Descoberto como o estrogénio protege as mulheres da hipertensão
A hipertensão é um desafio global de saúde: afeta mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo e é uma das principais causas de doença cardíaca e acidente vascular cerebral. Durante décadas, os investigadores observaram que as mulheres na pré-menopausa têm menos probabilidade de desenvolver hipertensão do que os homens ou as mulheres na pós-menopausa.

Sabe-se que o fator determinante é o estrogénio, no entanto, os mecanismos precisos pelos quais esta hormona protege as mulheres na pré-menopausa ainda não foram totalmente elucidados.
Uma nova investigação da Universidade de Waterloo tinha como objetivo responder a esta questão. Utilizando um modelo matemático dos sistemas cardiovascular e renal, a equipa de investigadores conseguiu identificar qual dos muitos efeitos do estrogénio desempenha o papel mais importante na proteção contra a hipertensão.
As descobertas sugerem que a capacidade do estrogénio de relaxar e dilatar os vasos sanguíneos, conhecida como vasodilatação, é o fator chave. O estudo, publicado na revista Mathematical Biosciences, aponta ainda para opções de tratamento mais eficazes para as mulheres após a menopausa, quando os níveis de estrogénio diminuem naturalmente.
O estrogénio é frequentemente associado apenas à saúde reprodutiva, mas desempenha um papel muito mais amplo no funcionamento do corpo. Afeta a forma como os vasos sanguíneos respondem, como os rins regulam os fluidos e como os diferentes sistemas comunicam entre si. O que os especialistas descobriram é que o seu impacto nos vasos sanguíneos é especialmente importante para a regulação da pressão arterial.
A equipa de Anita Layton trabalha há anos no seu premiado modelo matemático dos rins e do sistema cardiovascular feminino. Este modelo permite muito mais flexibilidade e precisão do que os cientistas teriam a trabalhar num laboratório ou com seres humanos.
Pode-se ativar um efeito, depois outro, e ver exatamente como cada um afeta o corpo. Embora nenhum modelo matemático seja perfeito, o modelo de Layton baseia-se em dados laboratoriais existentes e os seus resultados são continuamente validados quando comparados com observações do mundo real, o que sugere a sua precisão e fiabilidade.
Entre os dois medicamentos anti-hipertensores mais populares, o modelo previu que os bloqueadores dos recetores da angiotensina serão mais eficazes do que os inibidores da enzima conversora da angiotensina no tratamento de mulheres com hipertensão, mesmo após a queda dos níveis de estrogénio na pós-menopausa.
Segundo Layton, a saúde da mulher, especialmente a saúde da mulher idosa, foi negligenciada pela medicina durante demasiado tempo. Compreender como a idade e o sexo afetam o corpo e, por conseguinte, o tratamento, é uma questão de equidade.