Depressão pode ser sinal de risco de doenças cerebrais em idosos
Um novo estudo conduzido por uma equipa de investigadores do Hospital Universitário de Aarhus, na Dinamarca, sugere que a depressão na terceira idade pode ser um sinal precoce de doenças cerebrais graves.

A depressão ocorre com mais frequência e mais cedo em idosos que desenvolvem doença de Parkinson ou demência de corpos de Lewy. Segundo os especialistas, o risco de depressão aumenta progressivamente nestes indivíduos, atingindo o pico cerca de três anos antes do diagnóstico de Parkinson ou demência.
Além disso, estes doentes continuam a apresentar taxas mais elevadas de depressão do que as pessoas com outras doenças crónicas.
Para a equipa, liderada por Christopher Rohde, as descobertas são compatíveis com a hipótese de que a depressão é uma manifestação precoce das alterações neurodegenerativas que eventualmente levam à doença de Parkinson e à demência de corpos de Lewy.
Cerca de 30% a 40% das pessoas com Parkinson ou demência de corpos de Lewy sofrem de depressão, mas, até agora, não estava claro se a depressão pode ser um indicador de uma doença cerebral iminente ou se é uma resposta natural que as pessoas desenvolvem a uma doença incapacitante.
No estudo, publicado na revista General Psychiatry, os investigadores analisaram dados de mais de 17.700 dinamarqueses com Parkinson ou demência de corpos de Lewy.
A equipa comparou as taxas de depressão destes indivíduos com as dos idosos que sofriam de outras doenças crónicas, como a artrite reumatoide, a doença renal e a osteoporose.
Os resultados mostraram que a depressão associada à doença de Parkinson ou à demência não podia ser totalmente explicada pelo fardo emocional de viver com uma doença crónica.
As outras doenças crónicas não apresentaram o mesmo aumento acentuado do risco de depressão, o que sugere que a depressão pode estar ligada a alterações precoces no cérebro, em vez de uma resposta emocional à deterioração da saúde.
As descobertas foram particularmente impressionantes para a demência de corpos de Lewy, onde as taxas de depressão foram ainda mais elevadas do que na doença de Parkinson.
Para Rohde, após o diagnóstico de doença de Parkinson ou demência de corpos de Lewy, a incidência persistentemente mais elevada de depressão destaca a necessidade de maior atenção clínica e de um rastreio sistemático dos sintomas depressivos nestes doentes.
Apesar de a principal conclusão do estudo – que a doença de Parkinson e a demência de corpos de Lewy estão associadas a um risco acentuadamente maior de depressão antes e depois do diagnóstico, quando comparadas com outras doenças crónicas – continuar a ser válida, isso não significa que todas as pessoas com depressão virão a desenvolver uma doença cerebral como Parkinson ou demência.
Em vez disso, a depressão pode servir como um sinal de alerta para os idosos que correm o risco de desenvolver estas doenças cerebrais.