PARKINSON

Pesticida muito utilizado ligado a risco duplicado de Parkinson

Um novo estudo da UCLA Health descobriu que a exposição residencial prolongada ao pesticida clorpirifós está associada a um risco mais de 2,5 vezes superior de desenvolver a doença de Parkinson.

Pesticida muito utilizado ligado a risco duplicado de Parkinson


O Clorpirifós é um inseticida organofosforado de amplo espetro, usado na agricultura há décadas para controlar pragas sugadoras e mastigadoras (pulgões, lagartas, etc.) em diversas culturas (cereais, frutas, legumes) e também para pragas urbanas (baratas, mosquitos), atuando por contacto, ingestão e fumigação, sendo eficaz e económico, mas com preocupações ambientais e de saúde. Embora o seu uso residencial tenha sido proibido em 2001 e o uso agrícola restringido em 2021, o clorpirifós ainda é utilizado em muitas culturas nos EUA e amplamente utilizado noutros países.

Apesar de a genética desempenhar um papel no desenvolvimento de Parkinson, os fatores ambientais, como a exposição a pesticidas, são cada vez mais reconhecidos como importantes contribuintes. Descobrir quais os pesticidas específicos que aumentam o risco de Parkinson pode ajudar nas estratégias de prevenção e a identificar as pessoas que podem beneficiar de uma monitorização precoce ou de futuros tratamentos preventivos.

A investigação, publicada na revista Molecular Neurodegeneration, combinou dados populacionais humanos com experiências laboratoriais que mostraram como o pesticida danifica as células cerebrais produtoras de dopamina, fornecendo provas biológicas para a ligação.

Durante o estudo, os investigadores analisaram dados de 829 pessoas com doença de Parkinson e 824 sem a doença, todas participantes no estudo de longa duração da UCLA sobre Parkinson, Ambiente e Genes. A equipa utilizou os relatórios de utilização de pesticidas da Califórnia, juntamente com os endereços residenciais e de trabalho dos participantes, para estimar a exposição individual ao clorpirifós ao longo do tempo.

Para compreender como o pesticida pode causar danos cerebrais, os especialistas expuseram ratinhos a aerossóis de clorpirifós durante 11 semanas, utilizando métodos de inalação que simulam a forma como os humanos normalmente têm contacto com a substância química. Foram ainda realizadas experiências com peixes-zebra para identificar os mecanismos biológicos específicos de dano.

Os resultados permitiram apurar que as pessoas com exposição residencial prolongada ao clorpirifós apresentaram um risco 2,5 vezes maior de desenvolver a doença de Parkinson em comparação com aquelas sem essa exposição.

Os ratinhos expostos ao pesticida desenvolveram problemas de movimento e perderam neurónios produtores de dopamina, as mesmas células que morrem nos doentes de Parkinson. Estes animais apresentaram ainda inflamação cerebral e acumulação anormal de alfa-sinucleína, uma proteína que se aglomera na doença de Parkinson.

As experiências com os peixes-zebra revelaram que o clorpirifós danifica os neurónios ao interromper a autofagia, o processo celular que elimina as proteínas danificadas. Quando os investigadores restauraram este processo de limpeza ou removeram a proteína sinucleína, os neurónios ficaram protegidos contra danos.

As descobertas identificam a disfunção da autofagia como um alvo potencial para o desenvolvimento de tratamentos que possam proteger o cérebro dos danos causados pelos pesticidas.

Estudos futuros poderão avaliar se outros pesticidas habitualmente utilizados causam danos semelhantes ao clorpirifós e se intervenções que melhorem os processos de limpeza celular podem reduzir o risco de Parkinson em populações expostas. O trabalho sugere ainda que pessoas com história de exposição e este pesticida podem beneficiar de uma monitorização neurológica mais rigorosa.

Fonte: Tupam Editores

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