneráveis ao ataque imunitário.
Os linfócitos T com o gene ARHGEF1 ativado são incapazes de reagir contra a invasão do cancro no organismo. Assim, o objetivo era neutralizar o sinal responsável pela ativação do gene – especificamente o TXA2. Descobriu-se que este gene contém o mesmo composto que as plaquetas produzem para se agregarem durante a coagulação sanguínea, cuja síntese pode ser inibida pela aspirina.
O efeito da aspirina foi testado em metástases de cancro do cólon, melanoma e mama em ratinhos, tendo revelado que o medicamento reduz a disseminação de células tumorais para os pulmões e fígado.
O estudo, publicado na revista Nature, permitiu descobrir que o TXA2 era o sinal molecular que ativa este efeito supressor nas células T – uma descoberta completamente inesperada. Embora as descobertas tenham sido demonstradas apenas em ratinhos, a aspirina tem sido objeto de investigação sobre o cancro há décadas.
O benefício da aspirina no tratamento do cancro foi demonstrado pela primeira vez em 1968, pois atua em diversos mecanismos biológicos essenciais, reduzindo o risco de disseminação e de complicações. Mas também tem desvantagens, e a principal são os efeitos adversos do uso continuado, que podem incluir um risco aumentado de hemorragia.