ALIMENTAÇÃO

Dieta rica em ultraprocessados eleva risco de cancro do pulmão

O cancro do pulmão é o cancro mais comum no mundo. De acordo com um estudo publicado online no jornal Thorax, uma maior ingestão de alimentos ultraprocessados está associada a um risco aumentado deste tipo de cancro.

Dieta rica em ultraprocessados eleva risco de cancro do pulmão


Os alimentos ultraprocessados geralmente passam por várias etapas de processamento, contêm longas listas de aditivos e conservantes e estão prontos a comer ou aquecer. O seu alto consumo tem sido associado a um risco elevado de diversas condições de saúde, e era objetivo da equipa descobrir se entre esses problemas também estaria incluído o cancro do pulmão.

Os especialistas basearam-se em dados dos Ensaios de Rastreio do Cancro da Próstata, Pulmão, Colorretal e Ovários dos EUA, que envolveram 155.000 participantes com idades entre 55 e 74 anos, que foram aleatoriamente designados para um grupo de rastreio ou de comparação entre novembro de 1993 e julho de 2001. Os diagnósticos de cancro foram monitorizados até ao fim de 2009 e as mortes por cancro até ao fim de 2018.

No estudo participaram cerca de 101.732 pessoas (50.187 homens e 51.545 mulheres; idade média de 62 anos) que responderam a um questionário de Frequência Alimentar sobre os seus hábitos alimentares ao iniciar os ensaios.
Os alimentos foram categorizados como: não processados ou minimamente processados; contendo ingredientes culinários processados; processados; e ultraprocessados.

A equipa concentrou-se em particular nos alimentos ultraprocessados que incluíam creme de leite, bem como queijo cremoso, gelados, iogurte congelado, fritos, pães, assados, salgadinhos, cereais matinais, massa instantânea, sopas e molhos prontos, margarina, doces, refrigerantes, sumos de frutas adoçados, hambúrgueres comprados em restaurantes/lojas, cachorros-quentes e pizzas.

O consumo médio de alimentos ultraprocessados ajustado para energia foi de quase 3 porções/dia, mas variou de 0,5 a 6. Os três tipos de alimentos que mais se destacaram foram as carnes processadas (11%), refrigerantes diet ou com cafeína (pouco mais de 7%) e refrigerantes descafeinados (quase 7%).

Durante um período médio de monitorização de 12 anos, foram diagnosticados 1.706 novos casos de cancro do pulmão, incluindo 1.473 (86%) casos de cancro do pulmão de não pequenas células (CPNPC) e 233 (14%) de cancro do pulmão de células pequenas (CPPC). O número de casos foi maior entre aqueles que consumiram mais alimentos ultraprocessados do que entre os que consumiram menos (495/25.434 vs. 331/25.433).

Após considerar fatores potencialmente influentes, incluindo tabagismo e qualidade geral da dieta, os participantes no trimestre mais alto de consumo de alimentos ultraprocessados ajustado por energia tiveram 41% mais hipóteses de serem diagnosticados com cancro do pulmão do que aqueles no trimestre mais baixo. Mais especificamente, tiveram 37% mais hipóteses de serem diagnosticados com CPNPC e 44% mais hipóteses de serem diagnosticados com CPPC.

O estudo é observacional e, como tal, não é possível tirar conclusões definitivas sobre causa e efeito. As descobertas precisam de ser confirmadas por outros estudos longitudinais de larga escala em diferentes populações e contextos mas, se a causalidade for estabelecida, limitar as tendências de ingestão de alimentos ultraprocessados pode contribuir para reduzir a incidência de cancro do pulmão globalmente.

Fonte: Tupam Editores

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