Coluna cervical é a primeira zona a sofrer devido à má postura
Por volta do meio da manhã, quando o computador está ligado há apenas algumas horas, o pescoço começa a estalar. Uma mão vai para o músculo trapézio, a outra tenta esticá-lo para o lado. Isto acontece todos os dias, na secretária ou no sofá com o portátil em cima. O corpo habitua-se à má postura e, depois, todo o movimento se resume a virar ligeiramente a cabeça, ouvir um estalido e continuar como se nada tivesse acontecido.

O Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional (INSST) define má postura como qualquer posição fixa ou assimétrica que sobrecarrega os músculos e as articulações – algo tão comum como curvar-se sobre um portátil ou manter os braços levantados sem descanso.
Estas posturas estáticas, mantidas durante horas, impedem a recuperação do tecido muscular e aumentam o risco de perturbações músculo-esqueléticas. Devido à má postura mantida ao longo do tempo e aos movimentos repetitivos, a zona cervical é a que acaba por sofrer mais, pois é a primeira a perder a sua capacidade de recuperação.
Além disso, cada vez mais as pessoas mantêm os ombros em rotação interna e numa posição mais cifótica e fechada, o que gera tensão na parte frontal do corpo e não permite uma boa liberdade de movimentos na zona torácica. O efeito acentua-se quando se passam horas em frente a ecrãs ou telemóveis, onde a inclinação da cabeça multiplica a pressão sobre o pescoço.
A verdade é que cada vez se passam mais horas em frente ao computador e isso afeta diretamente a postura. A partir daí, surge a fadiga e o desconforto, que é muitas vezes confundido com uma tensão passageira, embora na verdade reflita um desequilíbrio que se tem vindo a acumular há meses.
De acordo com Albert Valls, fisioterapeuta, a maioria das doenças tratadas pelos fisioterapeutas está relacionada com a coluna cervical e lombar. Grande parte dos tratamentos de fisioterapia domiciliária estão relacionados com problemas musculares.
A dor no pescoço lidera a lista com 42,2% dos casos, seguida pela dor lombar com 15,4% e pela dor na parte superior das costas com 11,9%.
Os dados indicam que não se trata de um aumento de lesões traumáticas, mas sim de desconforto acumulado devido a estilos de vida sedentários, má postura e trabalho em frente a ecrãs. A sobrecarga cervical provocada pelo uso constante do telemóvel também desempenha um papel importante. Segundo o fisioterapeuta, manter a cabeça inclinada para baixo a olhar para o telemóvel é como carregar um peso de 12 quilos na cabeça.
Assim, a fisioterapia domiciliária permite uma continuidade do tratamento, e que os exercícios sejam adaptados a cada paciente, além de evitar deslocações que, em fases agudas, agravariam a dor. A prevenção também é muito importante, não se devendo esperar que o corpo esteja completamente rígido para o começar a trabalhar.
O corpo precisa de movimento e exercícios terapêuticos para melhorar os padrões de movimento, a elasticidade, a mobilidade e reduzir os recetores da dor. Segundo o especialista, atividades físicas como a natação, o ciclismo, o ioga ou o pilates ajudam a manter a saúde articular a longo prazo.