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Menos idas às urgências permitiram mais atendimento de casos graves

A implementação do projeto "Ligue Antes, Salve Vidas" contribuiu para uma alteração no perfil das urgências hospitalares: em 2025 houve menos sessões de menor gravidade e uma maior proporção de casos de urgência elevada.

Menos idas às urgências permitiram mais atendimento de casos graves

Segundo um estudo da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), as idas às urgências diminuíram em 71 mil no ano passado, mas os episódios classificados como de urgência elevada aumentaram em mais de 132 mil, passando a representar 68,8% da atividade dos serviços de urgência (eram 64,5% em 2024). Em contrapartida, os casos menos urgentes recuaram em 204 mil episódios e corresponderam a 31,3% das admissões em 2025, embora a ERS ressalve que persiste um recurso significativo das urgências para situações de menor gravidade.

A Linha SNS 24 recebeu 58,9% mais chamadas entre 2024 e 2025, refletindo a mudança de comportamento: mais utentes contactam primeiro a linha para serem encaminhados ao serviço adequado. Contudo, o aumento do volume de chamadas elevou também os tempos de espera: em 2025 houve quase meio milhão de chamadas com espera superior a 30 minutos.

O estudo aponta constrangimentos operacionais: apesar de a maioria dos utentes encaminhados para cuidados primários ter conseguido consulta, diminuiu a percentagem de agendamentos presenciais, cresceu o recurso a teleconsultas, surgiram episódios sem marcação por motivos técnicos e aumentaram ligeiramente os casos de recusa do encaminhamento pelos próprios utentes.

A ERS verificou um reforço do encaminhamento para cuidados de saúde primários: entre o último trimestre de 2024 e o mesmo período de 2025, a Linha SNS 24 aumentou em 3,7 pontos percentuais as referenciações para centros de saúde e reduziu os encaminhamentos para autocuidados. Apesar da maior procura, mais de 90% das consultas não programadas foram realizadas em menos de 24 horas após referenciação, indicando manutenção da capacidade de resposta dos cuidados primários.

Houve um ligeiro aumento das recusas dos utentes e de episódios sem referenciação por dificuldades técnicas quando a linha encaminhou para hospitais, mas essas situações mantêm-se residuais. A ERS analisou também reclamações sobre a operacionalização do projeto e, no seguimento, emitiu uma instrução aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde para melhorar a qualidade e efetividade da referenciação, a articulação operacional e a capacidade de resposta da Linha SNS 24 em períodos de maior pressão. A entidade reguladora recomendou ainda às 27 Unidades Locais de Saúde envolvidas que as regras de referenciação não obstaculizem o acesso a cuidados adequados, integrados e em tempo clinicamente aceitável.

Fonte: Tupam Editores

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