PÂNCREAS

Identificados genes que predispõem para o cancro do pâncreas

O cancro do pâncreas continua a ser um dos cancros mais letais, prevendo-se que se torne a segunda principal causa de morte relacionada com o cancro até 2030. Um novo estudo do Centro Nacional de Investigação do Cancro (CNIO) permitiu identificar vários conjuntos de genes relacionados com a predisposição para o desenvolvimento de adenocarcinoma ductal pancreático – o tipo mais comum de cancro do pâncreas –, assim como com o prognóstico da doença após o seu aparecimento.

Identificados genes que predispõem para o cancro do pâncreas


A investigação, recentemente publicada na Nature Communications, representa um avanço no desenvolvimento de programas de rastreio populacional, uma ferramenta essencial para o diagnóstico precoce – que é um grande desafio no cancro do pâncreas.

Os genes identificados fazem parte de um mecanismo de defesa inato do organismo, o sistema complemento. Quando as proteínas do sistema complemento falham, ou quando estão ausentes ou são produzidas em excesso, podem surgir doenças. Até à data, poucos estudos haviam relacionado o sistema complemento com o cancro.

O estudo permitiu descobrir que a probabilidade de desenvolver cancro do pâncreas pode aumentar quando dois genes específicos do sistema complemento sofrem mutações. Estes genes, designados por FCN1 e PLAT, podem tornar-se biomarcadores úteis para o rastreio de populações de alto risco.

Quando a presença dos mesmos, juntamente com outros fatores, indica suscetibilidade ao cancro do pâncreas, o indivíduo pode participar num programa de monitorização. Este tipo de programas é crucial no cancro do pâncreas, pois as elevadas taxas de mortalidade estão associadas ao facto de a doença ser geralmente detetada em fases muito avançadas. No entanto, primeiro é necessário identificar os indivíduos que têm maior risco de desenvolver este tumor e, neste contexto, este estudo é de particular valor.

Dentro do sistema complemento, existem outros genes que estão relacionados com dois tipos de células imunitárias: defensoras e reguladoras. A equipa de especialistas descobriu que a atividade de certos grupos de genes determina a infiltração de células defensoras ou reguladoras no tumor. As primeiras aumentam a sobrevivência do cancro, enquanto as segundas têm o efeito oposto.

Compreender a relação entre os genes do sistema complemento e o cancro do pâncreas também pode ter implicações no tratamento. O cancro do pâncreas é um cancro “frio”: consegue camuflar-se do sistema imunitário, pelo que não é “visto” e, por isso, o sistema imunitário não se ativa para o destruir. É por essa razão que não responde à imunoterapia.

De acordo com Núria Malats, uma das líderes do estudo, saber da existência da relação entre o sistema complemento e o cancro do pâncreas permite considerar novas imunoterapias dirigidas a estes genes.

Fonte: Tupam Editores

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