Ferramenta identifica crianças com risco de perturbações da fala
Uma investigação liderada pelo Murdoch Children’s Research Institute (MCRI), em Melbourne, permitiu desenvolver uma ferramenta para identificar crianças com risco de perturbações da fala, reduzindo os tratamentos desnecessários para os erros comuns de fala que geralmente se resolvem espontaneamente.

O estudo, publicado na revista Archives of Disease in Childhood, identificou sinais de alerta para ajudar na referenciação para a terapia da fala. Os dados confirmaram, pela primeira vez em mais de duas décadas, que os erros de fala são comuns e variam amplamente até aos seis anos de idade.
Estiveram envolvidos no estudo 1.179 participantes com idades compreendidas entre os 2 e os 12 anos, que foram recrutados em escolas, creches e jardins de infância em Victoria e Nova Gales do Sul. Terapeutas da fala treinados avaliaram as crianças através de uma tarefa de nomeação de figuras.
Os resultados permitiram apurar que os erros de fala no desenvolvimento eram comuns em crianças dos dois aos seis anos, mas aos sete anos, 90% conseguiam formar todos os sons. Apenas foram observadas pequenas diferenças na fala entre os oito e os 12 anos. Os erros de fala que ocorreram em menos de 10% das crianças incluíram erros de vogais, transposições como “efelant” para “elefante” e troca de sons da fala como “glack” para “black” (preto, em inglês).
Em comparação com os dados históricos de há 20 anos, alguns sons foram adquiridos mais lentamente e alguns erros comuns demoraram mais tempo a corrigir. Importa salientar que não houve evidências de que a fala das crianças se tenha tornado mais desordenada.
De acordo com a professora Angela Morgan, do MCRI, existem poucas evidências que orientem a deteção e a referenciação de crianças com risco de problemas persistentes.
A falta de investigação obriga a uma abordagem de tentativa e erro. São ainda necessários novos dados para descobrir como as novas tecnologias, como os telefones e os dispositivos, estão a mudar a fala das crianças.
Segundo a investigadora, a nova ferramenta de avaliação irá garantir que menos crianças sejam erradamente encaminhadas para listas de espera e que menos recursos sejam desperdiçados no tratamento de padrões de erros de fala que provavelmente se resolverão com o tempo.
A ferramenta identifica as crianças que apresentam mais dificuldades na sua faixa etária ao utilizar tarefas de fala e ajudará os profissionais de saúde a melhorar a deteção e o encaminhamento para as perturbações da fala.
As crianças com perturbações da fala têm de ser incrivelmente resilientes, mas precisam de intervenção precoce para garantir que podem progredir.