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Vacina personalizada reduz em 42% risco de morte ou recidiva de melanoma

A Moderna e a Merck anunciaram que a sua vacina de mRNA contra o cancro, quando combinada com o imunoterápico Keytruda, reduziu em 42% o risco de morte ou recidiva de melanoma num estudo de fase 3 com mais de 1.100 doentes.

Vacina personalizada reduz em 42% risco de morte ou recidiva de melanoma

A combinação entre a vacina de mRNA e o tratamento imunoterápico Keytruda diminuiu também em 38% o risco de disseminação da doença. Ao fim de dois anos, 82,2% dos doentes que receberam a vacina e o Keytruda continuavam livres de cancro, contra 70% dos que receberam apenas o Keytruda.

A vacina, chamada intismeran autogene, é personalizada, baseia-se nas mutações específicas do tumor de cada doente. Enquanto o Keytruda retira o “travão” que as células cancerígenas usam para se esconderem do sistema imunitário, a vacina instrui o organismo a reconhecer e a destruir essas mutações. Segundo a Folha, no estudo foram administradas nove doses, a partir de 13 semanas após a cirurgia de remoção das lesões, e os resultados serão apresentados no sábado (24) no congresso ESMO 2026, em Madrid.

As empresas preparam o pedido de aprovação nos EUA e esperam lançar a vacina em 2027. A combinação está também a ser testada em cancros do rim, da bexiga e do pulmão, e o CEO da Moderna, Stephane Bancel, admite que o intismeran possa funcionar isoladamente em cancros em fase inicial.

No mercado, as ações da Moderna, que tinham quase quadruplicado de valor desde o anúncio do sucesso do estudo em agosto, caíram mais de 17% depois de os resultados terem sido divulgados num site de oncologia, enquanto as da Merck desceram cerca de 1,8%. Acontece que os investidores já tinham incorporado expectativas muito elevadas, e a queda reflete o confronto dessas expectativas com os números reais.

Os dados ficaram aquém do que o mercado esperava, o que não quer dizer que tenham ficado aquém do que a comunidade científica previa. Vários analistas de Wall Street contavam com uma redução do risco de recidiva de 40% ou mais, e os 42% ficaram praticamente em linha com isso, mas, depois de uma valorização tão grande, “em linha” não bastou. Além disso, o melanoma era visto como o cenário mais favorável para esta tecnologia, pelo que alguns analistas receiam que os resultados noutros tipos de cancro sejam menos impressionantes. Trung Huynh, do RBC, disse que os dados o deixam menos otimista quanto ao valor das franquias de intismeran em toda a oncologia.

O jornalista especializado em ciência, Marcelo Leite, justifica num artigo de opinião a descida das ações com meses em alta desde agosto, o autor entende que foi apenas uma correção de expectativas exageradas do mercado, e não desconfiança em relação aos resultados. Conclui que, desde a cerimónia de 2000, a retórica sobre a genómica foi sendo calibrada para corresponder melhor às conquistas, que são várias, mas menos estrondosas do que então se propagava.

Acrescenta que os dados, apresentados em Madrid, renovam a sua fé, ainda que comedida, numa medicina de precisão capaz de vencer os tumores. Contudo alerta para o facto do ensaio, liderado por Georgina Long, do Melanoma Institute Australia, em Sydney, incluir 1.137 doentes com melanoma moderado ou avançado, recrutados em 157 clínicas. Metade recebeu o tratamento duplo e a outra metade recebeu apenas pembrolizumab com um placebo ativo. O autor sublinha que, apesar de animador, o resultado não é uma panaceia: os restantes 58% não respondem à vacina, e em vários casos a amostra retirada na cirurgia não foi suficiente para identificar todas as mutações e orientar a produção da vacina.

Fonte: Tupam Editores

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