Tem ideia da frequência com que se deve mudar os lençóis?
Uma cama limpa não é uma questão estética, mas uma forma de proteger a saúde e o bem-estar. Embora não sejam visíveis a olho nu, os vestígios de suor e pele deixados nos lençóis criam um ambiente propício para bactérias e fungos, que se multiplicam se estes não forem lavados com a frequência necessária.

A verdade é que entre a falta de hábito e a correria do dia-a-dia, essa tarefa doméstica é sempre adiada para outro dia, como se não houvesse problemas. Mas a cama não é apenas um lugar para descansar, também é um lugar onde tudo se acumula, mesmo que não se consiga ver.
De acordo com Philip Tierno, microbiologista da Universidade de Nova York, deixar os lençóis durante mais de uma semana transforma a cama num parque botânico para bactérias e fungos. Isto acontece por um motivo muito simples: suor, resíduos da pele e humidade criam o ambiente perfeito para a proliferação de microrganismos enquanto a pessoa dorme tranquilamente. E o que, à primeira vista, parece limpo, carrega uma carga biológica significativa.
Pode até parecer exagero, mas dormir em lençóis sujos pode ter efeitos reais na saúde das pessoas. Trocar os lençóis semanalmente reduz significativamente a quantidade de ácaros e alérgenos na cama, melhorando a qualidade do sono e a saúde geral.
Essa medida não só ajuda a descansar melhor, como reduz o risco de irritação, congestão nasal ou desconforto respiratório, que nem sempre são facilmente identificados. Essas reações podem afetar inclusive pessoas sem alergias diagnosticadas.
Segundo o microbiologista, estar fisicamente bem não garante imunidade aos efeitos de uma cama suja. Mas os dados mostram que muitas pessoas ainda não levam isso a sério. A investigação Time 4 Sleep descobriu que apenas 28% dos britânicos lavam os lençóis semanalmente: 40% fazem-no a cada duas semanas, enquanto 24% estendem esse período para três ou quatro semanas. E ainda há 8% que permanecem sem classificação. Outra investigação da BBC afirma que 46% dos homens britânicos solteiros podem passar até quatro meses com os mesmos lençóis.
Embora as percentagens possam variar de acordo com o país e as circunstâncias, a recomendação dos especialistas é consistente: devem-se mudar os lençóis pelo menos uma vez por semana. Tierno, no entanto, considera sete dias como a frequência máxima. Manter os mesmos lençóis durante mais tempo aumenta as probabilidades de se dormir sobre um material carregado de bactérias, fungos e alérgenos que afetam o sono.
Aliás, existem casos em que é aconselhável mudar os lençóis mais cedo. Se alguém estiver doente, os especialistas sugerem a troca dos lençóis a cada dois dias para evitar reinfeções. Também em casos de suor intenso, animais de estimação na cama, comida no colchão ou alergias diagnosticadas, o intervalo deve ser reduzido.
Nessas situações, além das trocas frequentes, é útil arejar o quarto diariamente e lavar os pijamas regularmente. Isso reduz o acúmulo de partículas nocivas e promove um ambiente mais saudável.
Mas não é apenas a frequência que importa, o tipo de lavagem também tem influência no resultado. Um programa de baixa temperatura, como 30 graus, elimina apenas 6% das bactérias, de acordo com vários estudos. Já temperaturas superiores a 60°C eliminam germes, fungos e ácaros com mais eficácia. Esta diferença pode parecer mínima, mas tem consequências reais para a higiene do sono.
Mudar os lençóis da cama deveria ser um habito semanal, tal como deitar o lixo fora ou fazer compras. Estabelecer um dia certo e deixar lençóis limpos à vista pode ajudar a evitar esquecimentos. Afinal, não se trata de fazer tudo bem feito, mas de não negligenciar a saúde.