Medicamentos não devem ser retirados do blister e deixados soltos
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), apenas metade dos doentes toma os seus medicamentos corretamente. O uso responsável dos medicamentos é o que permite atingir o seu objetivo: curar e restaurar a saúde das pessoas, mas também evitar consequências negativas, como efeitos secundários, interações medicamentosas indesejadas ou perda de eficácia (resistência aos antibióticos), além de prevenir custos pessoais, sociais e de saúde desnecessários.

Atualmente, as taxas de não adesão ao tratamento são elevadas, especialmente nas doenças muito comuns como a hipertensão, o colesterol elevado e a diabetes. Por exemplo, nas doenças vasculares, estima-se que 39% dos doentes interrompem o uso de medicamentos prescritos pelo médico de família e 22% interrompem o uso dos prescritos por especialistas.
Como forma de o evitar, o plano de tratamento deve ser combinado entre o profissional de saúde e o doente. Para isso, o doente deve informar o médico do melhor horário para tomar o medicamento, referir o seu nível de atividade física, a sua dieta, etc. Isto facilitará a adesão ao tratamento ou, por outras palavras, o seu seguimento da forma mais completa e fiel possível.
É igualmente importante explicar os sintomas sentidos e referir a medicação ao médico, não esquecendo informações relevantes, o que é muito comum entre os idosos.
Um dos primeiros erros que as pessoas cometem ao tomar medicamentos é não participar na decisão sobre qual o medicamento a tomar antes deste ser dispensado. Os doentes devem compreender e concordar com o tratamento estabelecido, incluindo com alterações na dieta, exercício e outros hábitos.
É o médico que decide, pois é ele que sabe que medicamento é mais adequado à doença. Os doentes devem seguir sempre as instruções do profissional de saúde e as orientações sobre a medicação, incluindo dosagem e tratamento, e não interromper o uso sem uma justificação. Idealmente, o médico deve fornecer informações por escrito, além da consulta.
Importa referir que os medicamentos devem ser sempre adquiridos nas farmácias, pois a sua compra noutros estabelecimentos ou online não garante a sua segurança e qualidade.
Quanto ao armazenamento, devem ser armazenados de acordo com a sua natureza, mas sempre num kit de primeiros socorros específico para medicamentos, onde não existam outros produtos como cosméticos ou produtos de limpeza, e num local seco, com temperatura adequada e fora do alcance das crianças.
Devem ser mantidos na sua embalagem original, juntamente com a bula, para que se possa consultar facilmente a dosagem ou outras informações importantes.
O medicamento nunca deve ser retirado da embalagem blister e deixá-lo solto na mala, por exemplo, ou na cozinha, pois pode ficar danificado.
No caso de vários medicamentos, e especialmente em idosos ou doentes com deficiência, é aconselhável utilizar organizadores de comprimidos para ajudar a manter os diferentes comprimidos, cápsulas, etc., organizados.
É igualmente importante seguir as instruções de utilização. Em geral, os comprimidos devem ser engolidos inteiros, não sendo recomendado triturá-los, a menos que esteja especificamente indicado na bula.
Convém ter em atenção que alguns medicamentos podem causar efeitos secundários como sonolência, diminuição dos reflexos, tonturas e confusão, ou cãibras musculares. Assim, se for conduzir após tomar o medicamento ou se o seu trabalho envolver a operação de máquinas, deve tomar precauções adicionais.
Finalmente, deve estabelecer um horário para tomar o medicamento para evitar esquecimentos, associar a sua toma a uma tarefa diária ou programar um alarme no telemóvel para o lembrar de o tomar.