Canábis é eficaz no tratamento da enxaqueca aguda
Apesar de os estudos pré-clínicos e retrospetivos sugerirem que os canabinoides podem ser eficazes no tratamento da enxaqueca, não existem ensaios clínicos randomizados que avaliem a sua eficácia na enxaqueca aguda.

Mas um estudo realizado por investigadores da Escola de Medicina da Universidade da Califórnia em San Diego demonstrou, pela primeira vez, que a canábis é eficaz no tratamento da enxaqueca aguda.
No ensaio clínico randomizado, duplo-cego, controlado por placebo e cruzado, os adultos com enxaqueca foram tratados até quatro crises de enxaqueca distintas, uma com cada uma das seguintes substâncias vaporizadas: tetrahidrocanabinol (THC) a 6% (predomínio de THC); 11% de canabidiol (CBD) (predomínio de CBD); 6% de THC + 11% de CBD e um placebo, por ordem aleatória.
O período de washout entre as crises de enxaqueca tratadas foi de ≥1 semana. O objetivo primário foi o alívio da dor, e os objetivos secundários foram a ausência de dor e a ausência do sintoma mais incómodo, todos avaliados 2 horas após a vaporização.
Foram recrutados e randomizados 92 participantes e tratadas 247 crises de enxaqueca. A combinação de THC + CBD foi superior ao placebo no alívio da dor (67,2% vs. 46,6%), na ausência de dor (34,5% vs. 15,5%) e na ausência do sintoma mais incómodo (60,3% vs. 34,5%) em 2 horas, assim como na ausência sustentada de dor em 24 horas e na ausência sustentada do sintoma mais incómodo em 24 e 48 horas.
A combinação com predominância de THC foi superior ao placebo no alívio da dor (68,9% vs. 46,6%), mas não na ausência de dor ou na ausência do sintoma mais incómodo em 2 horas. A administração de CBD não se mostrou superior ao placebo em relação ao alívio da dor, ausência de dor ou ausência do sintoma mais incómodo após 2 horas.
Não se registaram eventos adversos graves.
O estudo, publicado na revista Headache: The Journal of Head and Face Pain, permitiu concluir que o tratamento agudo da enxaqueca com 6% de THC + 11% de CBD foi superior ao tratamento com o placebo 2 horas após o tratamento, com benefícios sustentados às 24 e 48 horas.
O investigador principal do estudo, Nathaniel Schuster, está disponível para discutir as conclusões.