Já é possível criar óvulos funcionais a partir da pele
Um novo estudo levado a cabo por investigadores da Oregon Health & Science University mostrou que é possível transformar células presentes na pele humana em óvulos funcionais capazes de formar embriões, o que poderá vir a ser uma alternativa para tratar a infertilidade – um problema que afeta cerca de 16% dos casais em todo o mundo.

A investigação, publicada na revista Nature Communications, explorou a aplicação em humanos da gametogénese in vitro, uma técnica que começou a ganhar popularidade em 2000 e que visa converter células estaminais pluripotentes induzidas em células sexuais, ou gâmetas, capazes de serem fertilizadas.
Isto oferece uma nova possibilidade em casos em que a fertilização in vitro não é viável, por exemplo, em pessoas que não produzem óvulos ou espermatozoides ou que perderam a qualidade genética devido ao envelhecimento celular.
A descoberta oferece uma forma alternativa de criar gâmetas, através da introdução do núcleo de uma célula da pele num óvulo enucleado, de modo a que o seu citoplasma transforme o interior e construa um gâmeta funcional. Esta técnica é a mesma que foi utilizada para clonar a ovelha Dolly em 1997, mas nesse caso utilizando uma célula da glândula mamária.
O óvulo reconstruído, que originalmente continha 46 cromossomas como qualquer outra célula do corpo, viu o seu número artificialmente reduzido para 23. Assim, com a composição genética adequada, o óvulo estava pronto para receber o restante material genético fornecido pelo espermatozoide e completar a fertilização.
No total, foram criados 82 ovócitos funcionais e fertilizados com espermatozoides de um dador saudável através de fertilização in vitro. Embora todos os embriões tenham iniciado o processo de divisão celular, nenhum progrediu eficazmente. Apenas 9% atingiram o estádio de blastocisto, considerado a “primeira semente” que se implanta no útero.
De acordo com os especialistas, embora o estudo demonstre o potencial da mitomeiosis para a gametogénese in vitro, nesta fase ainda é apenas uma prova de conceito, sendo necessária mais investigação para garantir a eficácia e a segurança antes de futuras aplicações clínicas.