ESCLEROSE

Dieta com trigo pode exacerbar gravidade da esclerose múltipla

O trigo tornou-se um alimento básico em todo o mundo. Uma equipa de investigação do Centro Médico Universitário de Mainz descobriu que uma dieta contendo trigo pode aumentar a gravidade da esclerose múltipla (EM). Isto fica a dever-se aos inibidores da amilase tripsina (ATI), proteínas naturais do trigo.

Dieta com trigo pode exacerbar gravidade da esclerose múltipla

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Os estudos confirmam que a dieta e a saúde intestinal podem influenciar a evolução das doenças inflamatórias crónicas, incluindo a EM. O que é relevante é que um alimento específico, neste caso um ingrediente definido, pode promover esta inflamação. O objetivo dos especialistas era investigar até que ponto uma dieta isenta de trigo poderia melhorar as terapias medicamentosas para esta doença degenerativa.

Sabe-se que certas proteínas do trigo podem causar reações inflamatórias. Isso inclui a doença celíaca, que afeta cerca de 1% da população. O que é novo é que outras proteínas do trigo podem geralmente contribuir para a inflamação. Até agora, contudo, não havia provas claras de que uma dieta contendo trigo também pudesse influenciar doenças inflamatórias do sistema nervoso central.

Na investigação, publicada nas revistas Gut e Therapeutic Advances in Neurological Disorders, os especialistas conseguiram demonstrar, tanto num modelo animal como num estudo piloto clínico, que as proteínas ATI no trigo podem aumentar a gravidade da EM. Essas proteínas ATI desempenham um papel mais amplo na inflamação do que as proteínas do glúten.

Os inibidores da amilase tripsina são proteínas naturais encontradas em cereais como trigo, cevada e centeio. As proteínas ATI são dificilmente digeridas e causam reações inflamatórias leves no intestino. Mas elas não atuam apenas no intestino: células inflamatórias e mediadores inflamatórios solúveis ativados pela ATI também podem ser transportados do intestino para outras partes do corpo através da corrente sanguínea.

Os investigadores descobriram que as proteínas ATI promovem processos inflamatórios existentes em órgãos como o fígado ou os pulmões, mas a novidade é que também o fazem no sistema nervoso central. Como resultado, podem exacerbar os sintomas da EM.

O estudo inicial realizado num modelo animal mostrou que uma dieta contendo 25% de trigo piorou significativamente os sintomas da EM em comparação com uma dieta idêntica, mas sem trigo. Os resultados também puderam ser reproduzidos com uma quantidade mínima de proteínas ATI (0,15% do peso da ração), mas não com uma grande quantidade de proteínas do glúten (5% do peso da ração).

A equipa de investigação conseguiu então confirmar os resultados do modelo animal num estudo piloto clínico. No estudo participaram pacientes com EM moderadamente grave e levemente ativa. Um grupo de estudo seguiu uma dieta com redução de trigo durante três meses, enquanto o outro grupo continuou a dieta contendo trigo.

Após os três meses, os grupos mudaram para outra dieta durante mais três meses. Os pacientes com EM relataram significativamente menos dor durante a dieta sem trigo. Também foram medidas menos células imunes inflamatórias no sangue.

De acordo com o Dr. Detlef Schuppan, os estudos mostram quão importante é a dieta, as suas interações com o microbioma intestinal e o sistema imunológico intestinal para a saúde. Uma dieta sem trigo pode reduzir a gravidade da EM e de outras doenças inflamatórias.

Fonte: Tupam Editores

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