SOCIEDADE

Infertilidade entre mulheres de meia idade pode aumentar 49% até 2036

A investigação foi conduzida pela Universidade de Hong Kong (HKU), em colaboração com académicos da China continental, de Singapura e do Reino Unido. Os investigadores analisaram dados de saúde relativos a 204 países e territórios, abrangendo o período entre 1990 e 2023, e recorreram a modelos de previsão para avaliar a evolução do fenómeno.

Infertilidade entre mulheres de meia idade pode aumentar 49% até 2036

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define infertilidade como a incapacidade de conseguir uma gravidez clínica após 12 meses de relações sexuais regulares sem contraceção. Atualmente, a condição afeta entre 8% e 12% dos casais em idade reprodutiva em todo o mundo.

Publicado em julho na revista científica The Lancet, o estudo conclui que a infertilidade está a tornar-se progressivamente mais comum nas economias desenvolvidas. Entre as principais razões apontadas está o adiamento da maternidade, associado, em parte, às “transições socioeconómicas aceleradas”.

Apesar da tendência global, a Europa Ocidental, incluindo Portugal, registou em 2023 uma prevalência de 2.807 casos por cada 100 mil mulheres. O valor representa menos de metade da média mundial, situada nos 6.001 casos por 100 mil mulheres.

“A infertilidade em idade materna avançada não é apenas uma questão clínica. Está intimamente ligada ao bem-estar familiar, à autonomia reprodutiva, ao planeamento da força de trabalho e ao desenvolvimento social a longo prazo”, afirmou Queenie Li Lingjun, professora associada do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Escola de Medicina Clínica da HKU, citada pelo jornal South China Morning Post.

O estudo salienta que a infertilidade pode provocar sofrimento psicológico significativo, dificuldades financeiras e estigma social. Estas consequências podem afetar a estabilidade dos relacionamentos e o bem-estar das famílias.

Com o envelhecimento da população, os investigadores consideram que a infertilidade se tornou também um importante problema de saúde pública, com impactos económicos relevantes para as mulheres, as famílias e os sistemas de saúde.

“O aumento dos custos dos tratamentos e as perdas de produtividade sublinham a urgência de respostas integradas nas áreas da saúde e da economia”, afirmou Li. A investigadora defendeu ainda a adoção de medidas públicas mais precoces e direcionadas para reduzir as consequências do adiamento da maternidade na saúde reprodutiva.

Segundo a especialista, os resultados reforçam a necessidade de políticas que apoiem melhor as mulheres e as famílias, permitindo-lhes planear o futuro e tomar decisões informadas sobre a reprodução.

Fonte: Tupam Editores

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