ALIMENTAÇÃO

Baixa ingestão de licopeno eleva risco de doença gengival grave

Uma investigação publicada na revista The Journal of Nutrition, Health and Aging permitiu descobrir que a ingestão insuficiente de licopeno na dieta está associada a um risco significativamente maior de periodontite grave em adultos americanos dos 65 aos 79 anos, com diferenças nos padrões de risco observadas entre raças e sexos.

Baixa ingestão de licopeno eleva risco de doença gengival grave


Para o estudo foram analisados dados de 1.227 participantes do National Health and Nutrition Survey (NHANES, 2009–2014). Quase metade (48,7%) dos idosos participantes apresentavam algum grau de periodontite, e 77,9% consumiam licopeno insuficiente na dieta – um carotenoide comummente encontrado no tomate e noutros frutos vermelhos.

Após ajustes para idade, sexo, raça, tabagismo e escolaridade, o estudo apurou que os idosos com ingestão suficiente de licopeno apresentavam cerca de um terço da probabilidade de desenvolver periodontite grave em comparação com aqueles com ingestão insuficiente.

Foram identificadas ainda disparidades no risco da doença. A periodontite grave foi mais comum entre os homens e adultos negros não hispânicos. Os resultados permitiram concluir que a ingestão adequada de licopeno estava associada a uma menor probabilidade de periodontite grave (razão de probabilidade 0,33).

Os adultos negros não hispânicos apresentaram maior probabilidade de periodontite grave do que os adultos brancos não hispânicos (razão de probabilidade 2,82). As mulheres apresentaram menor probabilidade de desenvolver periodontite grave do que os homens (razão de probabilidade 0,27).

Entre os adultos brancos não hispânicos, tanto o sexo feminino como a ingestão suficiente de licopeno estiveram associados a um menor risco. Já entre os adultos negros não hispânicos, não foi observada a mesma associação com o licopeno, sugerindo diferenças nos padrões de risco.

Para a equipa de especialistas, as descobertas sugerem que o licopeno na dieta pode ser um importante fator modificável para a prevenção de doenças gengivais graves em idosos. No entanto, como o estudo foi transversal, não se pode determinar a causalidade.
A investigação torna evidentes ainda as disparidades raciais e de género na doença periodontal, com os adultos negros não hispânicos e os homens a apresentarem uma maior prevalência de doença grave.

Os investigadores recomendam que as futuras estratégias de prevenção considerem intervenções dietéticas específicas para cada raça e sexo, e defendem a realização de ensaios clínicos longitudinais ou randomizados para avaliar se o aumento da ingestão de licopeno reduz o risco ou a progressão da doença.

Fonte: Tupam Editores

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