Campanha contra a gripe começa no final de setembro e passa a incluir crianças dos dois aos quatro anos
A vacinação sazonal contra a gripe terá início a 30 de setembro e decorrerá até 31 de março de 2027. Durante este período, a campanha será realizada em simultâneo com a vacinação contra a covid-19 e incluirá novas regras de acesso gratuito para alguns grupos da população.

A principal alteração prevista para a próxima campanha é a extensão da vacinação gratuita às crianças entre os dois e os quatro anos. A medida está contemplada na norma divulgada pela Direção-Geral da Saúde (DGS), que define a estratégia para os meses de outono e inverno.
Para esta época, o Serviço Nacional de Saúde assegurou aproximadamente 2,3 milhões de vacinas contra a gripe de dose normal e cerca de 369 mil doses destinadas a pessoas para quem está indicada uma formulação de maior concentração. Em comparação com a campanha anterior, foram adquiridas mais 187 mil unidades de dose normal e mais 12 mil de dose elevada, uma quantidade que, segundo a DGS, deverá permitir responder à procura dos cidadãos elegíveis.
As crianças dos dois aos quatro anos receberão a vacina trivalente inativada de dose padrão. Nos casos em que os bebés e as crianças entre os seis e os 23 meses nunca tenham sido vacinados contra a gripe, a DGS recomenda a administração de duas doses, de forma a reforçar a proteção individual e limitar a circulação do vírus na comunidade.
A vacinação infantil poderá ser realizada em unidades do SNS, bem como em hospitais, clínicas privadas e instituições do setor social que estejam oficialmente autorizadas a funcionar como centros de vacinação.
Também haverá mudanças no acesso às farmácias. A administração da vacina contra a gripe nestes estabelecimentos será disponibilizada a pessoas dos 18 aos 59 anos que tenham doenças ou condições consideradas de risco e que cumpram os critérios definidos pelas autoridades de saúde.
A campanha abrange ainda diversos grupos profissionais e populacionais. Entre eles estão trabalhadores que prestam cuidados diretos em instituições privadas e sociais com internamento, cirurgia de ambulatório, serviços de obstetrícia e neonatologia, unidades de diálise e estabelecimentos com atendimento permanente.
Grávidas, profissionais do SNS, bombeiros que contactem diretamente com pessoas particularmente vulneráveis, pessoas privadas de liberdade e cidadãos em situação de sem-abrigo também fazem parte dos grupos prioritários identificados na norma.
Para os cidadãos com 85 ou mais anos está prevista a utilização de vacinas de dose elevada. A mesma formulação será administrada a pessoas a partir dos 60 anos que vivam em lares, residências para idosos, centros de acolhimento temporário ou estejam integradas na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados.
A estratégia tem como objetivos reduzir os casos graves, as hospitalizações e a transmissão do vírus, sobretudo entre pessoas com maior vulnerabilidade. A DGS pretende igualmente diminuir a pressão sobre os serviços de saúde, que enfrentam habitualmente um aumento da procura durante os meses mais frios devido à circulação de vírus respiratórios.
A vacinação contra a covid-19 decorrerá no mesmo intervalo, entre 30 de setembro e 31 de março. No entanto, a recomendação geral para a vacinação passa a aplicar-se a partir dos 70 anos, em vez dos 60 anos previstos anteriormente.
Continuarão a ser abrangidas pessoas com doenças ou características associadas a um risco acrescido de desenvolver formas graves da infeção, assim como residentes em instituições e outros contextos considerados especialmente vulneráveis.
A nova orientação dá também maior importância aos profissionais de saúde que tenham fatores individuais de risco ou que prestem cuidados regulares e diretos a pessoas vulneráveis. A proteção destes trabalhadores é apresentada como uma das prioridades da campanha.
No caso da vacinação contra a covid-19, as farmácias poderão administrar a vacina a pessoas entre os 18 e os 69 anos que tenham patologias de risco. Para quem tem entre 70 e 84 anos, a vacinação continuará disponível independentemente da existência de doenças associadas.