CÉREBRO

Descobertos mecanismos cerebrais por trás das expressões faciais

Um estudo conjunto da Universidade Rockefeller, nos Estados Unidos, e da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel, permitiu apurar que o cérebro prepara e produz expressões faciais através de uma hierarquia temporalmente organizada de “códigos” neurais, incluindo sinais que surgem muito antes do início do movimento.

Descobertos mecanismos cerebrais por trás das expressões faciais


Quando alguém sorri educadamente, exibe um sorriso de reconhecimento ou franze os lábios em sinal de desaprovação, o gesto é minúsculo, mas a mensagem pode ser enorme. Os gestos faciais estão entre as formas mais poderosas de comunicação nas sociedades de primatas, transmitindo emoção, intenção e significado social em frações de segundo.

Durante décadas, a neurociência baseou-se numa divisão clara: as áreas corticais laterais do lobo frontal controlam os movimentos faciais deliberados e voluntários, enquanto as áreas mediais governam as expressões emocionais. Esta perspetiva foi forjada, em parte, a partir de evidências clínicas obtidas em indivíduos com lesões cerebrais focais.

Contudo, ao medir diretamente a atividade dos neurónios individuais em ambas as regiões corticais, os investigadores descobriram algo surpreendente: ambas as regiões codificam gestos voluntários e emocionais, e fazem-no de formas que são distinguíveis muito antes de ocorrer qualquer movimento facial visível.

Por outras palavras, a comunicação facial parece ser planeada não por dois sistemas separados, mas por uma hierarquia neural contínua, onde várias regiões contribuem com informação em diferentes escalas de tempo – algumas rápidas e dinâmicas, outras estáveis e sustentadas.

Na investigação, publicada na revista Science, a equipa de especialistas descobriu que o cérebro utiliza padrões temporais específicos em cada área, formando um contínuo. Por um lado, a atividade neural dinâmica reflete o rápido desenvolvimento do movimento facial, como a coreografia muscular em constante mudança envolvida numa expressão.
Por outro lado, a atividade neural estável funciona mais como um sinal sustentado de “intenção” ou “contexto”, persistindo ao longo do tempo para sustentar um resultado socialmente apropriado.

Em conjunto, estes padrões de atividade permitem ao cérebro gerar gestos faciais coerentes que correspondem ao contexto: deliberados ou espontâneos, socialmente calibrados e prontos para a comunicação.

Importa referir que os gestos faciais não são apenas movimentos físicos. São ações sociais, e o cérebro interpreta-as como tal. Esta descoberta oferece uma nova estrutura para a compreensão social e redefine a expressão facial como algo mais sofisticado do que um reflexo ou uma simples decisão: é o produto de uma hierarquia neural coordenada que liga a emoção, a intenção e a ação.

Além disso, ao demonstrar que múltiplas regiões cerebrais funcionam em paralelo, cada uma contribuindo com diferentes códigos temporais, o estudo abre novos caminhos para explorar como o cérebro produz comportamentos socialmente significativos.

Fonte: Tupam Editores

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