POLUIÇÃO

Estudo associa poluição atmosférica a maior risco de pensamentos e comportamentos suicidas

A exposição à poluição do ar pode estar relacionada com um aumento dos pensamentos suicidas, das tentativas de suicídio e das mortes provocadas por suicídio. A conclusão resulta de uma meta-análise conduzida por investigadores do Centro de Saúde Pública da Universidade Queen’s de Belfast, no Reino Unido, e publicada no Journal of Epidemiology & Community Health.

Estudo associa poluição atmosférica a maior risco de pensamentos e comportamentos suicidas

O trabalho analisou a influência de diferentes fatores ambientais e sociodemográficos sobre o risco de comportamentos suicidas. Entre os elementos considerados estiveram a poluição atmosférica, sonora, luminosa e da água, além de variáveis como o sexo e o nível de rendimento.

Os investigadores identificaram 45 estudos publicados em inglês entre janeiro de 2010 e abril de 2024. Destes, 38 avaliavam a poluição ambiental, três incidiam sobre o ruído e um analisava os efeitos da poluição luminosa. No total, 29 trabalhos foram incluídos numa análise estatística conjunta, enquanto os restantes foram examinados através de uma revisão dos dados disponíveis.

Os resultados apontaram para uma associação relevante entre a exposição a partículas finas e o risco de suicídio. Tanto o contacto de curta duração com partículas PM2,5 e PM10 como a exposição prolongada a PM2,5 e dióxido de azoto estiveram relacionados com pensamentos suicidas, tentativas de suicídio e mortes por suicídio.

A análise sugere que mesmo períodos relativamente breves de exposição à poluição podem ter impacto, embora os efeitos também se possam acumular quando a exposição se mantém durante vários meses. Entre os poluentes avaliados encontravam-se as partículas PM2,5 e PM10, o dióxido de azoto, o dióxido de enxofre e o ozono.

Segundo os autores, uma possível explicação está nos efeitos da poluição sobre o sistema nervoso e o funcionamento cerebral. A inalação contínua de determinados poluentes pode contribuir para processos inflamatórios persistentes e lesões neurológicas, afetando o humor, a capacidade de lidar com situações de stress e a saúde mental em geral.

A investigação também considerou a contaminação da água por substâncias como arsénio, chumbo, lítio e nitratos. Embora a evidência nesta área seja mais limitada, os investigadores indicam que estes elementos podem igualmente interferir com processos biológicos associados ao funcionamento cerebral e ao equilíbrio psicológico.

O ruído ambiental foi outro dos fatores analisados. Tráfego rodoviário durante a noite, circulação ferroviária e outras fontes de poluição sonora podem provocar stress prolongado, perturbar o sono e alterar o ritmo biológico. Estes efeitos já foram associados a problemas como ansiedade e depressão, podendo contribuir para uma maior vulnerabilidade psicológica.

Os investigadores recordam que o suicídio continua a representar um grave problema de saúde pública em todo o mundo, com mais de 720 mil mortes registadas anualmente. Neste contexto, a Organização Mundial da Saúde estabeleceu metas internacionais para reduzir significativamente estes números e reforçar as políticas de prevenção.

Apesar dos resultados, o estudo apresenta algumas limitações. Os autores salientam que ainda existe um número reduzido de investigações sobre determinados poluentes e que os métodos utilizados nos diferentes trabalhos nem sempre são iguais. Além disso, uma associação estatística não prova, por si só, que a poluição seja a causa direta dos comportamentos suicidas.

Ainda assim, as conclusões indicam que os fatores ambientais devem ser considerados nas estratégias de prevenção. Para os investigadores, reduzir a poluição, melhorar o planeamento urbano e integrar a saúde ambiental nas políticas de saúde mental poderá contribuir para diminuir fatores de risco modificáveis.

A abordagem proposta exige a cooperação entre várias áreas, incluindo saúde pública, ambiente, transportes, urbanismo e serviços de apoio psicológico. Na perspetiva dos autores, a melhoria da qualidade do ar e das condições ambientais pode beneficiar não apenas a prevenção do suicídio, mas também o bem-estar mental da população.

Se esta temática estiver relacionada consigo ou com alguém em risco imediato, contacte o número de emergência local ou procure apoio junto de um serviço de saúde.

Fonte: Tupam Editores

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