Novo medicamento reverte doenças metabólicas do fígado e fibrose
Investigadores da Universidade McMaster estão a liderar estudos pré-clínicos a um novo medicamento candidato desenvolvido pela Espervita Therapeutics, que tem o potencial de prevenir e reverter a fibrose hepática – uma acumulação perigosa de tecido cicatricial no fígado, induzida por doença, que frequentemente leva ao cancro.

A fibrose hepática é um sintoma em fase avançada da doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASH), que se manifesta geralmente em pessoas com obesidade ou outras condições metabólicas, como a diabetes tipo 2.
As descobertas apontam para um potencial novo tratamento para os milhões de pessoas que vivem com doenças hepáticas, que viria preencher uma lacuna crítica, uma vez que atualmente não existem medicamentos aprovados no Canadá.
Neste momento, aos doentes é prescrita uma dieta mediterrânica e algumas recomendações sobre estilo de vida e exercício, não estando aprovada nenhuma intervenção médica específica. E apesar de duas terapêuticas terem recebido aprovação recentemente nos EUA e na UE, estes agentes demonstraram reduzir a fibrose em apenas cerca de um terço dos doentes.
Segundo Greg Steinberg, principal autor da investigação, embora o paradigma de tratamento atual possa, em alguns casos, atrasar a progressão da doença hepática, geralmente não reverte os danos relacionados com a fibrose que já ocorreram. No entanto, de acordo com os dados pré-clínicos iniciais, um novo medicamento candidato consegue reverter esta situação.
No estudo, cujos resultados foram publicados na revista Cell Metabolism, a equipa de investigação de Steinberg – em colaboração com especialistas dos Estados Unidos, França e Austrália – demonstrou, em modelos de doenças, os poderosos efeitos curativos e reparadores de uma nova terapia com pequenas moléculas.
Os especialistas demonstraram que o medicamento em fase de investigação pode ajudar a controlar os níveis de açúcar no sangue, reduzir o colesterol e destruir a acumulação de gordura que causa fibrose hepática.
O composto, EVT0185, foi inicialmente descrito como um potencial tratamento para o cancro do fígado, após a sua promissora atividade antitumoral ter sido detalhada num artigo publicado na revista Nature. E embora ainda seja muito promissor como terapia contra o cancro, a recente descoberta mostra que também é promissor como possível opção de tratamento para a MASH.
Para Steinberg, o medicamento em desenvolvimento aborda uma importante lacuna terapêutica e tem o potencial de alterar fundamentalmente a forma como se tratam as doenças hepáticas graves e, consequentemente, de prevenir o cancro do fígado e outras complicações, incluindo a diabetes e as doenças cardíacas.
A nova pequena molécula, que atua simultaneamente sobre duas enzimas essenciais para o controlo da síntese e da queima de gordura, denominadas ACLY e ACSS2, desencadeia aquilo que Steinberg descreve como uma “válvula de libertação de carbono” no organismo, que impede a acumulação de substâncias nocivas no fígado e na corrente sanguínea, direcionando-as para fora do organismo através da urina.
O novo composto poderá entrar em ensaios clínicos até 2027, dependendo da conclusão de uma série final de estudos pré-clínicos e toxicológicos.