VIDA MARINHA - É urgente proteger!

  Tupam Editores

Se para si os oceanos são apenas o habitat de um vasto número de plantas e animais, então está desinformado!

Os oceanos possuem uma importância fundamental na manutenção da vida no nosso planeta. Quando observamos uma foto espacial da Terra, tudo o que vemos é o azul dos mares, isso porque cerca de três quartos da superfície terrestre é coberta por água, sendo que 97 por cento dessa água se encontra nos mares e oceanos.

Além de possuírem uma enorme biodiversidade, os oceanos são essenciais para a manutenção de toda a vida no planeta, pois fazem parte de vários ciclos geobioquímicos, têm um papel fulcral na fixação de CO2, regulam o clima terrestre e são os maiores produtores de oxigénio do mundo. Eles também foram, e ainda são, cruciais para o desenvolvimento social e económico da sociedade.

Desde as sociedades antigas até aos dias atuais, os seres humanos têm vivido perto dos mares. Hoje grande parte da população mundial vive em zonas costeiras. Vários recursos fundamentais para a nossa sobrevivência (desde alimentícios, até mesmo os derivados de petróleo) são provenientes dos ecossistemas marinhos. Não nos podemos esquecer também do seu valor para o turismo e lazer.

O homem, porém, não tem sabido preservar nem proteger esta grande riqueza que são os oceanos – considerados berços da vida. Bem pelo contrário!

Os oceanos albergam aproximadamente 230 mil espécies, estimando-se que estejam ainda por descobrir cerca de 91 por cento do total de espécies existentes. Muitas das que se conhecem (377 aproximadamente) estão em perigo ou criticamente em perigo, segundo o Livro vermelho das espécies em perigo da IUCN (The IUCN Red List of Threatened Species, 2016).

Por muito que custe, a verdade é que as maiores ameaças à vida marinha são a pesca excessiva, alterações climáticas, atividades mineiras (exploração de petróleo, gás e minerais), a navegação comercial, as atividades turísticas, o desenvolvimento costeiro (navegação de recreio, desenvolvimento dos centros urbanos junto ao mar, hotéis e outros centros turísticos), e a poluição.

Plástico-no-oceano

Mais de 80 por cento da poluição marinha provém de atividades humanas desenvolvidas em terra, e que chega aos oceanos de forma acidental ou deliberada. Estes poluentes tem as mais diversas origens, desde sacos plásticos a pesticidas passando por esgotos não tratados e por químicos tóxicos.

O lixo marinho flutuante pode ser visto em todos os oceanos inclusive em áreas sem presença humana. Os plásticos (artes de pesca, boias, garrafas, sacos plásticos, balões, plásticos de embalagens, palhinhas, hastes de chupa-chupa, etc.) são atualmente reconhecidos como uma das mais importantes e preocupantes fontes de poluição do meio marinho e diz respeito a todos os habitats marinhos, tendo efeito global em toda a biodiversidade.

O inimigo é de plástico: impacto nas espécies

A poluição causada pelo plástico é uma das maiores inimigas da vida marinha. Se continuarmos a agir como até aqui, a previsão é que em 2050 os oceanos terão mais lixo do que peixes.

Precisamente numa tentativa de encorajar nas consciências pessoais, ações e compromissos para reduzir o plástico de uso único e promover uma mudança/transformação nas atitudes é que, este ano, o Dia Mundial dos Oceanos – que se celebra a 8 de junho –, tem por tema “Juntos, podemos proteger e renovar o nosso oceano”.

A solução passa primeiramente por um maior reconhecimento do problema e pela aplicação rígida das leis ambientais.

A educação ambiental da população é de extrema importância – as pessoas devem ser informadas sobre como pequenas ações individuais podem trazer consequências letais para a vida marinha.

Devido às suas características físicas os plásticos encontram-se amplamente espalhados pelo ambiente marinho. Estes podem matar os animais marinhos através de dois mecanismos principais: ingestão e aprisionamento.

Sabe-se que, pelo menos, 267 espécies já sofreram devido a enredamento ou ingestão de plásticos, incluindo aves marinhas, tartarugas, leões marinhos, focas, cetáceos, e peixes.

Tartaruga-deformada-plástico

O plástico pode causar danos diretos nos seres marinhos através do emaranhamento/enredamento (causando morte por afogamento ou deformidades no corpo), ou má nutrição (bloqueio do aparelho digestivo e pseudo-satisfação por preenchimento do estômago) resultando frequentemente na sua morte.

Mas também existem danos indiretos relacionados com a acumulação de metais pesados e outros químicos, tais como bifenilos policlorados (PCBs), bifenilos polibromados (PBDEs) e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (PAHs).

Estima-se que os resíduos plásticos matam 100.000 mamíferos marinhos todos os anos, assim como tartarugas-marinhas, aves e peixes (National Oceanographic and Atmospheric Administration, 2014).

Muitos mamíferos marinhos morrem enredados em material de pesca à deriva, ou ficam com pedaços desses materiais presos ao corpo, causando deformações que acabam por os levar à morte.

Muitas tartarugas, que morreram pela ingestão de detritos, tinham plásticos ou linhas de pesca nos seus estômagos. Estes animais ingerem os detritos por os confundirem com as suas presas habituais (águas-vivas, caravelas ou outros seres gelatinosos) ou em conjunto com essas mesmas presas.

Estes plásticos provocam subnutrição, e podem causar lesões no trato intestinal, originando úlceras e necroses. Além disso, conduzem à perda do controle de flutuabilidade devido ao alimento ficar mais tempo no estômago, o que leva à acumulação de gás no intestino.

Os peixes com cores claras e brilhantes podem facilmente ser confundidos com pedaços de plástico que flutuam na água. Para uma ave marinha, a diferença entre as suas presas naturais e os pedaços de plástico poderá ser quase inexistente. A ingestão de plásticos pode causar envenenamento, danos no aparelho digestivo e obstrução do mesmo, má nutrição e fome.

Tartaruga-presa-cordas

As artes de pesca (redes, armadilhas, linhas com anzóis, etc) abandonadas ou perdidas, que ficam à deriva ou presas nos fundos, continuam a capturar organismos marinhos durante muito tempo. Isto constitui um grande problema e afeta muitas espécies, principalmente mamíferos marinhos, tartarugas e peixes pelágicos, mas também as aves marinhas e outras espécies que vivem junto aos fundos.

Muitos animais morrem vítimas desta “pesca fantasma” e muitos outros, à semelhança do que acontece com outros detritos plásticos, ficam emaranhados/enredados o que acaba por lhes causar deformidades que os levam à morte.

Mas os malefícios do homem aos oceanos e à vida marinha não se ficam por aqui. Sabia que cerca de 10 por cento dos corais do mundo estão ameaçados por produtos químicos provenientes dos protetores solares?

O protetor solar é obviamente importante para a proteção contra os riscos dos raios ultra-violeta, no entanto, o homem deve ter mais cuidado na sua escolha.

Os produtos químicos carregados pelas cerca de 70 milhões de pessoas que visitam praias anualmente levam cerca de 6 mil toneladas de protetores solares que são dissolvidos no oceano a cada ano. Estes químicos, incluindo filtros orgânicos, que são benéficos ao ser humano, podem enfraquecer e matar os corais e suas algas simbióticas.

Podemos ajudar a proteger os ambientes marinhos ao escolher protetores solares com base mineral e que não contenham compostos químicos conhecidos por ter efeitos negativos no oceano – como é o caso da oxibenzona e do metoxicinamato de octilo, que são muito tóxicos para a vida marinha.

Este pequeno esforço, combinado com o de milhões de outros nadadores, mergulhadores e amantes da praia que pensam da mesma forma, pode ajudar a manter os oceanos mais saudáveis para as gerações futuras, e até a cumprir o Objetivo 14.

Cumprir o Objetivo 14

Sabe o que é o Objetivo 14? Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) são 17, e o Objetivo 14 diz respeito à proteção da vida marinha – Conservar e usar de forma sustentável os oceanos, mares e os recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.

Atualmente, cerca de 40 por cento dos oceanos são considerados densamente afetados por ações do homem. Para proteger a vida na água e ajudar a reverter este cenário bastaria que cada um de nós alterasse algumas atitudes do dia-a-dia.

Todos os anos, centenas de milhares de animais marinhos morrem devido a sacos de plástico que acabam nos oceanos, mas estes são uma pequena parte do problema.

Embalagens de comida, talheres de plástico, palhinhas, garrafas de água e de refrigerantes, lâminas de barbear descartáveis, entre muitos outros exemplos possíveis, são alguns dos responsáveis pela destruição de habitats marinhos e morte de animais.

Habituar-se a reciclar, optar por talheres e garrafas reutilizáveis, estão entre os passos que pode começar desde já a dar para reduzir o desperdício de plástico. Tendo de se utilizar, deve optar-se por plásticos ecológicos (biodegradáveis ou recicláveis).

Largada-de-balões

Acondicionar de forma adequada os resíduos plásticos para que não sejam levados pelo vento e pelas águas é outra atitude que fará muita diferença.

Evitar as largadas de balões – muito em voga para celebração de algum evento – e a utilização de balões em geral, pois estes acabam por cair no mar!
Os cigarros fazem mal aos humanos, mas sabia que também fazem mal aos oceanos? Por ano, 4,5 trilhões de beatas de cigarro vão para o lixo em todo o mundo. E, tal como as garrafas e outros plásticos, muitas delas acabam por ir parar às praias e ao mar.

Os filtros de cigarro têm, na sua composição, milhares de substâncias químicas, que podem matar peixes marinhos e de água doce.

Se é fumador, deite a sua beata numa lata de lixo ou, se estiver na praia, leve consigo um cinzeiro para depois esvaziar no sítio certo.

Certifique-se de que deixa a praia como a encontrou, eliminando os vestígios da sua passagem por lá. Na areia deve deixar apenas as suas pegadas, não lixo.

Se se preocupa com a vida marinha e consigo mesmo, comece hoje a agir. Amanhã pode ser tarde demais…

Saber Mais: http://ce3c.ciencias.ulisboa.pt/fotos/publicacoes/1482316861.pdf https://www.ods.pt/objectivos/14-oceanos-mares-e-recursos-marinhos/ https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/1096294/1/cap.1.pdf

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